21 de maio de 2026

Presença feminina no setor petroleiro cresce a passos lentos e desigualdade salarial persiste

Dados apontam que as mulheres correspondiam a apenas 17,7% da força de trabalho do setor, enquanto a remuneração média das mulheres equivalia a 87,2% do salário dos homens
Crédito: Agência Petrobras

Mulheres formam 17,7% da força de trabalho no setor petroleiro em 2024, com queda em relação ao ano anterior.
Remuneração feminina no setor é 87,2% da dos homens, gerando desigualdade salarial e vulnerabilidade econômica.
Na Petrobras, mulheres são 17,6% dos trabalhadores e 25,6% nos cargos de chefia em 2025, com crescimento lento.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Apesar de avanços graduais, as desigualdades de gênero permanecem profundas na indústria de petróleo e gás no Brasil. É o que revela um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), realizado pela subseção da Federação Única dos Petroleiros (FUP) com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho.

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Segundo os dados mais recentes, de 2024, as mulheres correspondiam a apenas 17,7% da força de trabalho do setor petroleiro nacional, um total de 19.745 trabalhadoras contra 91.655 homens. O número representa uma queda em relação a 2023, quando havia 18.331 mulheres empregadas na área, o que indica que o crescimento da participação feminina segue lento e instável em um dos segmentos mais estratégicos da economia brasileira.

Além dos números

A disparidade não se limita à presença nos postos de trabalho. Em 2024, a remuneração média das mulheres no setor equivalia a 87,2% do salário dos homens, uma diferença que, para as lideranças sindicais, tem consequências diretas na vida das trabalhadoras.

“Quando uma mulher ganha menos que um homem fazendo parte do mesmo setor, isso não é só desigualdade salarial. É uma forma concreta de violência econômica, porque reduz a autonomia das trabalhadoras e amplia sua vulnerabilidade dentro e fora do ambiente de trabalho”, afirma Bárbara Bezerra, diretora da FUP e coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras.

Para Cibele Vieira, também diretora da FUP e alvo de ataques misóginos em dezembro do ano passado, a desigualdade se manifesta no cotidiano das plataformas, refinarias e escritórios. “O ambiente de trabalho reproduz violências que as mulheres enfrentam fora dele. A plataforma, a refinaria ou o escritório não são um mundo à parte da sociedade”, diz.

Presença

No Sistema Petrobras, os números seguem a mesma tendência. De acordo com o Relatório de Administração 2025 da estatal, divulgado nesta sexta-feira (6) e analisado pelo economista Cloviomar Cararine, do Dieese/FUP, as mulheres representavam 17,6% do total de trabalhadores em 2025, alta de apenas 0,2 ponto percentual em relação ao ano anterior. São atualmente 8.938 trabalhadoras na empresa, ante 8.570 em 2024.

Nos cargos de chefia, a participação feminina chegou a 25,6% em 2025, contra 24,7% em 2024. O número é o mais alto desde 2020, quando as mulheres ocupavam 20% das posições de comando na estatal, um crescimento de 5,6 pontos percentuais ao longo do governo Lula.

“O relatório mostra que a presença feminina na Petrobras voltou a crescer em 2025, mas de forma lenta. O mesmo ocorreu nos postos de comando, onde a participação das mulheres ainda é pequena, porém crescente”, avalia Cararine.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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