21 de maio de 2026

Urgente: por conta própria, setor privado inicia a reconversão da indústria

Rapidamente foi montada uma grande corrente industrial para amenizar a situação no menor prazo possível

O grande desafio da economia brasileira é o esforço de guerra pela reconversão, isto é, pela capacidade da indústria brasileira se reciclar e somar esforços para a fabricação dos equipamentos necessários para a guerra do coronavirus.

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Esse movimento já começou, coordenado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos) e com a adesão de grandes associações industriais e empresas.

O trabalho de reconversão envolve produção, esforço logístico, de engenharia. Mas rapidamente foi montada uma grande corrente industrial para amenizar a situação no menor prazo possível.

A Abimaq (Associação brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos)  colocou seu parque à disposição. As grandes montadoras, Fiat e GM, Embraer e outros gigantes, colocaram todo seu corpo técnico, processos produtivos e capacidade logística à disposição das empresas de dispositivo médico. Com isso ampliou enormemente a capacidade das quatro ou cinco empresas atuais, de ganhar escalabilidade e cobertura nacional.

Segundo Franco Palamolla, presidente da ABIMO, há dezenas de grupos não apenas na indústria, mas envolvendo engenharia biomédica, núcleo de engenharia, centros de pesquisas (como o Coppe) buscando outras alternativas de desenvolvimento rápido, como modelagem através de impressoras 3D.

A prioridade são dois tipos de produto:

  1. DTIs, as mascaras descartáveis e os aventais, para proteger profissionais da saúde. Tem que aumentar brutalmente. O Brasil tem capacidade produtiva, mas ninguém segura a demanda que teve. No auge da crise, a China comprou produção nossa. Algumas empresas na área de malharia e confecções estão entrando e em breve a produção começará a disparar.
  2. Respiradores pulmonares. A coronavirus gera pneumonia severa. O paciente que tem que ir para o semi-intensivo precisa ser ventilado. A produção exige muita coisa mecânica e pneumática – que o Brasil possui – e eletrônica, que é mais raro. Somando esforços, no entanto, diz Franco, é possível que outros setores comecem a disponibilizar os circuitos necessários para a fabricação dos respiradores.

Esse esforço não tem coordenação central, diz Franco. Há o trabalho relevante do Ministério da Saúde, identificando as demandas e sinalizando direções. Em cima delas, o setor privado se vira. “Os grupos estão formado. Então colocamos a informação para rodar e vamos acertando com outros setores empresariais”.

“É um esforço de solidariedade que nunca vi no Brasil”, diz ele.

Não é desafio fácil. Nenhum país tem capacidade produtiva para suportar a demanda explosiva do setor, nem Estados Unidos, nem Europa somada. No epicentro da crise, a China teve que fechar exportações, a capacidade interna não deu conta e ela chegou a importar produtos até do Brasil.

Em seguida, empreendeu um esforço gigantesco de reconversão, assim com o Japão, enquanto Europa e EUA vacilavam – agora já entraram na guerra.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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5 Comentários
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  1. Romanelli

    23 de março de 2020 12:29 pm

    ATENÇÃO NASSIF – já existe no YOUTUBE vídeos com respiradores que, com SIMPLES ADAPTAÇÕES, estão aliviando o sofrimento de até quatro pessoas.
    A iniciativa pelo esforço coletivo é muito boa, mas todo cuidado nessa hora pra que o Estado e a sociedade não precisem comprar MUITO PÉ DE PATO que ninguém saberá se terá uso depois.
    OU SEJA, tb não se pode perder da mente que todos os recursos precisam ser, na medida do possível, bem empregados.
    https://www.youtube.com/watch?v=vlweSxaKfWo&pbjreload=10

  2. Anônimo

    23 de março de 2020 2:31 pm

    O que fica claro é que o Bolsonaro já é uma Rainha da Inglaterra, e por sinal tresloucada…
    As ações do BC poderão “amenizar” a dureza da crise jogando isso nas costas do trabalhador que vai pagar isso via PEC da morte.
    Essa ação coordenada da industria tem mais a ver com manter o que foi conquistado pelo golpe de 2016!
    Pois se vier o caos, quem volta é a esquerda e com tudo!
    E ai bye bye neoliberalismo!
    Isso explica os recuos de Bolsonaro contra o congresso, judiciário, a capa única da grande mídia!
    Ele só apita e olhe lá!
    Bolsonaro sairá em 2021, para que Mourão assuma!
    A bolsonaro restam os milicianos e bolsominions…

  3. URIEL DOS S SOUZA

    23 de março de 2020 4:02 pm

    A USP tem um projeto de respirador mais simples. Que já salva vidas e o pessoal esta fazendo um financiamento coletivo.
    Se este projeto chegar a alguma empresa, pode ser a diferença em vida pra milhares de pessoas.
    Deem uma olhada. O projeto é aberto e livre para qualquer um poder criar e modificar
    https://www.vakinha.com.br/vaquinha/projeto-resp_ar

  4. URIEL DOS S SOUZA

    23 de março de 2020 4:20 pm

    Temos o projeto aberto de respiradores da Italia, e lá já esta salvando vidas.
    Que estes projetos possam chegar a empresas nacionais para alta produção
    veja o link
    https://www.isinnova.it/easy-covid19

  5. Fabio

    23 de março de 2020 5:02 pm

    Setor privado com auxílio de instituições de pesquisa, privadas e PÚBLICAS!

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