Fome aumentou na pandemia: presente em 9% das casas brasileiras

A fome atingiu 19 milhões de brasileiros e mais da metade dos lares, 55,2% de pessoas viveram algum tipo de insegurança alimentar no final do ano passado

Jornal GGN – Durante a pandemia, a fome atingiu 19 milhões de brasileiros e mais da metade dos lares (55,2%), ou seja, 116,8 milhões de pessoas viveram algum tipo de insegurança alimentar no final do ano passado. É o que mostra um estudo da Rede PENSSAN, com o Instituto Ibirapitanga, ActionAid Brasil, Fundação Friedrich Ebert Stiftung e Oxfam Brasil.

Os dados integram o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, coletados pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), e lançado nesta segunda (05).

São números que revelam as consequências da pandemia na economia e na sociedade brasileira. Que 19 milhões, ou 9%, dos brasileiros tenham passado fome e que 55,2% dos lares tinham insegurança alimentar são alguns destes resultados. Trata-se de uma aumento de 54% no números de casas com algum tipo de insegurança alimentar desde 2018 e o dobro da piora na situação de fome no Brasil.

O quadro é mais presente em casas com renda per capita inferior. Enquanto 76,6% das famílias recebendo acima de um salário mínimo detinham segurança alimentar, menos da metade (47,6%) daqueles com renda entre meio a um salário mínimo tinham estabilidade para se alimentar.

A fome também tem cor e está mais presente em 10,7% dos domicílios de pessoas pretas ou pardas: um diferença em comparação a 7,5% de pessoas brancas.

Não de forma coincidente, a pesquisa foi realizada quando o auxílio emergencial foi reduzido pela metade, de R$ 600 a R$ 300 mensais. De acordo com a médica epidemiologista e pesquisadora da Rede PENSSAN, Ana Maria Segall, a relação é inevitável. “Com a diminuição do Auxílio Emergencial e a falta de clareza sobre quem irá, de fato, recebê-lo, o país deve persistir num grave quadro de insegurança alimentar”, afirmou.

“A forma com que os governos vêm lidando com as crises econômica e política dos últimos anos, sobreposta à pandemia da Covid-19, geraram impactos negativos profundos no direito humano à alimentação adequada e saudável do povo brasileiro”, completou.

Mas não é somente em casas pobres que a fome impactou em 2020. Em comparação aos dados do IBGE de 2018, a insegurança alimentar leve quase dobrou, de 20,7% para 34,7%, atingindo também a classe média.

“Era previsível que a comida, tanto sua disponibilidade como o acesso a ela, viesse a ocupar o centro das preocupações e urgências no contexto de pandemia pela qual estamos passando, ao lado, e como complemento indispensável, dos cuidados com a saúde das pessoas infectadas, ou não, pelo vírus mais recente”, apontou o coordenador da PENSSAN, Renato Maluf.

Leia o relatório completo:

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