O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve avançar 3,2% neste ano, puxado pela melhora no consumo das famílias e das exportações, puxadas pelo agronegócio e pelo setor de petróleo, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Os prognósticos divulgados apontam uma projeção de 3% de crescimento no quarto trimestre frente ao mesmo período de 2022, enquanto as estimativas para 2024 ficaram estáveis em 2%.
Segundo o Ipea, a desaceleração projetada para 2024 se deve à queda do valor adicionado da agropecuária (-3,2%), afetada por diversos fatores climáticos.
Contudo, existe a possibilidade de que commodities como o petróleo podem apresentar um desempenho positivo – de acordo com a entidade, isso se deve à “competitividade das áreas do pré-sal, em especial se a expectativa de manutenção do ritmo de crescimento do PIB mundial em 2024 se concretizar”.
Quanto ao ajuste ante a projeção efetuada em setembro (3,3%), o Ipea também apontou como fator de impacto uma adequação das previsões a revisões da série histórica do PIB, devido à atualização das Contas Anuais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que afeta as projeções trimestrais em termos de composição de oferta e demanda.
Supersafra e petróleo puxam exportações
Apesar da queda de preços das commodities em 2023, o ritmo das exportações foi mantido por conta do aumento da quantidade comercializada e o avanço em novos mercados, por conta da supersafra agrícola e a expansão acima das expectativas na produção de petróleo.
Quanto à inflação, a queda das commodities afetou o ritmo do IPCA – o prognóstico de fechamento em 2023 caiu de 4,8% para 4,6%.
“Os efeitos da desaceleração inflacionária mostraram-se mais intensos para as classes de renda mais baixas, pois ocorreram em bens com maior proporção no orçamento das famílias de baixa renda, como os alimentos. Além disso, a fragilidade financeira das famílias diminuiu no segundo semestre do ano, com menor comprometimento da renda para pagamento de dívidas”, diz o Ipea.
A elevação da demanda interna tem sido explicada em todo ano pela expansão de um consumo de massa, aquele financiado pela elevação da massa de rendimento das famílias, incluindo não somente a renda do trabalho como também dos benefícios sociais, inclusive a previdência social, o que impulsiona o setor de serviços – o que ajuda a explicar também a sustentação dos índices de emprego.
Porém, esse dinamismo não se refletiu em melhora da arrecadação, cuja receita caiu por conta da queda do preço das commodities (que reduziu os lucros das empresas exportadoras), somado à deterioração da indústria, em um crescimento liderado por serviços e agropecuária, o que tende a diminuir a elasticidade da receita tributária com relação ao PIB, na medida em que a incidência tributária sobre a indústria é maior.
Leia abaixo a íntegra do relatório divulgado pelo Ipea
Deixe um comentário