Os Estados Unidos praticamente abandonaram a estratégia de tentar convencer a China a abandonar seu modelo econômico baseado em exportações e ampliar o consumo doméstico.
A mudança foi explicitada pelo representante comercial americano, Jamieson Greer, em entrevista à Axios, ao afirmar que insistir nesse caminho seria “loucura” após décadas de tentativas sem resultados.
Segundo Greer, Washington passou 25 anos defendendo mudanças na economia chinesa, especialmente uma maior participação do consumo interno no crescimento. Para ele, porém, a política não funcionou e deixou os Estados Unidos diante de uma economia chinesa ainda fortemente orientada à produção e às exportações.
A mudança representa uma ruptura com uma linha de atuação mantida por diferentes administrações americanas, inclusive pelo governo de Joe Biden. Embora Biden tenha preservado boa parte das tarifas impostas anteriormente à China e elevado algumas delas, especialmente sobre veículos elétricos, o diálogo para promover mudanças estruturais em Pequim continuou fazendo parte da política econômica americana.
Greer também criticou a expectativa de que os Estados Unidos deveriam trabalhar conjuntamente com a Europa para convencer Pequim a alterar seu modelo econômico. Segundo ele, os países europeus deveriam adotar medidas semelhantes às americanas, em vez de esperar que Washington mude sua própria estratégia.
A posição ganha relevância diante dos efeitos do chamado “China shock” sobre a Europa. Países como a Alemanha enfrentam dificuldades diante do avanço dos produtos chineses em setores industriais nos quais empresas europeias tradicionalmente tinham vantagem.
A mudança também contrasta com a avaliação de Michael Froman, antecessor de Greer no cargo e autor de uma análise recente publicada pela Foreign Affairs. Froman argumenta que o excesso de capacidade produtiva chinesa pode atingir um ponto de ruptura e provocar uma crise econômica global.
Para ele, abandonar a tentativa de reequilibrar a economia chinesa não elimina o problema. Ao contrário: uma reação coordenada de países que fechem seus mercados às exportações chinesas poderia acelerar a crise do próprio modelo de crescimento de Pequim.
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