4 de junho de 2026

Empresas diminuem captação com renda fixa em agosto; renda variável segue em suspenso

Jornal GGN – As empresas brasileiras diminuíram o ritmo de captação de recursos com títulos de renda fixa: no período, o volume de ofertas de dívida alcançou R$ 3,5 bilhões, com destaque para as notas promissórias, títulos de prazos mais curtos, que responderam por quase metade das captações (R$ 1,8 bilhão), segundo dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Entre os demais instrumentos, as debêntures registraram emissões de R$ 1,2 bilhão, seguidas dos CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), com R$ 592 milhões e R$ 10 milhões, respectivamente.

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No ano, as emissões com instrumentos de renda fixa chegam a apresentar um moderado crescimento em relação ao mesmo período de 2013 (R$ 70,3 bilhões versus R$ 62,6 bilhões), mas, na mesma base de comparação, as notas promissórias cresceram 47,3% e já passam a responder por 20,2% do total das captações com instrumentos de renda fixa até agosto.

Segundo a entidade, “o elevado nível dos juros e o cenário de incerteza, que têm caracterizado o ano de 2014, trouxeram mais impactos no perfil das operações de renda fixa do que na suspensão das operações, como observado para o mercado de ações”. Apesar dos reduzidos volume (R$ 3,5 bilhões) e número de ofertas (19) com instrumentos de dívida em agosto, no ano, o número de operações já chega a 326, sendo 152 ofertas com debêntures, número muito próximo ao observado no mesmo período do ano passado (156).

Outro ponto a se observar envolve a elevada participação de operações distribuídas com esforços restritos. No ano, 91,4% das ofertas de renda fixa, excluindo-se as de debêntures de leasing, foram distribuídas via Instrução CVM 476, o maior percentual desde a criação da modalidade, em 2009. Da mesma forma, o ano de 2014 registrou, até o momento a menor participação de ofertas registradas pelo procedimento tradicional da ICVM 400, com 7,3% das ofertas, o equivalente a R$ 5,1 bilhões.

Ao mesmo tempo, um maior volume de emissões (38,1%) tem se concentrado na faixa de prazos de até três anos, que pode ser considerado curto para as debêntures. Este é o maior percentual de participação para prazos mais curtos desde 2009, período da crise financeira

internacional, em que estes ativos responderam por 57,7% das emissões de debêntures realizadas no ano. “Este movimento reflete a posição conservadora de emissores e investidores, que preferem, neste quadro de volatilidade, atrelar suas dívidas e suas carteiras a taxas flutuantes, com prazos de vencimento ou de repactuação de taxas mais curtos, o que possibilita a readequação das condições dos ativos ou a troca da dívida, reduzindo a exposição dos agentes ao risco de mercado”, diz a Anbima.

Captações com ações seguem suspensas

Ainda no mercado doméstico, a Anbima afirma que as captações com ações seguem suspensas. Em agosto, nem a alta do Ibovespa, de 9,8%, nem a continuidade do fluxo de investidores estrangeiros para o mercado secundário – que registrou saldo positivo de R$ 1,9 bilhão e saldo acumulado em 2014 de R$ 23,4 bilhões – contribuíram para a retomada das ofertas.

No segmento de ofertas internacionais, o mês de agosto também registrou uma desaceleração das captações das companhias. Do total de ofertas no mês com títulos de renda fixa, US$ 3,8 bilhões, a maior parte deveu-se à captação do Tesouro, no total de US$ 3,6 bilhões. No início de setembro, mais uma operação foi anunciada pelo Tesouro, de US$ 1 bilhão, a terceira oferta no ano, fazendo com que as captações externas do Tesouro Nacional cheguem a US$ 5,9 bilhões em 2014, o maior volume dos últimos quatro anos.

Segundo a Anbima, o anúncio de revisão da perspectiva do rating do Brasil de estável para negativa, divulgado pela Moody’s na segunda semana de setembro, e a volatilidade trazida pelo anúncio do FOMC em 17 de setembro podem impactar negativamente as próximas captações internacionais, embora as emissões externas de 2014 até o início de setembro já tenham superado em 10,2% o volume de todo o ano de 2013.

“De qualquer forma, a avaliação é de que, apesar das expectativas de normalização na política monetária nos EUA, as condições de liquidez internacional ainda continuam favoráveis para emissores emergentes, influenciadas também pelas recentes medidas de estímulo adotadas pelo Banco Central Europeu”. 

 

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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