4 de junho de 2026

O BC reinventou o ganho de escala e a lei da oferta e da procura

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Em uma economia de mercado, o grande instrumento das empresas e dos consumidores é o chamado ganho de escala.

Para produzir, a empresa tem custos fixos e variáveis. Fixos são as máquinas, equipamentos, pessoal; variáveis são a matéria prima, custos de comercialização etc.

Se os custos fixos são, digamos, 100 e a empresa vende 100 produtos, cada produto embutirá um custo fixo de 1. Se a empresa passa a vender 200 produtos, o custo fixo embutido em cada produto será de 0,5.

Esse princípio simplesinho é o motor das grandes economias de mercado. É o que faz as empresas a baratearem cada vez mais seus produtos, para poder vender mais e alcançar um número cada vez maior de consumidores reduzindo o ganho por produto mas ganhando na escala.

***

No Brasil da jabuticaba, o Banco Central conseguiu inverter a lógica do ganho de escala. O princípio de Alexandre Tombini (e de todos que o sucederam) é mágico: em caso de inflação, aumente os preços, reduza a produção e você lucrará com a redução da escala.

***

O modelo das metas inflacionários é tão simples quanto falso: sempre que a inflação aumenta x a taxa Selic aumentará x+y, de maneira a aumentar a taxa real de lucro dos investimentos.

Por exemplo, se a projeção de inflação futura for de 9,5%, a Selic será de 14,5% para garantir não apenas o ganho real do investidor, mas o aumento do ganho real.

***

As grandes companhias têm duas fontes de lucro: o lucro operacional (decorrente das suas vendas) e o lucro financeiro (decorrente das aplicações de tesouraria). Com as taxas de juros praticadas no país, ambas se equivalem, com a diferença de que o lucro financeiro é ganho na certa, independentemente do comportamento futuro do mercado.

Cada vez que aumenta a expectativa inflacionária, a Selic aumenta, e a empresa se frente a uma análise simples de custo x benefício entre investir na produção ou no ganho financeiro.

***

Vamos a um exemplo simples.

Caso 1 – a Empresa A tem um capital de giro de 1.000 para investir na produção. Ela vende um produto que custa 10, sua margem de lucro é 1,5. Ela vende 100 produtos e tem um lucro de 150 (100 x 1,5).

Caso 2 – suponha que haja uma inflação que aumente seus custos de produção, reduzindo sua margem de ganho para 0,5. Se ela mantiver a mesma produção, o mesmo preço e as mesmas vendas, seu lucro cairá para 50.

Caso 3 – como ela tem a alternativa de aplicar na taxa Selic, o jogo fica assim.

  • Ela aumenta o preço do produto para 13.

  • A margem de lucro sobre cada produto aumentou para 2,5.

  • Por outro lado, o aumento de preços derruba as vendas para, digamos, 50. 50 x 2,5 equivalerá a um lucro de 125.

  • Como produziu menos, a necessidade de capital de giro caiu para 650. Sobraram 350. Supondo uma Selic de 10%, ela terá um lucro financeiro de 35 que, somado ao lucro operacional de 125, resultará em 160.

O BC brasileiro criou essa jabuticaba: em caso de aumento de inflação, o aumento mais que proporcional da Selic faz com que se reduza a oferta porque, quanto menos vender, mais sobre para investir na Selic.

Além de inverter o ganho de escala, inverteu todos os princípios da oferta e da procura. Sempre que os preços aumentam, esse mecanismo faz com que se reduza a oferta, tornando a inflação muito mais resistente.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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26 Comentários
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  1. AR

    15 de agosto de 2015 3:57 pm

    Essa jsbuticabeira dá seus
    Essa jsbuticabeira dá seus frutos (podres) muito antes de Tombini

  2. JB Costa

    15 de agosto de 2015 4:29 pm

    O objetivo do BACEN é baixar

    O objetivo do BACEN é baixar o índice de inflação para 4,5 % ao final de 2016. Resta saber se estaremos vivos até lá.

    Dúvidas? Cartas para o sr, Tombini. 

  3. Edivaldo Dias Oliveira

    15 de agosto de 2015 4:45 pm

    Quem tombará primeiro?

    O objetivo do tombini e tombar a inflação, nem que para isso o Brasil tombe junto; já meio penso.

  4. Neotupi

    15 de agosto de 2015 4:49 pm

    Selic baixa não resolve se NTNB paga 7%aa+inflação.

    Os títulos emitidos pela taxa selic devem responder por menos do que um quarto da dívida. Quer colocar a taxa selic a 9,5%aa hoje, com uma inflação em torno de 9%? Coloque, só que nenhum título remunerado pela Selic será vendido. Todo mundo, inclusive você de esquerda que investe no tesouro direto, vai comprar NTNB que está pagando em torno de IPCA+7%aa (os 7% são juros reais), ou LTN pré-fixada em torno de 14%aa.

    Mercado de juros, no final das contas, é correlação de forças entre quem precisa de dinheiro e quem tem para oferecer. Quer que os juros caiam? 

    1) Comece por migrar todas suas contas e investimentos para os bancos públicos. Assim o poder público terá mais poder de mudar a correlação de forças.

    2) Exijamos reformas mais profundas, que envolve a reforma tributária para tributar mais o andar de cima e reforma política-administrativa para o dinheiro público ser mais bem gasto nas atividades fins (saúde, educação, trabalho e segurança) e menos nas atividades meio (política, burocracia, excesso de judicialização, etc). Com isso o Tesouro precisará tomar menos dinheiro emprestado e sobrará mais dinheiro ocioso nos bancos, precisando baixar os juros para achar quem queira tomar emprestado.

    1. Marcelo Castro

      15 de agosto de 2015 6:13 pm

      lógica financista clássica

      Caro Neotupi, a tua lógica caberia bem no governo  fhc onde dinheiro financista era recolhido do mercado para cobrir rombos de gestão. Este governo do PT tem divisas de R$ 370 bilhões ,investimentos externos na ordem de US 62 bilhões e divida pública a 35% do PIB.  O objetivo do aumento da taxa selic não é financiar o governo , é apenas o de conter a inflação. A maior parte da arrecadação vem de impostos e seria loucura submeter novamente o país a tua lógica financeira. Teu raciocinio está com 12 anos de atraso.

      1. Neotupi

        15 de agosto de 2015 7:09 pm

        E desde quando vivemos em um sistema financeiro revolucionário?

        Claro que é lógica financista clássica porque a gente vive em sistema capitalista clássico com um mercado financeiro clássico, com sistema bancário privado clássico. Sem mudar essa conjuntura, pode espernear à vontade contra a selic, mas estaremos sempre submetidos à estas regras clássicas, quer queira, quer não, por bem ou por mal.

        Os fundamentos que você cita positivos (reservas, relação dívida/PIB) são todos indicadores ortodoxos clássicos de classificação de risco. Lula fez superavit primário de 4,5% em 2003 para se livrar do FMI o quanto antes e chegar aonde estamos. O governo do PT além de governar melhor no social e nos serviços públicos, governou muito melhor a economia clássica do que o PSDB e ainda distribuiu renda com crescimento econômico. Tivéssemos uma imprensa decente, o PSDB nem mais existiria de tão mal avaliado que seria. 

        Eu voto no PT desde 1989 e vou continuar votando, mas seus argumentos são os piores possíveis, pois do jeito que você fala, o governo do PT aumentaria a Selic por escolha e não porque precisa na atual conjuntura, como precisou diversas vezes durante o governo Lula e quando o Mantega era ministro. E quem pode mudar a conjuntura é a sociedade, a mobilização dos movimentos sociais. Governo sozinho não consegue mudar, principalmente cercado por um Legislativo e Judiciário conservador. Por isso, cada cidadão que migra sua conta para um banco público está reestarizando os bancos que foram privatizados por FHC e dando mais condição de governança popular sobre a economia. A Coréia do Sul era miserável em 1964 e virou primeiro mundo com um sistema bancário estatal, controlando toda a poupança interna para financiar a industria exportadora. Só depois de desenvolvida ela abriu o sistema financeiro ao setor privado. Infelizmente quando se rompe regras econômicas estando inserido no sistema financeiro mundial que está aí, o dinheiro desaparece. Hoje, dinheiro é lastreado em crédito. A alternativa da moratória não faz o dinheiro sobrar no orçamento para educação, saúde, etc, como alguns amigos de esquerda dizem com um simplismo que não resiste à realidade. O dinheiro do calote se extingue, e o país fica mais pobre, porque some o crédito para todo mundo no país, some crédito até para exportar. Por isso o goerno de esquerda Grego não escolheu o caminho pior. Não fosse assim, até os EUA dariam calote na China, com sua enorme dívida.

        1. Marcelo Castro

          15 de agosto de 2015 7:31 pm

          financismo neoliberal

          O financismo clássico neoliberal vigorou em toda década de 90 e parte dos anos 2000. Época de grande liquidez em que a lógica monetária suplantou a lógica da produção. Teu primeiro texto é impregnado desta lógica. A uma economia que privilegia a produção e indicadores saudáveis (relação divida/pib. investimentos externos, etc..) eu chamaria de ortodoxa. Chamei de “classica” porque a ideologia neoliberal ainda é dominante no meio financeiro. Eu não tenho dúvidas de que o aumento da taxa selic é muito mais uma rendição do governo à esta lógica “classica” do que uma necessidade ortodoxa.  

  5. Durvalino Ferreira

    15 de agosto de 2015 4:54 pm

    jabuticaba

    …. nao estaria essa jabuticaba passada do ponto e no ponto de ser substituida por outra mais moderna antes que comprometa o conjunto   ?!

  6. Fabiana C.

    15 de agosto de 2015 4:55 pm

    A pauta-bomba quem coloca em

    A pauta-bomba quem coloca em votação a cada 5 semanas é o próprio governo Dilma com o aumento dos juros da selic, que dobrou nos últimos 04 anos, aumentando os gastos do governo em centenas de bilhões de reais para pagar os rentistas, tirando dinheiro da previdência, saúde, educação, saneamento,etc. É uma hipocrisia querer cortar benefícios sociais e ao mesmo tempo aumentar exponencialmente os gastos com os juros. Se o Brasil tem cerca de US$ 400 bilhões de dólares de reserva, uma das maiores do mundo, por quê as nossas taxas de juros são as maiores do planeta?!

     

     

    1. marcio gaúcho

      15 de agosto de 2015 11:10 pm

      A RESERVA NÃO É MAIS A MESMA…

      Hoje, a reserva cambial não passa de US$ 250 bilhões. Lembrando, a reserva de US$ 400 bilhões foi feita, também, às custas da transformação da dívida externa em dívida interna, com a emissão de títulos públicos  a um custo bem superior em termos de juros reais. Agora, para manter o controle do valor da cotação do dólar, estamos queimando boa parte dessa moeda nobre e ficando com a dívida interna altíssima, tanto quanto seus custos.

  7. Jossimar

    15 de agosto de 2015 5:00 pm

    O BC criou o ganho de escala

    O BC criou o ganho de escala dos juros. coisa inédita na galáxia.

  8. Ze Guimarães

    15 de agosto de 2015 5:43 pm

    Não só isto

    Exatamente, mas não só isto. Além da Selic alta aumentar a inflação, ainda deixa o “governo” com uma dívida interna muito maior. Digamos com centenas de bilhões a mais por ano para pagar, só de juros. Aí o “governo” para compensar, sobe os combustíveis, sobe a energia elétrica, , etc. E os aumentos destes são automaticamente repassados para o consumidor na forma de… inflação. Aí para combater esta inflação eles sobem mais ainda osjuros, gerando um círculo vicioso.

    Dilma e Tombini são dois “Jênios”.

    Qualquer pessoa com dois neurônios funcionando já teria percebido isto. Esta é a raiz de toda a crise. Abaixando a Selic, a inflação recuaria, sobrariam centenas de bilhões a mais em caixa, e o governo poderia cancelar o ajuste fiscal, e “acalmar” o congresso, debelando toda a crise. Acontece que para ver isto é preciso coragem. Este é um problema gravíssimo para Dilma.

    Só que Dilma já deu mostras de que não tem capacidade para entender isto. Na verdade ela está mais perdida que cego em tiroteio. E os petistas vivendo na ilha da fantasia, acreditam que o “governo” Dilma é o melhor dos mundos, que é um “governo” maravilhoso. 

    Haja paciência.

  9. Severino Januário

    15 de agosto de 2015 6:53 pm

    Ainda não estou convencido de

    Ainda não estou convencido de que o BC esteja errado. Há um jogo por trás do jogo, e talvez o Dragão (não é a inflação) esteja a exigir sacrifício para não tocar logo fogo em tudo. O BC é a parte mais sensível do governo. Aquela que realmente dialoga com forças que podem atacar o país de modo destruidor. E agora ele está frágil, por isso recua e dá. Amanhã, poderá se impor e não só tirar, como também exigir. Só depende de uma paz mais duradoura no ambiente político.

    1. edisilva

      16 de agosto de 2015 3:19 am

      Mas o governo sempre recuou.

      Mas o governo sempre recuou. Mesmo quando estava na fase Lula, com 80% de aprovação. Falou-se em inflação e a selic sobe.

  10. Neotupi

    15 de agosto de 2015 7:03 pm

    Conta errada, Nassif. E o período do giro no estoque? Não conta?

    Nassif, tem supermercado que ganha menos de 3% de margem de lucro sobre a venda unitaria de alguns produtos, mas gira o estoque a cada 3 dias. Resultado: o capital de giro empregado nestes produtos rende 30% ao mês. É o gannho na escala que você cita. Raciocínio parecido vale para indústrias.

    Lembre que a Selic usada é anual. Nenhum empresário trabalha com estoque que demora um ano para girar. Sua comparação de preços unitários com rendimentos de juros em um ano é comparar laranjas com banana, sem incluir o quanto o estoque gira em um ano para ter o lucro operacional anual. E é claro que quanto mais sobe o preço de produtos, menos o estoque gira, o que em alguns casos é tiro no pé.

    Não adianta o comerciante elevar o preço de R$ 10 para 13 no seu exemplo, se ele demorar um ano para desencalhar seu estoque a R$ 13, enquanto seu concorrente vende muito mais ao longo do ano a R$ 10, girando seu estoque muito mais rapidamente.

    Também não vale a pena reduzir vendas, se seu cliente vai comprar de seu concorrente. No seu exemplo você cita reduzir 35% em vendas. Ainda que houvesse uma recessão 5%, a empresa perderia 30% de fatia mercado. Perder grandes fatias de mercado é muito mais fatal para a sobrevivência da empresa bem estabelecida do que aguentar um, dois ou três anos até sem lucro, preservando a fatia de mercado e a clientela para quando a crise passar.

  11. j.marcelo

    15 de agosto de 2015 8:31 pm

    EMPRESÁRIO É QUE FAZ A

    EMPRESÁRIO É QUE FAZ A INFLAÇÃO,MAS O GOVERNO GANHA TB CERTO?

     POIS TEM SUAS ALÍQUOTAS DE IMPOSTOS,COMPENSA SERÁ P O GOVERNO?

    1. edisilva

      16 de agosto de 2015 3:17 am

      E o reflexo na dívida? Não

      E o reflexo na dívida? Não acho que seja bom para o governo. O problema é a cegueira da área econômica e mesmo da presidenta em não ver que os prejuízos são maiores do que a pressão que mirians e sardenbergs vão fazer na imprensa.

  12. RobertoG

    15 de agosto de 2015 9:37 pm

    Desculpa aí, Nassif……
    Ma

    Desculpa aí, Nassif……

    Ma imaginar que um membro do Copom, ainda mais economista com sede de identificaçao com o mercado financeiro: seu futuro profissional desejado, se comova diante de um raciocínio de economia de escala é acreditar que a Gaviões da Fiel vai fazer uma subscrição para a festa d despedida do Rogério Ceni….

  13. Lucinei

    15 de agosto de 2015 10:35 pm

    Nassif, Nassif…
    A taxa de

    Nassif, Nassif…

    A taxa de juros é indexada, indexada no Brasil!

    Indexada à taxa de lucro média do “meracdo”. O tal “Boletim Focus” serve pra isso.

    O BC pergunta: “quanto vocês querem de juros pro faturamento ficar bem bonitinho, bem bonitinho?” Eles consultam as planilhas onde estão incluídas as viagens, o vinho, a moda, a decoração, a gastronomia, a cobertura no “leblão”….

    … E respondem… Eles respondem e o BC tira a média! Essa é a “lei do mercado” da “Nova República” (desde antes da tais “metas de inflação”)!

    Afinal, nenhum “operador” de “vinte e poucos anos” pode ganhar menos que um Juiz  ou Promotor da mesma idade, né?!

    Essa é a “Lei do Mercado”.

  14. Miguel A. E. Corgosinho

    16 de agosto de 2015 12:54 am

    Engraçado a produção, só para

    Engraçado a produção, para efeito de mercado, só aparece como molde de ganho da produtividade.

    Por que a produtividade não molda o movimento interno, que cria a origem do valor, para o governo administrar os meios de produção como um ganho social?

    A produção, além de si mesma, gera um valor exterior que não existe e está sendo fundamentado pela flutuação do dólar na capitação das riquezas (+ 1 dólar fictício = – 3,40 reais de produção) + juros..

  15. edisilva

    16 de agosto de 2015 3:22 am

    E o governo Dilma começou bem

    E o governo Dilma começou bem com um enfrentamento a esta situação da selic. Mas acho que faltava convicção ou há forças por trás que não consigo entender.

    Chegamos a pensar que haveria uma mudança de atitude, mas no primeiro espirro, voltou ao caminho normal.

  16. Henrique O. M. Reis Júnior

    16 de agosto de 2015 10:46 am

    Mais um possível canal de transmissão.

    O foda é provar empiricamente esse racioncínio.

    Existem dezenas de possíveis mecanismos (canais) de transmissão da política monetária. O próprio BC identifica cindo canais: Taxas de mercado, Preço dos ativos, Expectativas, Crédito, Taxa de câmbio. Todos atuam sobre a demanda doméstica.

    O problema é como estimá-os, medi-los, entender qual deles (ou combinação deles) prevalece sobre os demais e identificar as consequencias disso para a economia.

     

     

  17. Fabiana C.

    16 de agosto de 2015 12:17 pm

    O profeessor de economia Amir

    O profeessor de economia Amir Khair escreveu no Estadão domingo passado, sugerindo que o governo venda US$ 100 bilhões de dólares das reservas cambiais e reduza os juros da selic para estimular a economia. Em relação a inflação, minha família está vivendo um período de deflação: pesquisando preços em 04 supermercados, reduzimos nossos gastos em 25%, trocamos de podóloga, economizamos 40%, colocamos aquecedor solar em casa, reduzimos a conta de luz em 30%. Estamos poupando e aproveitando as inacreditáveis taxas de juros praticadas pelo BC brasileiro.

  18. Miguel A. E. Corgosinho

    16 de agosto de 2015 2:23 pm

    Os economistas sofrem de

    Os economistas sofrem de paralisia celebral sem saber dar suas respostas. Aflige-nos com crises inquietantes, pensam que podem discernir em público se lhes falta os conhecimentos, repetem as mesmas coisas que os fizeram fracassar como se nada tivesse acontecido. 

    As expectativas de vida deles é o que os conservassem perturbados; a intelegência esta morta e se conduzem do pescoço para cima pelo poder do mercado financeiro.

    Agora reclamam que não têm um canal adequado a fim de ser eficaz para o princípio do Banco Central, mas memorizaram apenas passagens e mais passagens acerca da especulação, e sobre eles as imcumbências que vemos é da falência de todo o sistema.

    Para os para-economistas se superarem é preciso acabar com o Banco Central.

  19. Ferruccio Gobbo

    16 de agosto de 2015 4:38 pm

    Juros e inflação

    Nassif,

    A divisão entre custos fixos e custos variáveis é muito importante nas estratégias das empresas. Ao se aumentar a produção, o custo fixo unitário diminui, como você bem notou, e, inversamente, reduzindo a produção o custo unitário sobe.

    Eu refiz os seus cálculos assumindo, arbitrariamente, que  o custo fixo representa 40% do custo total, e o custo variável 60%.

    Para um custo unitário total de 10, teremos custo fixo = 4 e custo variável = 6

    Considerando 10% de inflação (conforme deduzi de seu exemplo) teremos custo unitário fixo = 4,40 e custo variável = 6,60 custo unitário total = 11. Para uma produção de 100 unidades teremos um custo total de 1.100, uma receita total de 1.150 (preço unitário 1,50) e um lucro de 50, conforme seu exemplo.

    Para uma produção e venda de 50 unidades a 13, teremos uma receita total de 650 (13 x 50), um custo total de 770, sendo um custo fixo de 440 (o mesmo custo para 100 unidades) e um custo variável de 330. O resultado é um PREJUÍZO de 120, no lugar de um lucro de 125.

    A diferença entre nossos cálculos é o impacto do custo fixo, que você mencionou no início do artigo, mas não considerou no cálculo. Ao se reduzir a produção e venda de 100 para 50 unidades, o custo fixo permanece.

    A participação do custo fixo no custo unitário varia muito de produto para produto. Eu usei 40%, apenas a  título de exemplo.

    É possível que as empresas, em face da redução da demanda e queda dos lucros, tentem recuperar a lucratividade através de aumento do preço. Mas isso é uma estratégia de curto prazo, com efeitos na participação no mercado. É difícil dizer até que ponto isso explica a persistência de uma inflação alta.

    Entretanto, não há dúvidas que o aumento da Selic incentiva os empresários a investir no mercado financeiro ao invés de investir na produção. Com menos oferta os preços tendem a subir. Neste sentido, o aumento dos juros contribui para a persistência da inflação.

    Outro efeito do aumento dos juros é no custo das empresas, o que tende a aumentar o preço.

  20. Calvin

    19 de agosto de 2015 7:09 pm

    Simplificação grosseira – parte 55

    Selic rege expectativas. Já há previsões de que 2015 possa estar pouco acima da meta. O problema é o indexamento de outras variáveis à Selic, não o sistema de metas.

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