Enviado por Pedro Penido dos Anjos
Da Carta Capital
Fausto vendeu-se ao demônio. Para adquirir poder e dinheiro entre os mortais, hipotecou a alma pela eternidade. Tamanha era a força da sua cupidez, a fome da riqueza abstrata, que, diante dela, a eternidade parecia durar apenas um segundo.
Vai pela casa da tonelada a quantidade de tinta gasta para deplorar o poder do dinheiro, a sua força para corromper as consciências, desfigurar as almas e os sentimentos. Contra esse poder e essa força, lançaram-se poetas, filósofos, teólogos e até os moralistas de folhetim.
George Simmel, em seu livro A Filosofia do Dinheiro, mostra que o sujeito atacado pelo amor “doentio” ao dinheiro não é uma aberração moral, mas o representante autêntico do indivíduo criado pela sociedade argentária. As qualidades dos bens e o gozo de suas utilidades tornam-se absolutamente indiferentes para ele. Suas preferências, sentimentos, desejos, são totalmente absorvidos pelo impulso de acumular riqueza monetária.
É curioso observar como a sociedade argentária, ao transformar violentamente os indivíduos e suas subjetividades em simples coágulos monetários, pretenda ao mesmo tempo colocar barreiras, ensinando-lhes as virtudes da moderação, da frugalidade, da solidariedade. Então, como podemos falar de sentimentos como honradez, dignidade, autorrespeito numa sociedade em que todos os critérios de sucesso ou insucesso são determinados pela quantidade de riqueza monetária que cada um consegue acumular?
É difícil escapar da sensação de que a contenção desse impulso é impossível sem a coação e a intimidação crescentes. As leis devem se tornar cada vez mais duras e especializadas na tentativa de coibir o enriquecimento “sem causa” e a qualquer custo. Verdade? A experiência contemporânea parece demonstrar que os circuitos de enriquecimento ilícito – apesar do grande número de prisões e condenações – não fazem outra coisa senão aumentar, multiplicando-se mundo afora. As drogas e seus sistemas de produção e comercialização, a espionagem industrial e tecnológica, a corrupção política, a compra e venda de informações e de “desinformação” da opinião pública formam uma rede formidável e em rápido crescimento de circulação de dinheiro “sujo”.
Esse dinheiro transita e é “esquentado” e “esfriado” nos mercados financeiros liberalizados. Negócios legais são muitas vezes fachadas para “branquear” dinheiro de origem ilícita. Os sistemas fiscais – diante dos circuitos financeiros que permitem a livre movimentação de capitais – perdem o seu caráter progressivo e passam a depender cada vez mais dos impostos indiretos e da taxação dos assalariados.
Daí o enfraquecimento sem precedentes da esfera pública, a desmoralização dos poderes do Estado, a crescente onda de moralismo que revela, aliás, mais impotência do que indignação. Os perdedores desse jogo entregam-se a lamentações e ondas de protesto que se esgotam rapidamente entre o escândalo do momento e o próximo. Sem tempo para raciocinar, entregam-se ao consumo de fatos sensacionais e escabrosos.
Nessas situações crescem os clamores por medidas “salvacionistas”, apoiadas na invocação da própria santidade, honestidade ou bons propósitos. Em geral, esses movimentos de opinião voltam-se contra o “formalismo” dos procedimentos legais. Os grandes pensadores da modernidade encaravam com horror a possibilidade de vitória dos grupos que veem no direito e na formalidade do processo judicial obstáculos ao exercício da moral. Para eles, tais protestos não são apenas errôneos, mas revelam apego malsão à sua própria particularidade, desfrutada narcisisticamente sob o disfarce da moralidade.
No capitalismo realmente existente são os negócios que invadem a esfera estatal. A concorrência entre as grandes empresas impõe a presença do Estado nos negócios e envolve a disputa por sua capacidade reguladora e por recursos fiscais. Isso significou abrir as portas para a invasão do privatismo nos negócios do Estado.
O neoliberalismo também pode ser entendido como um projeto de retorno a uma ordem jurídica alicerçada exclusivamente em fundamentos econômicos. Para tanto, é obrigado a atropelar e estropiar, entre outras conquistas da dita civilização, as exigências de universalidade da norma jurídica. No mundo da nova concorrência e da utilização do Estado pelos poderes privados, a exceção é a regra. Tal estado de excepcionalidade corresponde à codificação da razão do mais forte, encoberta pelo véu da legalidade.
Seria uma insanidade, no mundo moderno e complexo, tentar substituir os preceitos e a força da lei pela presunção de virtude autoalegada por qualquer grupo social ou, pior ainda, por aqueles que ocupam circunstancialmente o poder.
Waldomiro Pereira da Silva
18 de agosto de 2014 5:09 pmTemos um fausto a caminho: M
Temos um fausto a caminho: M A R I (onete) N A!
Free Walker
18 de agosto de 2014 5:28 pmAssim com Delfim e Bresser
Assim com Delfim e Bresser Pereira, Beluzzo é um desses espectros (socorro Ghostbusters) que, vira e mexe, aparecem na mídia falando de economia.
PQP. Beluzzo, segundo alguns o grande economista heterodoxo do Brasil, não conseguiu nem dar jeito no Palmeiras, só o apequenou, vai agora querer ensinar como o Brasil ser grande.
Beluzzo, já serviu a vários senhores, de Sarney a Lula, bom como teórico e zero na prática, campeão de Globonews, atual CC, não tem meu respeito.
Marcos_BLK
18 de agosto de 2014 6:11 pmMeu caro, sou palmeirense e
Meu caro, sou palmeirense e achei medonha a comparação. Nessa lógica tua podemos chegar ao extremo e dizer que uma pessoa que não consegue deixar a casa arrumada não pode ser diretor ou gerente. Poderia pensar em outros exemplos ainda mais esdrúxulos, todos baseados na tua linha de raciocínio. Mas te digo apenas uma coisa, de todos os presidentes recentes do Palmeiras, o Belluzzo foi quem encaminhou a construção da Arena e quase deu um título brasileiro ao time, só não foi assim pois o futebol é uma caixa de surpresas. O Palmeiras estava disparado em 1o quando o Belluzzo trouxe o Vagner Love. Depois disso foi só decadência. Enfim, só pra ficar no Palmeiras, o Belluzzo foi o último dirigente a trazer orgulho e esperança à sua torcida.
Free Walker
18 de agosto de 2014 7:08 pmAgora futebol, só futebol, que fique bem entendido caro Blk..
Não acompanho o Palmeiras do legendário Ademir da Guia, o maior meia cancha que já vi jogar. Gênio.
Sou vascaíno, e jamais vou esquecer a Sulamericana 2001 no Palestra, PAL 3 x VAS 0 no primeiro tempo, PAL 3 x VAS 4 no apito final….hehehe
Nos tempos de Eurico que, Oh Lord, está voltando.
Marcelo Castro
18 de agosto de 2014 5:39 pmfundamentalismo economico é feudal
Quem imagina que o fundamentalismo economico não tem bases morais está enganado. Os pensadores radicais como instituto Millenium ou Olavo de Carvalho são escolásticos morais e economicos . Fundamentalismo economico é apologia ao feudalismo.
Ricardo Santos
18 de agosto de 2014 6:38 pmQuero compartilhar novamente
Quero compartilhar novamente e agregar ao estudo do professor Belluzzo, outra análise sobre o tema!
Dissecando o sistema econômico Neoliberal!
De forma objetiva (estilo Nassif) o professor Agostinho Ramalho Marques Neto, revela o caos desse esquema!
A candidatura de marina silva é tão incoerente na sua tese de sustentabilidade com seu pano de fundo econômico!
Análise do tripé de marina (seus economistas são da mesma escola tucana)
Parte 1
[video:http://www.youtube.com/watch?v=M_rx2Uc-PWY%5D
Parte 2
[video:http://www.youtube.com/watch?v=qjhWNNld_qw%5D
Parte 3
[video:http://www.youtube.com/watch?v=9LzMqEyK-u8%5D
Mardones
18 de agosto de 2014 7:59 pmNão gostei do último
Não gostei do último parágrafo. Ficaria melhor se fizesse uma defesa da democracia.
Mogisenio
18 de agosto de 2014 8:19 pmcomplementando…
Esqueci de comentar um passagem:
O autor disse:
“No capitalismo realmente existente são os negócios que invadem a esfera estatal. A concorrência entre as grandes empresas impõe a presença do Estado nos negócios e envolve a disputa por sua capacidade reguladora e por recursos fiscais. Isso significou abrir as portas para a invasão do privatismo nos negócios do Estado.”
Mas, podemos dizer sem medo de errar que o capitalismo SÓ EXISTE porque o ESTADO MODERNO existe! Alías, aquele só veio a existir exatamente com a “ajudinha” deste. Portanto, sem estado moderno garantindo o que precisa ser garantido, não há falar em capitalismo. Por isso mesmo, o capitalismo realmente existente , de fato, INVADE, ou melhor necessita e ao mesmo tempo invade o próprio estado. O Estado MODERNO é o capitalismo visto de outra forma! Trata-se de um leviatã irmão de outro leviatã. São familiares e dormem no mesmo quarto. Eventualmente, um é macho o outro é fêmea e , dormindo no mesmo quarto, mesmo sendo parentes consanguíneos, não perdem tempo de procriarem em busca da manutenção “dos poderes” não mão e no bolso da família “real”!
Observando essa suruba, lá está ele, o povo! Entre burgos e nobreza, aristocrática, pensadora, formuladora de teses ou de “modelos”, mormente, econômicos e jurídicos, com um rei que sirva de bode expiatório!
altamiro souza
18 de agosto de 2014 10:34 pmmarina será faústica?
fausto
marina será faústica?
fausto vende a alma ao demonio da financeirização , cria o moralismo para justificar suas medidas economicas de exclusão inerente ao neoliberalismo e troca o cidadão pelo consumidor e este fica se achando o dono da verdade, quando na verdade perde-se no vazio como objeto, como coisa, jamais omo sujeito participante e transformador da socidade.
mesmo que não queira, marina parece que será engolida por esse sistema canibalista…
Alexandre Weber - Santos -SP
18 de agosto de 2014 11:57 pmAcho que o Beluzzo comeu bola neste artigo
Na minha opinião mal alinhavado e estruturado.
Têm o desconto de não conhecer a teoria da origem do dinheiro exposta pelo Heródoto no Logus Babylonico e que serve aos donos do dinheiro até hoje.
Mistura Capitalismo, com neo liberalismo para explicar a origem e funcionamento do Estado Moderno. Não consegue, faz uma mixórdia infernal e depois abandona o assunto como se fosse isto mesmo.
Não é!
O que importa são os detalhes e ele olimpicamente os olvida.
Em suma, achei o artigo uma porcaria que não serve para nada, perdi 5 minutos lendo isto.
Alexandre Souza
26 de abril de 2015 1:32 pmConcordo totalmente com você,
Concordo totalmente com você, e acrescento que foi o marxismo que começou a medir “sucesso” pela quantidade de riqueza das pessoas. Numa sociedade livre, as pessoas podem, em tese, escolher se querem ser ricas ou se querem “ficar na sombra”.