O primeiro ano da nova política de preços praticada pela Petrobras contribuiu para a redução da média cobrada pelos derivados na refinaria, reduziu a exposição a choques externos e garantiu bons resultados para a estatal.
A mudança foi oficializada pelo então presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, em 16 de maio de 2023, encerrando assim um período de subordinação ao preço de paridade de importação (PPI), mantendo o alinhamento aos preços competitivos por polo de venda, tendo em vista a melhor alternativa acessível aos clientes.
Segundo comunicado divulgado pela estatal na ocasião, a nova estratégia comercial usa referências de mercado como o custo alternativo do cliente, como valor a ser priorizado na precificação; e o valor marginal para a Petrobras.
“O custo alternativo do cliente contempla as principais alternativas de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou de produtos substitutos, já o valor marginal para a Petrobras é baseado no custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia dentre elas, produção, importação e exportação do referido produto e/ou dos petróleos utilizados no refino”, disse a empresa.
“Igualar ao preço do importador, é igualar ao preço do concorrente mais ineficiente. Quando importamos, temos prerrogativas internas para fazê-lo, temos organização e planejamento para pontos de entrega, enquanto outros compram ocasionalmente. Nossa política de preços passou no teste faremos esse movimento quantas vezes forem necessárias.”, declarou Prates em sessão no Senado Federal meses após a mudança.
Queda de preços em um ano
Um ano depois, cálculos do INEEP (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram que, entre maio de 2023 e maio de 2024, os preços praticados nas refinarias da estatal foram em média 11,6% menores no caso da gasolina e ficaram praticamente estáveis no caso do diesel, com variação positiva de 0,5%.
Na contramão, os preços de referência do PPI, calculados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e única referência da política de preços adotada entre 2016 e 2022, cresceram 9,3% e 13,1%, respectivamente, nos casos da gasolina e do diesel.
“A Petrobras contribuiu decisivamente para mitigar o repasse da volatilidade dos preços internacionais para o mercado interno ao flexibilizar os parâmetros de sua política comercial, mesmo com a reoneração dos combustíveis”, afirma o diretor técnico do Ineep, Mahatma Ramos dos Santos, em nota.
Nos últimos 12 meses, os preços médios da gasolina e diesel subiram cerca de 7,0% no país, variação explicada, principalmente, pela reoneração desses combustíveis e recomposição de margens de lucro dos segmentos de distribuição e revenda.
Os cálculos também destacam que, na comparação com as refinarias privatizadas – Mataripe (BA) e Ream (AM) -, os preços praticados pelas refinarias da Petrobras foram, em média, 7% menores no caso da gasolina e 6,8% menores no caso do diesel.
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