5 de junho de 2026

Ipea: Salários impulsionam maior queda da desigualdade no Brasil desde 1995

Estudo reforça que a melhora dos indicadores trabalhistas acompanhou o avanço da massa salarial nos últimos anos

1. Brasil registra maior redução da desigualdade de renda desde o Plano Real, com índice de Gini em 50,4 pontos, o menor desde 1995.

2. Recuperação do mercado de trabalho impulsiona queda da desigualdade, com impacto maior da renda do trabalho do que de programas sociais.

3. Renda domiciliar média avança junto com o PIB, indicando distribuição mais equilibrada da riqueza produzida no país.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Um estudo divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que o Brasil registrou, nos últimos anos, a mais significativa redução da desigualdade de renda desde a criação do Plano Real. O índice de Gini, que mede a concentração de renda e cuja escala vai de 0 a 100, caiu para 50,4 pontos, o menor nível da série iniciada em 1995.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

De acordo com o levantamento, a recuperação do mercado de trabalho, com mais empregos e salários mais altos, foi o fator que mais contribuiu para a melhora distributiva recente. No biênio 2023–2024, cerca de metade da queda de 1,2 ponto no Gini se deve à renda do trabalho. Programas assistenciais, como o Bolsa Família, tiveram impacto menor no período (-0,2 ponto), atrás inclusive dos benefícios previdenciários (-0,3 ponto).

Em uma análise mais ampla, entre 2021 e 2024, a desigualdade caiu 3,9 pontos. Desse total, 49% da redução decorreu de rendimentos do trabalho, enquanto 44% se explicam por transferências assistenciais. Os dados do estudo não incluem o ano de 2025.

Mercado de trabalho em alta

O estudo reforça que a melhora dos indicadores trabalhistas acompanhou o avanço da massa salarial nos últimos anos, movimento já apontado por pesquisas do IBGE. Esse impulso fez com que a renda do trabalho tivesse peso maior na distribuição de renda do que os programas sociais.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que os resultados socioeconômicos devem ser ainda mais positivos em 2026, com a entrada em vigor de medidas como o Imposto de Renda zero para quem ganha até R$ 5 mil.

PIB

O levantamento também mostra que, nos anos mais recentes, a renda domiciliar média avançou no mesmo ritmo do PIB. Entre 2021 e 2024, o poder de compra médio dos brasileiros cresceu mais de 25%, atingindo R$ 2.015 por pessoa em 2024, o maior valor da série.

O Ipea destaca que o PIB per capita voltou a crescer no Brasil acima da média global em 2022, 2023 e 2024 — algo que não acontecia desde 2013. Esse comportamento sinaliza que a riqueza produzida tem sido distribuída de forma mais equilibrada.

Embora não tratado diretamente pelo estudo, a política de valorização do salário mínimo — que corrige o piso pela inflação mais o PIB de dois anos antes — pode ter ampliado o impacto dos salários sobre a redução das desigualdades. A elevação do mínimo tende a puxar outros rendimentos para cima, como apontam IBGE e Dieese.

Pandemia

O ano de 2020 aparece como exceção na trajetória histórica. A desigualdade caiu abruptamente durante a pandemia em função do auxílio emergencial, mas o movimento foi temporário. Em 2021, com a retirada do benefício e a crise econômica ainda forte, o índice voltou a subir.

Já 2022 reflete uma recuperação intensa após a forte contração provocada pela crise sanitária, elevando o crescimento devido à base comparativa deprimida.

*Com informações da Agência Gov.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados