21 de maio de 2026

Energia solar, drones e celulares redefinem hierarquia mundial

Inovações baratas como drones, celulares e energia solar reescrevem a geopolítica, redistribuindo poder militar e econômico ao Sul Global.
Foto de Zbynek Burival na Unsplash

▸Drones de baixo custo desestabilizam poder militar global. Ucrânia surpreende Rússia com drones baratos e eficazes.

▸Celulares democratizam crédito e informação no Sul Global. Quênia destaca-se com economia digital baseada em smartphones.

▸Energia solar impulsiona autonomia energética em emergentes. China lidera expansão solar, reduzindo dependência de energia fóssil.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma citação do economista austríaco Joseph Schumpeter dizia que uma verdadeira transição econômica pode ser reconhecida pelo surgimento de novos bens, métodos de produção e formas de organização industrial. Atualmente, três inovações atendem a tais requisitos: drones, celulares e energia solar.

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Segundo os pesquisadores Mark Blyth (Universidade Brown) e Daniel Driscoll (Universidade da Virgínia), esses três vetores tecnológicos estão desestabilizando a hierarquia global, redistribuindo poder e autonomia entre países ricos e o Sul Global.

Drones e o novo equilíbrio militar

Durante décadas, o poder militar esteve concentrado nas mãos de países com orçamentos bilionários. Um único porta-aviões norte-americano da classe Gerald R. Ford custa cerca de US$ 13 bilhões, enquanto cada caça F-35 chega a US$ 100 milhões.

Contudo, a disseminação dos drones de baixo custo vem alterando essa equação: como exemplo, pode-se citar a Ucrânia, que atualmente produz mais de 200 mil drones FPV (first-person view) por mês a um custo inferior a US$ 300 por unidade.

Em 1º de junho, a chamada “Operação Teia de Aranha” surpreendeu a Rússia: caminhões carregando drones ucranianos destruíram aviões de guerra em bases russas, demonstrando que a guerra com drones é barata, precisa e difícil de conter.

“Quantos drones seriam necessários para neutralizar um porta-aviões, e a que fração do custo?”, provocam os autores, em artigo publicado no Project Syndicate.

Celulares e a revolução financeira no Sul Global

No campo econômico, o telefone celular tem o mesmo potencial transformador: conforme o custo dos dispositivos e do acesso à internet cai, bancos, meios de comunicação e empresas tradicionais enfrentam perda de espaço.

Segundo os articulistas, a telefonia móvel não apenas democratiza o crédito e a informação, mas redefine educação, emprego e crescimento em escala continental.

Em países como Quênia, onde infraestrutura tecnológica e bancária era escassa, os smartphones se tornaram a espinha dorsal da economia digital.

De acordo com o artigo, mais de 80% da população queniana possui um aparelho, e as transações financeiras móveis já alcançam 77% das zonas rurais e 89,7% das urbanas. O governo estima que a economia digital responderá por 10% do PIB em 2025.

Energia solar e a autonomia dos emergentes

A transição energética também está sendo reconfigurada: enquanto o governo de Donald Trump levou os Estados Unidos a aumentar a produção de energia fóssil, a expansão da energia solar – impulsionada pela China – tem quebrado esse ciclo de dependência.

Em 2025, as importações de painéis solares da Argélia cresceram 85 vezes em relação ao ano anterior. O Paquistão já gera 20% de sua eletricidade a partir do sol.

Em grande parte do Sul Global, a energia solar garante autonomia energética e alívio das contas externas, especialmente em regiões rurais fora da rede elétrica.

Mesmo países exportadores de petróleo veem vantagem: usar o sol para consumo interno e preservar combustíveis fósseis para exportação é, além de estratégico, mais lucrativo.

O ponto de inflexão global

“Estamos assistindo não apenas a uma transformação tecnológica, mas a uma mudança geopolítica, na qual as vantagens históricas das potências estão sendo corroídas por inovações baratas e compartilháveis”, escrevem Blyth e Driscoll.

Para os autores, o futuro ainda trará novas disrupções. “Resta saber se a inteligência artificial reverterá ou acelerará esse processo — nossa aposta é que ela o acelerará.”

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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