24 de junho de 2026

Os pontos positivos e negativos do Nova Indústria Brasil

“Depois de quase 10 anos, voltamos a discutir seriamente desenvolvimento produtivo”, diz professor do Instituto de Economia da Unicamp
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O lançamento do programa Nova Indústria Brasil (NIB) foi muito comemorado pela indústria e pelos economistas, mas existem alguns pontos que exigem uma análise mais específica.

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“Depois de quase 10 anos, voltamos a discutir seriamente desenvolvimento produtivo no país e a tentar atualizar nossa política C&T para o mundo pós-pandemia, diz Marco Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp.

Em postagem na rede social X, Rocha destaca que o mundo pós-pandemia “definitivamente não são os anos 1990”, e que o plano anunciado pelo governo Lula “está alinhado com os desenhos modernos de política industrial”.

De acordo com Rocha, o plano brasileiro “se preocupa menos com recorte setorial e apresenta objetivos práticos e dotados de externalidades positivas, com contrapartidas e metas diretas e respaldados pela sociedade civil, incorporados na ideia das “Missões”’.

O plano federal “é centrado em inovação, entende que a ampliação das exportações é um crivo importante e possui uma estrutura de governança centrada no vínculo direto com alto escalão do governo e com participação da sociedade civil”.

Além disso, Rocha ressalta que “o plano entende que a nova onda de digitalização e a transição ecológica remodelarão os setores industriais e as tecs atreladas a esses processos irão ditar a trajetória do progresso técnico na indústria pelos próximos anos – o que demandará o desenvolvimento do setor de serviços”.

Caso o plano funcione de forma efetiva, o professor da Unicamp diz que o NIB “pode ser um alento, dado o esvaziamento da estrutura empresarial local”.

Pontos negativos

Entretanto, Rocha lembra que a NIB pode ficar sujeita aos antigos problemas vistos na política industrial brasileira.

A começar pelas “Missões” propostas pelo plano: segundo o professor, as missões propostas “são amplas e envolvem em suas metas alvos bem distintos e complexos econômicos desiguais em sua capacidade de pleitear recursos”.

“Isso vai demandar um bom alinhamento de outras políticas (como, por exemplo, o PAA) com as ações relacionadas a NIB – com recursos que contemplem não só as ações diretas, mas também as ações transversais envolvidas nas Missões e com alinhamento dos instrumentos direcionados”, aponta o professor.

Segundo Rocha, as Missões “demandam investimento físico significativo para expansão da demanda o que, em última instância, moverá o desenvolvimento dos complexos relacionados a cada Missão” – há, nesse sentido, a necessidade de se expandir e desconcentrar as compras governamentais”.

Diante disso, o professor da Unicamp lembra que todos esses planos esbarram no Novo Arcabouço Fiscal, que “impossibilita capitalizações das instituições públicas, dificultando também a criação de novas”.

Como o sistema de fomento “possui estruturas moldadas em outro padrão de industrialização e sua estrutura estará congelada”, Rocha acredita que “funcionamento da NIB vai depender muito dos recursos proveniente também do PAC e do alinhamento desses investimentos com a política industrial e de inovação ditadas pelas Missões”.

Veja abaixo a íntegra do fio elaborado pelo professor Marcos Rocha a respeito do Nova Indústria Brasil.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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