Sugerido por Roberto São Paulo-SP
Do Banco Central
Discurso do Ministro Alexandre Tombini na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal
O crescimento brasileiro continua a se materializar de forma gradual, mesmo considerando a contração do produto interno bruto (PIB) registrada, na margem, no terceiro trimestre.
O Brasil tem bons fundamentos macroeconômicos e se preparou para enfrentar essa transição…..
….Nosso passivo externo é menos vulnerável a choques do que no passado porque agora conta com uma parcela bem maior de investimentos mais estáveis e duradouros…..investidores estrangeiros detêm uma parte pequena de nossa dívida pública doméstica.—–
Banco Central do Brasil,—Brasília, 10 de dezembro de 2013.
Exmo. Sr. Senador Lindbergh Farias, Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, Exmas. Sras. Senadoras, Exmos. Srs. Senadores, Senhoras e senhores,
Estou hoje aqui na condição de Presidente do Banco Central do Brasil, para, em atendimento aos §§ 1o e 2o do art. 99 do Regimento Interno do Senado Federal, discorrer sobre as diretrizes, implementação e perspectivas futuras da política monetária.
No breve pronunciamento de hoje vou me concentrar em três temas, quais sejam:
O cenário econômico internacional, cuja perspectiva é de aceleração moderada do ritmo de crescimento nos próximos anos.
O segundo tema diz respeito à atividade econômica no País, cujo crescimento vem se materializando de forma gradual.
O terceiro tema é a inflação. Nesse aspecto gostaria de ressaltar que o Banco Central tem agido de modo a fazê-la convergir para a trajetória de metas, revertendo o processo de elevação observado até o segundo trimestre deste ano.
Exmas Sras. Senadoras e Exmos. Srs. Senadores.
Após mais de cinco anos do pior momento da crise financeira, o cenário econômico global continua complexo. No entanto, já há alguns sinais positivos; uma pequena luz no final do túnel. Estamos, como vem sendo dito, em um período de transição. O processo de normalização das condições financeiras globais está em curso, principalmente na economia norte-americana.
Mas seu ritmo ainda é incerto, e deve se estender pelos próximos anos. Essa transição, na minha visão, é positiva, pois significa que a recuperação da maior economia do planeta está ganhando força e isso representará à frente maior crescimento da economia global e do comércio internacional. E isso tende a beneficiar a todos, inclusive as economias emergentes. No entanto, as incertezas quanto à intensidade e à velocidade desse processo impuseram maior volatilidade aos mercados financeiros internacionais.
Nesse contexto, o principal desafio dos agentes econômicos públicos, em especial dos bancos centrais, é assegurar que o período de transição seja o mais suave possível para as respectivas economias.
Por isso, na minha visão, quanto mais cedo se iniciar efetivamente a retirada dos estímulos monetários e quanto mais previsível for as suas intensidade e velocidade, menor será a volatilidade nos mercados financeiros internacionais. E, consequentemente, mais suave será o período de transição para a economia mundial.
Em relação à Europa, os últimos desenvolvimentos apontam para o fim da recessão, mas as perspectivas ainda são de crescimento baixo, com alto desemprego e fragilidades ainda presentes no setor bancário.
Quanto à China, a expectativa é de acomodação do ritmo de crescimento em patamar acima de 7% ao ano. A segunda principal economia também passa por um processo de transição, com uma ampla agenda de reformas que deve ser adotadas em ritmo gradual ao longo dos próximos anos.
No Japão, o programa de estímulos monetários melhorou as expectativas e os indicadores de curto prazo. Contudo, restam dúvidas se seus efeitos serão duradouros. Por ora, temos que as projeções para 2014 apontam um crescimento ligeiramente inferior ao que foi observado em 2013.
Para as economias emergentes a perspectiva é de aceleração moderada do ritmo de crescimento em 2014, após terem apresentado menor dinamismo em 2013. Essa aceleração será motivada principalmente pela recuperação da economia norte- americana e pelo fim da recessão europeia.
Em síntese, as perspectivas são melhores para 2014, mas a economia mundial está em transição e continua complexa.
Como já mencionei em várias oportunidades, entendo que o Brasil está preparado para atravessar esse período sem maiores sobressaltos.
O Brasil tem bons fundamentos macroeconômicos e se preparou para enfrentar essa transição.
Somos atualmente credores internacionais líquidos e contamos com um nível confortável de reservas internacionais.
Nosso passivo externo é menos vulnerável a choques do que no passado porque agora conta com uma parcela bem maior de investimentos mais estáveis e duradouros.
Além disso, investidores estrangeiros detêm uma parte pequena de nossa dívida pública doméstica. Nosso sistema financeiro está entre os mais capitalizados, líquidos e provisionados do planeta.
Todos esses fundamentos fazem do Brasil um dos destinos mais atrativos para o investimento estrangeiro direto. E isso as estatísticas internacionais têm confirmado.
O Banco Central do Brasil tem adotado as providências necessárias para assegurar a manutenção da estabilidade do sistema financeiro e da economia, e o bom funcionamento dos mercados durante essa transição.
Exmas Sras. Senadoras e Exmos Srs. Senadores.
No plano da atividade econômica doméstica, o crescimento brasileiro continua a se materializar de forma gradual, mesmo considerando a contração do produto interno bruto (PIB) registrada, na margem, no terceiro trimestre.
Os fatores de sustentação da demanda doméstica continuam presentes. A taxa de desempregopermanece em níveis historicamente baixos e há geração de novos postos de trabalho.
O crédito continua se expandindo de forma sustentável, a um ritmo um pouco menor do que no passado recente. Além disso, observamos nos últimos meses, inclusive, redução da inadimplência e do comprometimento de renda das famílias.
Pelo lado da oferta da economia, observamos que a indústria e o setor de serviços continuam crescendo gradualmente.
Destaco o desempenho da produção brasileira de bens de capital, que atingiu em outubro um crescimento acumulado em doze meses de 9,9%. A formação bruta de capital fixo, a despeito do recuo observado no terceiro trimestre, acumula crescimento de 6,5% no ano.
O setor agrícola, por sua vez, renovará o recorde de produção de grãos em 2013 e as perspectivas para 2014 continuam boas como vimos nos dados divulgados nesta manhã.
No entanto, Exmas Senadoras e Exmos Senadores, a consolidação do crescimento para os próximos semestres em bases sustentáveis depende ainda do fortalecimento da confiança das famílias e dos empresários, que já mostra alguma recuperação.
Nas últimas semanas, o Governo Federal realizou importantes leilões de concessão de serviços públicos e exploração de recursos naturais, e o que observamos foi um forte interesse por essas oportunidades, inclusive por parte de investidores estrangeiros. Isso demonstra a atratividade da economia brasileira e a confiança desses investidores no potencial de crescimento para os próximos anos.
Mas o mais importante, na minha visão, é que o sucesso desses leilões e os vultosos investimentos diretos que serão realizados nesses projetos têm o potencial de criar uma nova dinâmica para o investimento privado no Brasil.
As empresas que tomarem parte desse processo de retomada dos investimentos em seus estágios iniciais tenderão a se estabelecer em posições vantajosas frente a futuros concorrentes. Os investidores que perceberem as potencialidades da economia brasileira deverão se beneficiar.
Por isso, volto a afirmar que a confiança é fundamental para a consolidação do crescimento em bases sustentáveis.
Exmas Sras. Senadoras e Exmos. Srs. Senadores.
Agora, vou concentrar-me na inflação, tema central dos interesses do Banco Central do Brasil.
Em relação à inflação, como já mencionei antes, o Banco Central tem atuado de modo a fazê-la convergir para a trajetória de metas, revertendo o processo de elevação observado até o segundo trimestre deste ano. Entre junho e novembro deste ano a inflação entrou em uma trajetória de queda, recuando 92 pontos base.
Em dito isso, entendo que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos, deprimem os investimentos e comprometem a sustentabilidade do crescimento.
Para reduzir esses riscos, a política monetária tem se mantido especialmente vigilante. Nesse sentido, o Banco Central, já no início de 2013, alterou sua comunicação e, desde abril, a taxa Selic vem sendo elevada.
Importante nesse processo lembrar que a transmissão das ações de política monetária para inflação ocorre com defasagens e há alguma incerteza sobre a intensidade com que a inflação irá reagir às ações de política.
Naturalmente, essa incerteza pode aumentar em ambiente como o atual, em que a volatilidade dos mercados financeiros tem sido ampliada pela forte inclinação da curva de juros nas economias maduras, em particular, nos Estados Unidos.
Não obstante se tratar de fenômeno global, as autoridades nacionais podem agir no sentido de mitigar os efeitos dessa volatilidade sobre os mercados financeiros domésticos.
Como destaquei anteriormente, vejo como positiva para a economia global, no médio prazo, a transição na direção da normalidade. Além disso, entendo que os benefícios esperados serão maiores na medida em que ações de política suavizem o processo.
Nesse sentido, o Banco Central tem atuado e vem oferecendo proteção (hedge) cambial aos agentes econômicos e liquidez ao mercado de câmbio.
Em 2014 o Banco Central não sairá de cena nesse mercado.
Aproveito aqui a oportunidade para informar mais uma vez que, com alguns ajustes, o Banco Central estenderá o programa de oferta de proteção cambial.
Exmo. Sr. Senador Lindbergh Farias, Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal,
Exmas Sras. Senadoras e Exmos. Srs. Senadores.
Essas foram as minhas considerações iniciais.
Coloco-me à inteira disposição de Vossas Excelências para prestar os esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários.
Muito obrigado.
URL:
http://www.bcb.gov.br/pt-br/Paginas/discurso-do-presidente-alexandre-tom…
anexo:
- 10-12-2013 – Discurso do Ministro Alexandre Tombini, Presidente do Banco Central do Brasil, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal (PDF – 28 KB)—Alexandre Tombini—Brasília DF
- 10-12-2013 – Apresentação do Ministro Alexandre Tombini, Presidente do Banco Central, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal. (PDF – 801 KB)Alexandre Tombini–Brasília DF





RACS
11 de dezembro de 2013 11:11 amPara o Sardenberg e Mirian
Para o Sardenberg e Mirian Leitão, esses resultados são medíocres, e o único significado que eles conseguem ver é que o Brasil está falido, só o (des)governo do PT não reconhece.
Motta Araujo
12 de dezembro de 2013 12:50 amhttp://www1.folha.uol.com.br/
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/martinwolf/2013/12/1384025-os-administradores-de-ativos-podem-nos-destruir.shtml
Movimentos importantes da captação de empresas privadas podem impactar o cambio em 2014.
Alexandre Weber - Santos -SP
12 de dezembro de 2013 1:39 amDuvido
Sem uma balançada das boas na governança do Brasil, coisa de profissional, vamos ladeira abaixo o ano que vem.