5 de junho de 2026

Embargo russo gera tensão entre agricultores europeus

Embargo russo desestabiliza mercado europeu de alimentos e cria briga entre agricultores

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

União Europeia anunciou nesta semana a criação de um plano de emergência para contornar crise de seu setor agrícola

Rafael Duque, do Opera Mundi

 

O embargo da Rússia a alimentos da UE (União Europeia), anunciado no último dia 7 de agosto, criou uma desestabilização no mercado europeu devido à grande quantidade disponível de alguns tipos de frutas e verduras. Segundo alguns vendedores em Madri, capital da Espanha, o preço de alguns produtos, como o pêssego, pode cair até 20%.

Os itens mais afetados estão em plena temporada e não há possibilidade de armazenamento para a maioria deles, nem tempo suficiente para encontrar mercados alternativos ao russo.  Esta situação levou a Comissão Europeia a lançar um plano de emergência.

“Levando em conta a situação do mercado depois das restrições russas às importações agrícolas da União Europeia, ativo com efeito imediato medidas de emergência previstas na Política Agrária Comum”, afirmou na última segunda-feira o comissário europeu Dacian Ciolos.

As medidas de emergência citadas por Ciolos incluem a soma de 125 milhões de euros para a retirada e a distribuição gratuita de uma série de frutas e verduras perecíveis. A medida será aplicada até novembro e o objetivo desta ajuda é equilibrar a oferta e a demanda dos produtos e a manutenção dos seus preços.

Plantação de milho na França; agricultores do país entraram em conflito com colegas da Espanha

 

A UE é o principal provedor de produtos agrícolas da Rússia com uma cota de mercado de 42% em 2013. O Brasil, por exemplo, era a origem de apenas 8% das importações russas neste setor no mesmo ano. A Rússia é também o segundo maior mercado para os agricultores europeus. Aproximadamente 10% das exportações agrícolas da UE têm como destino o país eslavo.

Prejuízos

No dia seguinte ao anúncio do embargo, o Ministério de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente espanhol informou que as restrições russas causariam um impacto de 337 milhões de euros nas exportações da Espanha, o que supõe 1,8% do total das exportações do país. Entretanto, a Associação Valenciana de Agricultores advertiu que o embargo provocaria 140 milhões de euros de prejuízo apenas para os agricultores da Comunidade Valenciana.

Devido a essas previsões, a ministra de Agricultora espanhola, Isabel García Tejerina, afirmou nesta semana que ainda é “muito cedo” para saber se o valor destinado pela Comissão Europeia é “suficiente, sobra ou falta”. Enquanto o ministério faz as contas, alguns agricultores resolveram agir por conta própria. Em Aragão, sindicatos agrícolas se manifestaram contra o que consideram a insuficiente ajuda de Bruxelas queimando uma bandeira da União Europeia e jogando fora centenas de quilos de frutas.

Entretanto, os produtores dos países da Europa central, geograficamente mais perto do mercado russo, serão os principais prejudicados pelo embargo. O país mais afetado deve ser a Hungria, que estima que as restrições podem causar a diminuição de seu PIB (Produto Interno Bruto) em 0,2%. A Rússia compra 7% das verduras e frutas exportadas pela Hungria e as vendas deste setor somaram em 2013 aproximadamente 220 milhões de euros.

Espanha x França

A saturação dos mercados europeus também afeta a relação entre os agricultores de diferentes países. Federações agrícolas francesas protestam contra o preço de alguns produtos de origem espanhola que, segundo eles, são mais baratos que os da França devido à prática de dumping por parte de seus homólogos espanhóis.

Entre os alimentos que são alvo de críticas, o principal é o pêssego, que se encontra em plena temporada de colheita e foi uma das principais frutas afetadas pelo embargo russo. “As produções que não vão mais para a Rússia serão, sem dúvida, redirecionadas para o mercado europeu e criam esta situação de crise”, afirmou Xavier Beulin, presidente da FNSEA (Federação Nacional dos Sindicatos de Operadores Agrícolas).

Incapazes de competir com a grande produção espanhola, agricultores da FNSEA e de outras federações e sindicatos bloquearam na semana passada a principal rodovia que liga o sul da França à região espanhola da Catalunha e por onde passa grande parte da carga de frutas de um país ao outro.

Os manifestantes pararam caminhões com cargas alimentícias à força para, segundo eles, inspecionar os produtos. A escalada de intensidade na briga dos produtores dos dois países obrigou ambos os governos a negociarem uma saída, mas nem Madri nem Paris colocaram uma data limite para encontrar uma solução.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

18 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. carlos afonso quintela da silva

    24 de agosto de 2014 8:34 pm

    Essa União Européia, lambe

    Essa União Européia, lambe botas dos norte americanos, está recebendo o tratamento que merece. Bem que os russos avisaram que as sanções eram um tiro no pé. Acho que eles podem esperar para mais perto do inverbo alguma coisa ewlacionada ao fornecimento de gás e, aí então, chegará até o povão a revolta contra essa submissão dos europeus aos interesses geopolíticos dos EUA.

  2. Eduardo Pereira da Silva

    24 de agosto de 2014 8:38 pm

    Eles não conheciam a chama “Lei da ação e reação”?

     

    Quando esse pessoal foi na onda dos EUA e começaram a falar em embargos à Russia eu pensei “será que eles estão pensando que a Rússia e pequenina Cuba?”. Está ai, crise na europa com a reação da Rússia aos embargos. E, parece que os Embargos que a Rússia está fazendo em resposta, está causando muito mais estragos na Europa que os Embargos que UE fez contra a Russia. E o governo americano? Rindo como se não tivesse nada com isso. E olha que se os tubos de importação de gás, em valores trilionários, da Rússia para China já estivessem prontos, a Rússia poderia se dar ao luxo até de fazer um embargo do gás, aí seria a pá de cal, nesse movimento atabalhoado da UE de fazer embargos à Rússia sem fazer uma análise mais racional sobre o caso e os possíveis efeitos de uma reação Russa, que não é Cuba.

  3. EJ

    24 de agosto de 2014 8:49 pm

    Opinião

    Eu acho é pouco!

  4. Gão

    24 de agosto de 2014 9:04 pm

    O feitiço contra o feiticeiro

       Putin está cada vez mais forte internamente enquanto os europeus se batem por causa de um peteleco dado com  mindinho pelo careca, o plano “genial” dos embargos funcionou ao contrário. Não interessa à Rússia o agravamento dessa disputa, é tudo que querem os EUA, Putin é habilidoso e está pisando em ovos, foi só um aviso pra Europa acordar da hipnose americana pois só tem a perder com essa história. Já se forma um lobby forte contra os embargos dentro da Europa e vai sobrar pra quem insistir com a briga por lá.

  5. Vanderle

    24 de agosto de 2014 9:19 pm

    Estou curioso para ver o

    Estou curioso para ver o relatório da queda do avião MH17. Segundo especialista na internet o avião foi metralhado por um MIG 29. Se isto confirmar, adeus hegemonia americano.

     

  6. Fábio de Oliveira Ribeiro

    24 de agosto de 2014 9:38 pm

    É… mas os supermercados

    É… mas os supermercados russos já estão começando a ficar vazios. Os preços dos alimentos estão subindo em toda a Rússia e isto certamente se refletirá negativamente na economia do país. O resultado é previsível: o governo russo vai elevar o preço do combustível que exporta para tentar compensar o problema. Isto certamente agravará a situação dos países que importam gás e petróleo da Russia. Em terra de cegos ninguém vê absolutamente nada e todos perdem. Europeus e Russos estão atirando nos próprios pés e os norte-americanos espertalhões provavelmente desejavam isto.

    1. Daytona

      24 de agosto de 2014 11:03 pm

      Direto de Moscou, mais um

      Direto de Moscou, mais um grande especialista em Rússia. Deve ser aluno do Gunter.

  7. Guigo Barros

    24 de agosto de 2014 9:45 pm

    Talvez…

    … com os preços dos alimentos em queda, na UE, uma legião de famintos por aquelas plagas possa ter, ao menos, uma refeição decente por dia. 

    Que devaneio de minha parte! Eles vão tacar fogo nos excedentes, como sempre fizeram, em lugar de alimentar os mais carentes. Afinal, foi sempre assim quando o assunto era África ou não?

  8. CB

    24 de agosto de 2014 9:52 pm

    Um dia a União Európeia vai

    Um dia a União Európeia vai entender por que a América do Sul que preferiu inventar o Mercosul a continuar sendo apenas pau mandado dos EUA. Bom, quem sabe os EUA não comecem a importar o que está sobrando na Europa…

  9. peregrino

    24 de agosto de 2014 11:00 pm

    quem diria…

    Europa caiu no conto do vigário americano

    serviu como laboratório para a novidade(?) americana: tirar dinheiro dos outros sem usar a violência

  10. Sta. Catarina

    24 de agosto de 2014 11:29 pm

    Produtos

    Porque que esses produtos não são exportados para os Estados Unidos? Ele não é o paizão que manda os “filhinhos” fazerem sanções e agora os deixa órfãos? Bem feito para a europa. O Putin além de retaliar está protegendo sua economia, pois as sanções europeias certamente estavam impactando na balança comercial da Rússia.

  11. Regis O

    25 de agosto de 2014 12:42 am

    crise

    Essa medida da União Européia, a longo prazo, apenas contribui para o agravamento da crise. O preço continuará caindo do mesmo jeito e os produtores serão afetados com o governo comprando ou não. Comprar para distribuir de graça para a população fará com que a mesma população não compre, agravando a venda no mercado interno. A Europa se dividirá antes da Rússia. A estratégia dos americanos para garantir a hegemonia nesse começo de século XXI pode sair pela culatra.

  12. Cristiana Castro

    25 de agosto de 2014 1:07 am

    É… passarinho que dorme com

    É… passarinho que dorme com morcego, acorda de cabeça para baixo… E, agora?

  13. GilbertoK

    25 de agosto de 2014 3:42 am

    Ingenuidade

    Acho incrível a ingenuidade da maioria das pessoas em analisar as notícias. No caso, as “análises” tem se votlado sobre a economia Russa e Européia. Nenhum comentário de sua repercussão em outros países. Se a Russia pode impactar negativamente em 2% na balança comercial de um país como a Espanha, qual seria o impacto no Brasil? Ou na Argentina? Ora, a Russia já declarou que vai substituir as importações que são realizadas da Europa e da América do Norte por importações da América do Sul e Ásia. Isso representa um impacto tremendo no comércio mundial. Para se ter uma idéia, o Brasil não conseguirá atender, a curto prazo, a quantidade pedida pela Rússia de carne de frango. De imediato, mal conseguiremos fornecer 50% do que eles querem. O Chile está em polvorosa, pois os Russos querem salmão chileno, ao invés de salmão escocês.  E Cuba terá acesso facilitado, novamente, ao mercado russo. As consequências políticas e econômicas dessa mudança são profundas e não vi, até o momento, qualquer menção a essa mudança aqui no Brasil. Ainda mais que isso vai fortalecer o comércio entre os BRICS e aumentará a influência russa, principalmente, na América do Sul.

    1. Francy Lisboa

      25 de agosto de 2014 9:35 am

      Mas isso saiu no Estado. Eu

      Mas isso saiu no Estado. Eu soh nao tenho o link comigo. Mas eh soh procurar. Vc estah certissimo, mas ateh quando vai durar essa preferencia Russa pela carne brasileira? Serah ateh as sancoes contra eles serem eliminadas? Ou isso se trata de movimento permanente? Isso eh sem duvida uma alegria para os produtores brasileiros e pode jogar mais gasolina naqueles que fazem o papel de porta-voz de Whashingtom aqui no Brasil. Provavelmente vai aperecer algum idiota dizendo que o Brasil nao deveria comercializar com a Russia por que ela eh simplesmente “Malvada”. Alguem duvida?

      1. GilbertoK

        25 de agosto de 2014 3:50 pm

        Mudança de paradigmas

        O que vejo nisso é um leve boicote ao assunto por parte da mídia e uma grande ingenuidade por parte da esquerda em geral. As implicações dessa manobra russa mudará a cenário de comércio mundial de alimentos e abre novas possiblidades de comércio entre a Russia e seus novos fornecedores. Eventualmente, as sanções podem não perdurar por muito tempo, mas a abertura de um novo mercado para os sul americanos será feita pelo “fast track”, ao invés dos caminhos normais. O que não ocorre aos brazucas é que um impacto negativo de 1% nas exportações da Alemanha, por exemplo, representa um número positivo impressionante nos mercados emergentes. Ou seja, esse 1% do total alemão, certamente pode representar 10 vezes mais em termos de porcentagem para uma Argentina, por exemplo. Ou mesmo para o Brasil. Como já disse, imagine se Cuba passar a ter preferência russa novamente para exportação de açúcar e frutas. Para uma França, o impacto do boicote russo não vai ser maior que 1% também das exmportações. Mas em Cuba, será uma montanha de recursos. Ok, os preços internos na Russia podem subir, mas seu diplomacia ganhará pontos com os novos países fornecedores. E o BRICS, que correm por fora, ganham uma força um pouco maior. Não duvido que recursos do novo banco sejam colocados a disposição de países “pobres” para a criação de estruturas para fornecimento, eventualmente, de alimentos para os russos. Tudo isso correndo totalmente por fora do eixo EUA – Europa. Enfim, é um caminho para um mundo mais plural.

  14. Francy Lisboa

    25 de agosto de 2014 9:36 am

    Como o Putin é mal né? Se ele

    Como o Putin é mal né? Se ele apanha das nações de “bem” ele deveria dar a outra face, afinal, ele mau.

  15. Luiz Julio Bertin

    26 de agosto de 2014 12:59 am

    Embargo Russo

    Em briga de gigantes, anões não se metem. 

Recomendados para você

Recomendados