4 de junho de 2026

Debate sobre exploração de terras raras em Poços de Caldas chega ao Planalto

Ativistas defendem diálogo para garantir que a mineração seja planejada, controlada e gere empregos de qualidade nos municípios do sul de Minas Gerais
Crédito: Divulgação/ Daniel Tygel

A ministra de Ciência e Tecnologia  Luciana Santos recebeu, nesta quinta-feira (19), o vereador Daniel Tygel (PT), de Caldas, e os deputados federais do PT Padre João, Rogério Correia e Dandara, para discutir a possibilidade de intermediação da União nas negociações sobre a exploração de terras raras no sul de Minas Gerais.

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Além dos parlamentares e da ministra, participaram do encontro ainda representantes da Secretaria Geral da Presidência da República e coordenadores da mesa de diálogo sobre mineração e transição energética, instituições que negociam os interesses das empresas interessadas em minerar e os municípios onde esta atividade será realizada. 

Entre as reivindicações dos caldenses, segundo Tygel, estão a garantia de respeito à terra, aos municípios de Poços e Andradas, à agricultura local e que a atividade gere empregos de qualidade para a região. 

“O intermédio do governo federal vai permitir a negociação de igual para igual, tendo em vista que o orçamento municipal é de R$ 75 milhões, enquanto as atividades de extração de terra raras gera faturamento de R$ 6 bilhões para uma empresa em apenas um ano”, afirmou Daniel Tygel.

De acordo com o vereador, Luciana Santos demonstrou preocupação com os impactos ambientais e também em não repetir o modelo de exportar produtos primários. 

“Qualquer tipo de mineração em Caldas tem de ser planejada, organizada e que não afete a vida do município, a história da nossa agricultura, do nosso produtor rural ,a história da nossa cultura, das nossas águas medicinais, do nosso turismo. Que a gente possa respeitar essa história de Caldas e que a gente não seja o bobo da corte. Temos de estar na mesa de negociação, porque nós somos o município onde estão as terras raras, nós temos de ter voz e definir limites para este tipo de exploração, além disso permitir que avance a cadeia produtiva e pesquisa em desenvolvimento”, pontua Tygel.

Interesse

No ano passado, o governo mineiro anunciou o Projeto Caldeira, adquirido pela empresa australiana  Meteoric Resources, que deve investir cerca de R$ 1,1 bilhão em um projeto para extrair argila iônica na região.

Em fevereiro deste ano, o governador Romeu Zema acompanhou a assinatura de protocolo de investimentos entre o Governo de Minas e a empresa australiana Viridis Mineração e Minerais, em que a empresa também australiana se compromete a investir R$ 1,35 bilhão na região para explorar os elementos.

O Brasil tem a terceira maior reserva de terras raras do mundo, com 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China e Vietnã. 

Os elementos químicos encontrados nesta região formam compostos minerais utilizados na fabricação de diversos produtos, entre eles baterias de longa geração, foguetes espaciais, celulares, lâmpadas de LED, telas e monitores, paineis solares, aviões, dispositivos de raio-X, carros elétricos, computadores e equipamentos para a geração de energia renovável.

Perigos

No entanto, apesar da fachada de atividade ligada à economia verde, a exploração de terras raras apresenta os mesmos riscos encontrados na exploração de outros minerais: alteração de paisagem e ecossistemas, alto consumo de água e perigo de contaminação de solo e cursos d’água com elementos radioativos e metais pesados, de acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM).

A possibilidade de mineração na região também preocupa os moradores e agricultores da região, não só pelo histórico de tragédias no país (a exemplo de Brumadinho, Mariana e Maceió), mas também sobre os possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos da exploração de terras em Caldas e região.

“Eu não sou contra o progresso, eu quero o progresso, mas a gente quer o progresso de uma forma que não tire a tranquilidade da nossa cidade”, afirmou o produtor rural Marcos Raimundo.

“Mas e nós, que somos moradores rurais e que moramos do lado desse empreendimento, onde a gente fica, a gente está sendo levado em consideração ou a gente está sendo deixado de lado?”, questionou a produtora rural Adrien Junqueira durante encontro da Aliança em Prol da APA da Pedra Branca, realizada no final de novembro. 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Douglas da Mata

    20 de dezembro de 2024 7:30 am

    Ah, Nassif, quanta ingenuidade.

    Me dê um, apenas um exemplo, na história dos países pobres, onde a atividade extrativista se deu dessa forma, com qualidade de vida aos locais atingidos, prosperidade (não confundir com riqueza) e bem estar.

    Já era.

    Poços de Caldas vai virar Poços de M*rda.

    Eu tenho certeza que você acredita piamente nesse arranjo entre as galinhas (ativistas) e os tigres (mineradoras).

    É por isso que não escrevo com raiva, só….

    Pena.

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