Empresa Leros, associada à família Bolsonaro no Paraguai, será investigada em CPI

De acordo com informações levantadas pelos investigadores e parlamentares do Paraguai, apenas a Leros aparece como beneficiada no acordo de Itaipu que levou o governo Benítez à crise

Norberto DUARTE/AFP

Jornal GGN – A empresa brasileira Leros, que supostamente foi beneficiada no acordo de Itaipu entre Brasil e Paraguai, será investigada pela CPI criada pelo Congresso paraguaio para apurar irregularidades na negociação.

O acordo abriu uma crise que pode levar a cúpula do governo Benítez ao processo de impeachment, depois que um item que previa a possibilidade de venda, pelo Paraguai, de energia excedente ao mercado brasileiro, foi excluído em benefício da Leros.

A Leros, que contou com o lobby do empresário Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio, ganharia a exclusividade na compra de energia da Ande (a equivalente à Eletrobras no Paraguai) e depois distribuiria no Brasil.

Para garantir a exclusividade à Leros, a família Bolsonaro foi associada à empresa.

O senador Eusebio Ramón Ayala, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), afirmou ao Estadão deste sábado (10) que há indícios de que a Léros recebeu tratamento preferencial em relação às demais empresas que demonstraram interesse em intermediar a venda no mercado brasileiro.

“Vamos investigar a ata (que sacramentou o acordo), todo o trabalho prévio, consequências e conexões com a Léros”, disse Ayala.

A CPI é composta de 10 parlamentares e deve ser oficialmente instalada na próxima semana, depois que o Partido Colorado, governista, indicar seus nomes.

“De acordo com fontes próximas aos procuradores responsáveis pela investigação [no Paraguai], nenhuma outra empresa [além da Leros] foi citada nas conversas” entre lobistas e representantes do governo paraguaio.

“Além disso, o senador Ayala diz que a Léros foi favorecida em uma reunião em Ciudad del Este da qual participaram Joselo, Giordano, diretores da Ande e representantes da empresa brasileira”, anotou o Estadão.

O jornal afirmou que buscou contato com a Leros, mas os sócios não responderam.

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