21 de maio de 2026

FGTS perde mais de R$ 2 bi com programa do governo Bolsonaro

Programa implantado antes da campanha eleitoral usava fundo para conceder microcrédito via Caixa; inadimplência ultrapassa os 80%
Os ex-presidentes da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães e da republica, Jair Bolsonaro. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) contabiliza um prejuízo expressivo graças a um programa de microcrédito implementado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), antes das eleições presidenciais.

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O programa oferecia créditos de até R$ 1 mil para pessoas físicas, inclusive aquelas com restrição de crédito, e até R$ 3 mil para microempreendedores individuais por meio do aplicativo Caixa Tem, da Caixa Econômica Federal.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o calote chega a R$ 2,3 bilhões, uma vez que o empréstimo feito pela Caixa foi de R$ 3 bilhões e a inadimplência do programa ultrapassa os 80% – e um quinto desse montante (ou R$ 460 milhões) é prejuízo do banco estatal.

O FGTS direcionou R$ 3 bilhões para o Fundo Garantidor de Microfinanças (FGM) em 2022, e cerca de R$ 1 bilhão foram recuperados em julho deste ano. O restante do valor foi perdido.

O FGM foi capitalizado pelo FGTS para oferecer garantias aos bancos que aderissem ao chamado SIM Digital, ou Programa de Simplificação do Microcrédito Digital para Empreendedores, mas ninguém garantia os recursos aportados pelo FGTS – segundo a lei que criou o programa, “o FGM não disporá de qualquer tipo de garantia ou aval por parte da União”.

Na época em que o SIM Digital foi criado, a Caixa Econômica Federal era presidida por Pedro Guimarães, aliado próximo de Bolsonaro, e que deixou o cargo três meses após a adesão do banco ao programa devido a denúncias de assédio sexual.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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