21 de maio de 2026

FUP questiona suposta relação entre roubo de joias e privatização de refinaria

Ministro de Minas e Energia se apossou de peças valiosas um mês antes de refinaria na Bahia ser vendida por menos da metade do preço
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros 11 integrantes de seu governo foram indiciados pela Polícia Federal pela participação em um esquema de desvios e venda de joias – contudo, um detalhe chama a atenção: o então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, se apropriou de peças valiosas em viagem realizada um mês antes da venda de uma refinaria na Bahia por menos da metade do preço para um fundo árabe.

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O conjunto de abotoaduras, terço, anel e relógio confeccionados em ouro rosé, que por lei pertence ao Estado, foi presenteado ao governo brasileiro entre 2019 e 2021, período em que a gestão bolsonarista da Petrobras privatizou a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, vendendo-a para o Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes.

Os presentes foram dados ao governo federal em outubro de 2021 e, em 30 de novembro de 2021, a Petrobrás anunciou a venda da refinaria para o fundo dos Emirados Árabes por US$ 1,65 bilhão, menos da metade do seu valor de mercado – estudos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) apontaram que o preço real da refinaria ultrapassava os US$ 3 bilhões.

“Uma auditoria feita pela Controladoria Geral da União (CGU) apontou que a venda às pressas da Rlam durante a pandemia, em um momento de calamidade global e com o preço do petróleo em baixa, reduziu de forma artificial o valor da refinaria”, afirma a FUP (Federação Única dos Petroleiros), em comunicado divulgado recentemente.

Relembre: Xadrez da venda da refinaria e os negócios dos Bolsonaro com os árabes, por Luís Nassif

“O parecer da CGU afirma que, diante da situação de incerteza e de alta volatilidade econômica no fim de 2021, duas opções poderiam ter sido consideradas na época pela gestão da Petrobrás: aguardar a estabilização do cenário futuro ou fazer uma avaliação única, ajustando premissas operacionais e de preços”, destacou o sindicato.

A FUP e a Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobrás (Anapetro) ingressaram com várias ações na Justiça Federal e representações junto aos órgãos controladores da Petrobrás denunciando os prejuízos que a venda da refinaria baiana causaria ao patrimônio público, aos consumidores brasileiros e aos acionistas da empresa.

Em janeiro de 2023, a FUP apresentou de maneira formal um pedido de comissão interna à Presidência da Petrobras, com a participação de um representante da entidade, para apurar se houve irregularidades e conflito de interesses na venda da Rlam. Representação semelhante foi apresentada dois meses depois junto ao Ministério Público Federal em março.

“Tudo leva a crer que essa quadrilha pode ter roubado muito mais do que joias. Os milhões envolvidos nesse crime vergonhoso nem chegam perto do prejuízo de bilhões de dólares que a Petrobrás e o povo brasileiro amargaram com a privatização da Rlam”, afirma o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. JOPOMARCELOOO

    13 de julho de 2024 5:16 pm

    Isso mesmo Tatiane,oras recebeu joia milionária de bilionário saudita e vendeu a refinaria para um grupo saudita q COINCIDÊNCIA,igual a números q não batem nos impostos do pis/confins q os ricaços abatem,o governo vai precisar apurar isso muito rápido até mesmo como um seguro em relação as elites,pq a Abin não investiga como um ex juiz ladrão virou juiz e q o pai fora fundador de partido político com muitas ligações no meio jurídico e a quem admite pessoas nos concursos públicos???

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