O Tesouro Nacional registrou em abril de 2026 o maior volume de emissões de títulos públicos da série histórica, em um cenário de melhora das condições financeiras internacionais e redução da percepção de risco sobre países emergentes.
Segundo o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, o governo emitiu R$ 229,96 bilhões em títulos no período, enquanto os resgates somaram R$ 146,01 bilhões. Com isso, a emissão líquida ficou positiva em R$ 83,95 bilhões.
O estoque total da dívida pública federal subiu para R$ 8,798 trilhões, alta de 1,91% em relação a março. A dívida interna respondeu por R$ 8,462 trilhões do total.
De acordo com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, o ambiente externo mais favorável ajudou a reduzir a volatilidade nos mercados e abriu espaço para emissões maiores. “A percepção de risco recuou e os juros caíram na parte intermediária e longa da curva”, afirmou.
A maior parte das emissões ocorreu em títulos de taxa flutuante, que representaram 56,14% do total. Os títulos prefixados responderam por 32,68%, enquanto os indexados à inflação ficaram em 11,16%.
Captação inédita no mercado europeu
Um dos destaques do mês foi a volta do Brasil ao mercado europeu de títulos públicos após mais de uma década. O Tesouro captou R$ 28,87 bilhões em emissões em euro com vencimentos de quatro, sete e dez anos. Segundo o órgão, a demanda dos investidores foi mais de três vezes superior ao volume ofertado.
O colchão de liquidez do Tesouro — reserva usada para garantir o pagamento da dívida mesmo em períodos de instabilidade — cresceu 23,28% em abril e alcançou R$ 1,091 trilhão. Com isso, a capacidade de cobertura das obrigações da dívida subiu de 5,69 para 8,91 meses.
Segundo o Tesouro, o aumento reforça a estratégia de manter margem de segurança elevada diante de cenários internacionais mais voláteis.
Tesouro Direto bate marca de investidores
O programa Tesouro Direto também apresentou crescimento expressivo em abril. As vendas de títulos para pessoas físicas somaram R$ 8,552 bilhões, enquanto os resgates ficaram em R$ 3,393 bilhões. O resultado líquido de R$ 5,159 bilhões foi o segundo maior da história do programa, criado em 2005.
O número de investidores ativos chegou a 3,47 milhões, alta de 16,36% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em maio, o Tesouro lançou o Tesouro Reserva, novo título público voltado para aplicações com liquidez permanente. O produto acompanha a taxa Selic, pode ser adquirido a partir de R$ 1 e funciona 24 horas por dia. Até 22 de maio, as vendas já haviam alcançado R$ 1,1 bilhão. O título está disponível inicialmente apenas no Banco do Brasil.
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