O teste de mercado dos treasuries norte-americanos

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Disparada da dívida pública e preferência por ativos físicos têm levado investidores para o ouro como investimento de segurança

Foto de Karolina Grabowska via pexels.com

Os títulos do Tesouro norte-americano foram vistos como investimento de segurança durante boa parte do último meio século, mas aos poucos o papel de refúgio dos investidores em momentos de crise vem sendo tomado pelo ouro.

Como explica a Bloomberg, os investidores tradicionalmente migraram para os treasuries norte-americanos por sua estabilidade e pelo apoio do governo norte-americano, sendo comprado tanto por poupadores individuais como por outros governos.

Entretanto, o índice de referência sobre o retorno dos treasuries está próximo de seu terceiro declínio em quatro anos, ampliando sua perda para 11% desde 2020 – enquanto o ouro registra um retorno de 15% apenas neste ano.

Essa diferença significa que o ouro superou a dívida dos Estados Unidos como investimento com foco no longo prazo: cálculos da Bloomberg mostram que um dólar investido em ouro há 51 anos vale atualmente US$ 2.314, valor US$ 172 maior do que o retorno atrelado ao índice de treasuries, que começou a ser calculado em 1973 (sem considerar os custos de armazenamento do ouro).

Receio puxa troca de investimento

A diferença de desempenho entre dois investimentos tidos como extremamente seguros pode ser explicada: o aumento do receio dos mercados com a disparada da dívida pública dos Estados Unidos tem estimulado essa troca, assim como a preferência por ativos físicos.

Boa parte dos problemas vistos pelos títulos de dívida dos EUA se devem à agressiva campanha de aperto monetário do Federal Reserve desde 2022, que derrubou as taxas em níveis recordes e afetou os preços dos títulos.

No caso do avanço do ouro, analistas dizem que as compras efetuadas por bancos centrais tem sido um vetor importante (e a China aumentou suas reservas em ouro durante 18 meses consecutivos, e reduziu suas reservas em treasuries ao mesmo tempo).

As preocupações em torno da dívida e do déficit norte-americano levaram os investidores a redobrarem sua cautela com o crédito: a dívida pública norte-americana quase duplicou na última década, com destaque para o período desde a pandemia. O montante atual é de aproximadamente US$ 35 trilhões.

Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

1 Comentário

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  1. Será que os especuladores brasileiros vão ligar o desconfiônmetro? Ou vão continuar ideologicamente acreditando no dólar furado?

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