O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encerrou o segundo trimestre do ano com um crescimento de 0,9%, em seu oitavo resultado positivo consecutivo, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB brasileiro subiu 3,4%, enquanto a alta acumulada nos quatro trimestres fechados em junho atingiu 3,2%.
Já o crescimento acumulado no semestre foi de 3,7% – nesse cenário, a atividade econômica do país opera 7,4% acima do patamar pré-pandemia, referente ao quarto trimestre de 2019, e atinge o ponto mais alto da série.
O PIB, que é a soma dos bens e serviços finais produzidos no Brasil, totalizou R$ 2,651 trilhões em valores correntes no trimestre encerrado em junho.
Indústria e serviços puxam resultado
O resultado do segundo trimestre foi diretamente influenciado pelo desempenho da indústria (0,9%) e dos serviços (0,6%) – lembrando que as atividades de serviços respondem por cerca de 70% da economia do país.
No caso dos serviços, o destaque ficou com os serviços financeiros – como seguro de vida, de automóvel, de patrimônio e de risco financeiro – além de serviços jurídicos e de contabilidade. Segundo o IBGE, o setor de serviços se encontra no ponto mais alto da série, e está há 12 trimestres sem variações negativas.
As atividades industriais ficaram no campo positivo pelo segundo trimestre seguido, após a variação de -0,2% nos últimos três meses do ano passado. De acordo com os dados divulgados, a expansão está ligada aos resultados positivos das indústrias extrativas (1,8%) da construção (0,7%), da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (0,4%) e das indústrias de transformação (0,3%).
Apenas a agropecuária recuou no período, com queda de 0,9% após o avanço de 21% visto no primeiro trimestre – e justamente a base de comparação mais elevada afeta a análise, segundo o IBGE, uma vez que 60% da produção de soja está concentrada no primeiro trimestre.
Diante da diminuição do peso dessa cultura no segundo trimestre, aumenta a participação de outros produtos, como o café, que cresce menos que o principal produto agrícola do país.

Consumo das famílias cresce 0,9% no trimestre
Já o consumo das famílias avançou 0,9% no segundo trimestre, registrando seu maior resultado desde o mesmo período do ano passado (1,6%), por fatores como crescimento do crédito e a adoção de medidas como redução de preços de automóveis, e os reajustes nos programas de transferência de renda, notadamente o Bolsa Família.
Contudo, os juros elevados acabam por afetar o consumo de bens duráveis e as famílias levam um tempo para se recuperar de elevados patamares de endividamento.
Também frente ao trimestre anterior, o consumo do governo cresceu 0,7%, quarto resultado positivo seguido. Quanto aos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), o cenário foi de estabilidade (0,1%).
A taxa de investimento foi de 17,2% do PIB, inferior à do mesmo período de 2022 (18,3%) devido à queda da produção interna de bens de capital, como são chamados os itens que são usados para produção de outros produtos por mais de um período, como máquinas e equipamentos.
No mesmo período, a taxa de poupança passou de 18,4%, no segundo trimestre do ano passado, para 16,9% no mesmo período deste ano, graças a normalização da demanda e oferta de serviços que não funcionavam durante a pandemia de covid-19.
No setor externo, houve crescimento tanto nas exportações de bens e serviços (2,9%) quanto nas importações (4,5%) frente ao primeiro trimestre deste ano.
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