10 de junho de 2026

Raízen pede recuperação extrajudicial para sanar dívida de R$ 65 bilhões

Plano protocolado na Justiça de São Paulo prevê aporte de R$ 4 bilhões e não afeta pagamentos a fornecedores e parceiros
Foto: Raízen / Divulgação

▸ Raízen pediu recuperação extrajudicial para reorganizar R$ 65,1 bi em dívidas e conter prejuízo de R$ 15,6 bi em 2025.

▸ Plano conta com apoio de credores que detêm 47% das dívidas quirografárias e prevê capitalização de R$ 4 bi, liderada pela Shell.

▸ Juros altos, queimadas e retorno lento em transição energética pressionam finanças; ações caíram 3,85% após anúncio.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A Raízen, gigante do setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, protocolou nesta quarta-feira (11) um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. A medida visa reorganizar dívidas financeiras que somam R$ 65,1 bilhões e estancar uma crise de liquidez que levou a companhia a um prejuízo de R$ 15,6 bilhões no último trimestre de 2025.

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Diferente da recuperação judicial comum, a modalidade extrajudicial foca estritamente em dívidas financeiras com bancos e investidores, preservando o fluxo de pagamentos operacional. Em nota, a empresa reforçou que a medida “não abrangerá as dívidas e obrigações do Grupo Raízen com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios“.

Acordo com credores e injeção de capital

O plano já nasce com o respaldo de credores que detêm mais de 47% das dívidas quirografárias (sem garantias reais). A partir de agora, a Raízen tem um prazo de 90 dias para atingir a adesão mínima necessária para que o acordo seja homologado judicialmente e estendido aos demais credores da mesma classe.

Para viabilizar a reestruturação, está prevista uma capitalização de R$ 4 bilhões. A Shell, sócia da Cosan na joint venture, deve liderar o aporte com R$ 3,5 bilhões, enquanto outros R$ 500 milhões virão de um veículo de investimento da família de Rubens Ometto.

Fatores de pressão e queda no mercado

A deterioração financeira da Raízen é reflexo de uma combinação de juros elevados, que encareceram o serviço da dívida, e fatores climáticos. Em 2024, queimadas históricas no interior paulista destruíram cerca de 1,8 milhão de toneladas de cana-de-açúcar da companhia. Além disso, investimentos pesados em transição energética tiveram retorno mais lento que o projetado.

O mercado reagiu com pessimismo imediato. As ações preferenciais (RAIZ4) operavam em queda de 3,85% na manhã desta quarta, cotadas a R$ 0,50. No acumulado de 12 meses, os papéis da empresa já registram uma desvalorização de 70,11%.

Estratégia de saída

A reestruturação pode envolver a venda de ativos não estratégicos e a conversão de parte das dívidas em ações. Embora a holding Cosan tenha indicado que não participará diretamente da capitalização, a cúpula do grupo acompanha de perto as negociações para garantir a sobrevivência da operação, que é um dos pilares do setor energético brasileiro.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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