8 de junho de 2026

PF investiga Virginia Fonseca por lavagem de dinheiro, apostas online e possível ligação com o PCC

Relatório do Coaf aponta R$ 22 milhões em movimentações suspeitas em empresa da influenciadora; caso envolve ainda ex-sócia apontada como viúva de líder da facção criminosa
Crédito: Instagram/reprodução

PF investiga Virginia Fonseca por suspeita de lavagem de dinheiro e ligação com crime organizado, após CPI das Bets.
Empresa ligada à influenciadora recebeu R$ 22,4 mi, sendo R$ 17,7 mi de empresa com faturamento limitado a R$ 4,8 mi.
Sócios de Virginia tiveram parceria com viúva de líder do PCC; empresas operam no mesmo endereço desde 2023.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar a influenciadora e empresária Virginia Fonseca, dona de mais de 111 milhões de seguidores no Instagram e de um grupo empresarial avaliado em cerca de R$ 50 milhões. As apurações envolvem movimentações financeiras consideradas suspeitas, indícios de lavagem de dinheiro e uma suposta conexão com o crime organizado. O ponto de partida foram relatórios de inteligência financeira produzidos a partir de dados levantados durante a CPI das Bets.

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Os R$ 22 milhões que acenderam o alerta
Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa Talismã Digital, ligada a Virginia, recebeu R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024. O dinheiro chegou em 44 operações via Pix, somando R$ 21,4 milhões, mais R$ 1 milhão transferido via TED.

O dado que mais chamou a atenção dos investigadores: a maior parte desse volume — R$ 17,7 milhões — partiu da empresa Amp Pay Marketing, cadastrada no Simples Nacional, regime tributário cujo teto de faturamento anual é de R$ 4,8 milhões. Ou seja, a quantia enviada à empresa de Virginia é quase quatro vezes superior ao limite legal da remetente. Para especialistas consultados pelas reportagens, a discrepância é um sinal de alerta, ainda que precise ser analisada em conjunto com outros elementos do caso.

“Cláusula da desgraça”

A investigação também examina a relação entre as empresas do grupo de Virginia, a processadora de pagamentos Amp Pay e plataformas de apostas esportivas online. A influenciadora já havia sido convocada pela CPI das Bets, em 2024, para explicar contratos publicitários com casas de apostas e a chamada “cláusula da desgraça” — mecanismo que concederia aos influenciadores uma participação nas perdas dos apostadores que acessassem os jogos por meio de seus links de divulgação.

O relatório final da CPI acabou rejeitado, mas os documentos acumulados ao longo dos trabalhos parlamentares serviram de base para que a PF abrisse o inquérito.

A viúva do PCC e o endereço em comum
O aspecto mais delicado da investigação envolve uma cadeia de ligações societárias que remonta ao crime organizado. Samara e Thiago Stabile, sócios de Virginia na WePink, foram anteriormente donos da Pink Lash em parceria com Karen Mori, conhecida como “Japa do PCC” — viúva de um dos líderes da facção, assassinado em 2018, e apontada como administradora do patrimônio criminoso deixado pelo marido.

Em nota à revista Piauí, a própria Mori admitiu que o capital inicial da Pink Lash veio de recursos de uma liderança do PCC. Após um desgaste na sociedade, o casal Stabile comprou a parte de Karen na empresa e, em seguida, firmou nova parceria com Virginia na WePink.

Mori foi presa pouco depois do encerramento dessa parceria e aguarda julgamento. O que o relatório da PF destaca, no entanto, é que uma das empresas registradas em nome dela — apontada como veículo para lavagem de dinheiro — opera desde 2023 no mesmo endereço que a holding de Virginia Fonseca, dona dos aviões da influenciadora.

Defesa

A equipe jurídica de Virginia rejeita todas as imputações. Sobre as movimentações financeiras, a defesa explica que a WePink mantém quiosques físicos em grandes shoppings e, por isso, lida com volume expressivo de pagamentos em dinheiro — “como é padrão no comércio varejista”. Segundo a nota, os depósitos são individualizados por ponto de venda e conciliados diariamente, com fechamento de caixa e emissão de cupons fiscais.

A defesa reforça ainda que “identificar movimentação atípica em um relatório financeiro não significa, por si só, a existência de irregularidades”.
Quanto à ligação com o PCC, os advogados são categóricos: Virginia e suas empresas não têm qualquer relação com Karen Mori ou com o crime organizado. A WePink, segundo a nota, foi fundada em 2021 de forma independente, sem nenhum vínculo com a Pink Lash, à exceção dos dois sócios em comum. A defesa afirma ainda que o relacionamento entre Mori e os sócios de Virginia “ocorreu exclusivamente no âmbito da Pink Lash” e que a companhia conta com governança própria, auditoria independente e atuação inteiramente regular.

*Com informações do r7 e da Veja.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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