Alexandre Giordano, o futuro senador amigo dos Bolsonaro

Suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP) é acusado de atuar como lobista de empresa próxima da família presidencial e interessada em comprar energia de Itaipu

Jornal GGN – O falecimento do senador Major Olímpio (PSL-SP) por covid-19 nesta quinta-feira (18/03) colocou o primeiro suplente, o empresário Alexandre Luiz Giordano, nos holofotes políticos.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Giordano tem 48 anos e se elegeu filiado, assim como Olimpio, ao Partido Social Liberal (PSL), legenda a que pertencia o presidente Jair Bolsonaro. As eleições de 2018 foram as primeiras em que o empresário se candidatou.

Sua vida profissional teve início no centro de São Paulo, onde ajudava a mãe a vender cachorro-quente. Ao longo da vida, investiu em uma série de atividades – como instalações metálicas, compra e venda de imóveis e mineração de areia.

Giordano chegou a atuar como presidente da Abratres (Associação Brasileira de Transporte de Resíduos) e, por conta de seu cargo, foi interlocutor do então Secretário de Meio Ambiente de São Paulo, o atual ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (clique aqui), uma vez que os aterros sanitários são o principal mercado para essas empresas.

Vale lembrar que, nos últimos anos, o setor de reciclagem foi alvo de duas operações da Polícia Federal, que identificou esquemas de lavagem de dinheiro e suborno a políticos em empresas de coleta de resíduos: a Operação Descarte e a Operação Vento Levou.

Além disso, Salles assumiu o Ministério do Meio Ambiente com os direitos políticos cassados, por conta de uma condenação pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, por acusação e manipulação de uma planta, enquanto Secretário do Meio Ambiente de São Paulo, para favorecer empresas em áreas de preservação ambiental.

O caso Leros e a compra de energia de Itaipu

A atuação de Giordano na política também merece uma análise: segundo a revista Época, entrevistas de Olimpio deixaram claro que Giordano contribuiu para ajudar o policial a organizar o diretório paulista do PSL durante as eleições presidenciais de 2018 e, na visão do empresário, foi a sua participação que o fez garantir o posto de primeiro suplente do político – basicamente, Giordano emprestou uma sala vizinha ao escritório de sua empresa, localizado na zona norte da cidade de São Paulo, para colocar o partido para andar.

Em linhas gerais, quem teve contato com Giordano nos bastidores o aponta como alguém “sem boa oratória nem afinidade com falas públicas”, com negócios desconhecidos do grande público e trânsito em diretórios partidários e em gabinetes.

Reportagem da Agência Publica mostra o momento em que Giordano passou a ser mais exposto: foi revelado que o empresário viajou duas vezes ao Paraguai para fazer uma negociação de bastidor pela produção de energia excedente da usina hidrelétrica de Itaipu. Pessoas presentes no encontro disseram que ele usou o nome da família do presidente Jair Bolsonaro para favorecer a Léros, uma empresa de energia igualmente desconhecida até então, em operação que foi confirmada pelo jornal ABC Color.

O empresário também esteve em Brasília, onde se encontrou com Bolsonaro no dia 27 de fevereiro de 2019, um dia após a volta do presidente de uma agenda na cidade de Foz do Iguaçu, quando conheceu o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez.

Giordano e os sócios do Grupo Léros realizaram movimentações societárias em épocas próximas, e sempre perto do calendário das eleições de 2018.

No Paraguai, Giordano se encontrou com outro lobista, Joselo Rodriguez, que se apresentava como “assessor-jurídico” do vice-presidente do Paraguai, Hugo Velazquez – e que pressionou por mudanças no acordo de Itaipu que favoreceriam a Leros. O papel de Jair Bolsonaro seria autorizar a futura operação da Leros, mesmo que tivesse de atropelar a Eletrobras e outras empresas brasileiras mais habilitadas.

Essa movimentação começou a ser apurada pelo Congresso paraguaio, que descobriu que Giordano já se apresentava como senador (embora fosse suplente) e usava da proximidade com os Bolsonaro para garantir o acordo.

A imprensa paraguaia manteve a investigação, ao ponto de o jornal Ultima Hora divulgar mensagens de WhatsApp que mostram que a Ande, estatal paraguaia responsável por negociar energia de Itaipu, não foi levada em conta durante as conversas entre Brasil e Paraguai, contradizendo manifesto divulgado pelos Ministérios de Minas e Energia e Relações Exteriores brasileiros, além da Eletrobras.

O que se descobriu foi que o acordo fechado afetaria diretamente a Ande, e favoreceria justamente a Leros, a empresa em que Giordano atuava como lobista e supostamente ligada aos Bolsonaro, ao proibir a Ande de negociar diretamente a energia excedente de Itaipu no mercado brasileiro. A repercussão do caso no exterior levou à anulação do acordo e à abertura de uma CPI no Congresso paraguaio que quase levou ao impeachment de Mario Abdo Benitez.

O que esperar da atuação de Giordano como senador em Brasília? É uma incógnita.

https://epoca.globo.com/brasil/quem-o-empresario-suplente-de-major-olimpio-no-senado-24931132

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