O avanço da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã gerou uma reação imediata nos mercados de energia: o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo levou fundos de hedge a acelerarem suas apostas na alta do petróleo, no patamar mais elevado visto desde 2020.
Dados de mercado citados pela Bloomberg mostram que gestores de recursos aumentaram de forma significativa suas posições compradas em contratos de petróleo Brent — referência global da commodity — no início de uma das semanas mais voláteis já registradas para o setor.
Segundo números da ICE Futures Europe, as posições líquidas compradas no Brent cresceram em 65.438 contratos, atingindo 351.032 contratos na semana encerrada em 10 de março. Trata-se do maior volume de apostas na alta do petróleo desde fevereiro de 2020.
Ao mesmo tempo, as apostas no petróleo dos Estados Unidos também aumentaram: dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) indicam que as posições compradas em petróleo americano chegaram ao nível mais alto em oito meses.
Estreito de Ormuz bloqueado
O principal fator por trás da disparada nas apostas é a crise no Estreito de Ormuz, rota marítima responsável pelo transporte de cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo.
O confronto militar praticamente interrompeu o tráfego na região por quase duas semanas, e o impacto no setor energético foi imediato: grandes produtores da região começaram a reduzir o ritmo de extração, e algumas refinarias passaram a descumprir contratos de compra, diante da incerteza sobre o fornecimento.
O quadro de incertezas levou traders algorítmicos ampliaram posições compradas em contratos futuros até seus limites operacionais, apostando em novas altas do petróleo.
Paralelamente, as empresas produtoras passaram a vender contratos futuros, enquanto consumidores industriais e companhias aéreas buscam proteção financeira para se defender de uma possível disparada nos preços da commodity.
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