25 de agosto de 2026

Indicador da USP usa mercado de trabalho para antecipar sinais de recessão

Ferramenta desenvolvida por pesquisadores da FEA-USP adapta a Regra de Sahm às características brasileiras e pode identificar desacelerações econômicas antes dos indicadores tradicionais
 MARCELLO CASAL JR / AGÊNCIA BRASIL

Pesquisadores da FEA-USP criaram o Indicador MADE para prever recessões no Brasil pelo mercado de trabalho.
O indicador adapta a Regra de Sahm dos EUA e alerta recessões ao analisar variações no emprego com dados recentes.
Aplicado desde 1980, o MADE identificou recessões, incluindo a de covid-19, e pode ajudar a antecipar crises econômicas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Pesquisadores ligados à Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP) desenvolveram uma ferramenta capaz de identificar sinais de possíveis recessões no Brasil a partir de dados do mercado de trabalho. Batizado de Indicador MADE, o instrumento adapta ao cenário brasileiro a chamada Regra de Sahm, criada nos Estados Unidos para acompanhar mudanças no emprego e no desemprego.

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A proposta é funcionar como um sistema de alerta antecipado. Como os dados sobre o mercado de trabalho são divulgados com maior frequência do que alguns indicadores econômicos tradicionais, a ferramenta pode apontar sinais de deterioração da atividade antes que uma recessão seja oficialmente identificada por outros parâmetros.

Um dos autores do estudo, Guilherme Klein, pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (MADE) da FEA-USP e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o indicador foi desenvolvido para ajudar autoridades a reconhecer mudanças na economia com maior rapidez e, eventualmente, adotar medidas antes que uma crise se aprofunde.

O cálculo compara a média da taxa de emprego dos três meses mais recentes com o pior resultado registrado nos 12 meses anteriores. Quando a diferença ultrapassa um determinado limite, o indicador emite um alerta de possível recessão.

Realidade brasileira

Para aplicar a metodologia ao Brasil, os pesquisadores precisaram fazer ajustes devido às características do mercado de trabalho nacional, especialmente à elevada informalidade. Mais de um terço da população ocupada trabalha informalmente, o que pode produzir oscilações diferentes das observadas em economias com maior nível de formalização.

Por isso, os pesquisadores reduziram para 0,3 ponto percentual o limite necessário para que o indicador sinalize uma possível recessão. A alteração permite que a ferramenta seja mais sensível às mudanças no mercado de trabalho brasileiro.

A equipe aplicou a metodologia a dados desde 1980. Ao longo do período analisado, o indicador identificou 14 recessões e também apontou dois momentos de possível inflexão econômica que não chegaram a se transformar em recessões: entre 2005 e 2006 e em 2013.

Segundo Klein, embora esses dois episódios não tenham evoluído para recessões, os dados indicavam mudanças relevantes no comportamento da economia, o que demonstra a capacidade do indicador de apontar períodos de atenção.

Sinal durante a pandemia

O Indicador MADE também identificou a forte deterioração do mercado de trabalho durante a pandemia de covid-19. De acordo com a análise dos pesquisadores, o período recessivo associado à crise sanitária começou em maio de 2020 e se estendeu até julho de 2021, com o encerramento da recessão registrado em agosto daquele ano.

Desde então, o indicador não voltou a emitir um novo sinal de recessão. O período sem uma nova indicação é, segundo os pesquisadores, o mais longo desde 1980.

Ferramenta complementa o PIB

O Indicador MADE não pretende substituir o Produto Interno Bruto (PIB) ou outras ferramentas utilizadas para avaliar o desempenho da economia. A proposta é oferecer um mecanismo complementar de acompanhamento.

Enquanto o PIB mede a atividade econômica a partir da produção de bens e serviços, o indicador desenvolvido pelos pesquisadores concentra-se no mercado de trabalho, observando mudanças no emprego e no desemprego.

Essa diferença permite que as duas ferramentas tenham funções distintas. O PIB ajuda a confirmar o desempenho geral da economia, enquanto o MADE pode funcionar como um sinal de alerta mais rápido diante de alterações no mercado de trabalho.

Para os pesquisadores, a utilidade da ferramenta está justamente na possibilidade de antecipar períodos de deterioração econômica e fornecer informações que possam auxiliar a formulação de políticas públicas. A identificação precoce de sinais de recessão pode permitir que governos adotem medidas antes que os efeitos da desaceleração se tornem mais amplos e afetem de maneira mais intensa a população.

*Com informações do Jornal da USP.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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