5 de junho de 2026

Escolas cívico-militares de Goiás cobram contribuições voluntárias dos estudantes

Presidente da Anped comenta que modelo nega o acesso e a permanência de jovens, além de quebrar o princípio de gratuidade do modelo público
Crédito: Ascom/MEC

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A criação das escolas cívico-militares no estado foi aprovada pela Alesp há duas semanas e já foi sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para comentar as consequências do projeto, o programa TVGGN 20H desta segunda-feira (3) recebeu a  presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), Miriam Fábia Alves. 

A convidada defende que o projeto de militarização das escolas, na verdade, nega o direito à educação, tendo em vista que compromete o acesso dos estudantes e também a permanência deles no modelo. 

Em Goiás, os chamados Colégios da Polícia Militar cobram uma contribuição voluntária das famílias. “O que a gente tem é um valor que eles dizem ser pouco, ‘a gente paga e tem uma escola de qualidade’. Então, tem também uma quebra da gratuidade.”

Miriam lembra que Goiás tem uma longa trajetória em criar escolas cívico-militares desde 2013. Mas o projeto ganhou ainda mais força a partir do lançamento do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

“A militarização é, na verdade, um convênio público-público em princípio, porque é secretária de educação com a secretaria de segurança pública. Mas nos últimos anos, percebe-se uma mistura, em que empresas vendendo pacotes de militarização, em que diferentes empresas fazem assessoria para a escola para fazer o projeto político pedagógico, regimento interno e ordem unida, que é ensinar as regras e normas militares”, continua a presidente da Anped.

Além do PL

Nos últimos anos, o projeto de militarização das escolas caiu nas graças também dos municípios, que estão ampliando a adesão ao modelo a partir de parcerias público-público até mesmo em gestões progressistas. 

“Até prefeitos do PT aderiram ao modelo. Uma coisa que nós estamos aprendendo no debate de militarização é que a questão partidária não é determinante para a militarização”, constata Miriam. 

Como forma de tentar frear o processo, a presidente da Anped defende uma ampla discussão pública sobre o projeto de educação que a sociedade almeja.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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4 Comentários
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  1. Cafu

    4 de junho de 2024 7:47 am

    Kkkkkkk começou !
    Kavagem cerebral exploração e doutrinação partidaria

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    4 de junho de 2024 8:00 am

    Reproduzo abaixo os argumentos que levei ao conhecimento do STF na ADI 7662 ajuizada pelo PSOL contra a militarização das escolas paulistas orquestrada pelo tirano sorridente que a Folha e o Estadão querem levar à presidência da república.

    “I- A militarização da educação escolar de primeiro e segundo grau descumpre acintosamente o disposto no art. 206, II, da CF/88. Numa escola militarizada, em que predomina a mentalidade da caserna, não há e não pode haver “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber.” O militarismo é baseado na hierarquia, não na liberdade de aprender e ensinar. Ele exige conformidade e obediência com supressão de qualquer tipo de divulgação do pensamento, da arte e do saber.

    Militares pesquisam maneiras otimizar sua capacidade de matar, destruir e desumanizar (segregar) o inimigo. Essas três coisas são inúteis e até mesmo prejudiciais ao desenvolvimento psicológico e pedagógico de crianças. Na Escola, os alunos devem desenvolver a capacidade de conviver com as outras crianças. Educar e disciplinar as crianças é uma tarefa dos pais delas, não dos professores (sejam eles civis ou militares). O ensino público existe e deve ser estruturado não para criar “soldadinhos” ou eleitores de extrema direita, mas para ajudar as crianças a adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades sociais que serão indispensáveis para elas construir suas vidas respeitando as diferenças sociais, econômicas, raciais, sexuais, políticas, etc… preservando a vida, a dignidade e a propriedade das outras pessoas.

    II- A captura de dinheiro destinado à educação básica por militares é algo vergonhoso e deveria ser objeto de objeto de Inquérito Policial e não de Política Pública. Isso para não mencionar o abismo que existe entre a suposta missão da escola militarizada (o ensino da disciplina) e a bestialidade dos militares bolsonaristas que invadiram Brasília para destruir as sedes do poder executivo, legislativo e judiciário.

    Os jovens adultos que quiserem aderir à carreira militar (ou apoiar a bestialidade da extrema direita) são livres para fazer isso. Mas as crianças brasileiras não devem ser doutrinadas por militares ambiciosos cujos objetivos políticos ficaram absolutamente claros quando o capitão Jair Bolsonaro disse “Eu sou a constituição”. A pedagogia militar não é compatível com a preservação do Estado de Direito e com a perpetuação da democracia. Portanto, ao invés de infectar o ensino básico ela deve ser confinada nas academias de formação de cadetes e oficiais.

    III- Existem dois outros problemas que o STF não pode deixar de considerar neste caso.

    O primeiro diz respeito ao direito de acesso á educação. Os pais das crianças brasileiras não podem ser obrigados a matricular seus filhos em escolas militarizadas. Entretanto, nos municípios pequenos e áreas rurais em que existe uma só escola pública, a militarização dela significará a supressão do direito dos pais de escolher matricularem seus filhos numa escola que não adote a pedagogia do Pinochet. Isso obviamente fere o disposto no art. 206, I, da CF/88.

    O segundo problema que não pode deixar de ser enfrentado diz respeito à possibilidade de dezenas ou centenas de milhares de vítimas infantis da educação militarizada perceberem, no futuro, que foram tratadas como cobaias num imenso experimento político-militar que visava transforma-las em massa de manobra da extrema direita. O Estado brasileiro certamente será obrigado a responder pelos danos que forem causados à essas crianças (art. 37, §6°, da CF/88). Mas os políticos de extrema-direita e os militares que obtiveram lucro conduzindo o experimento de militarização escolar dificilmente poderão ser responsabilizados regressivamente pelos danos morais, pedagógicos e psicológicos que causaram às crianças submetidas ao militarismo em tenra idade.

    IV- Se não interromper a experiência colocada em prática pelo governador de São Paulo o STF facilitará a formação de futuros terroristas de extrema direita? Não necessariamente. Todavia, as escolas militarizadas serão ninhos de intolerância política e ideológica que poderão dar origem à toda uma geração de eleitores, militantes e milicianos iguais ou piores do que aquelas bestas feras do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que invadiram os prédios públicos em Brasília ou que se recusaram a fazer algo para impedir o que estava ocorrendo.

    A democracia é um regime frágil que não subsiste se for sistematicamente atacada por dentro. A militarização da educação é um meio para um fim e o objetivo principal dela é sem dúvida a destruição da experiência democrática brasileira.”

  3. AMBAR

    4 de junho de 2024 12:52 pm

    Acho bonita a “contribuição voluntária” para estabelecimentos militares, paramilitares, milicianos e de proteção mafiosa. O contribuinte age espontaneamente mesmo, sem nenhum tipo de constrangimento ou ameaça. É mais ou menos como o voluntariado no exército: o sargento escolhe e o “voluntário” vai ou vai.

  4. ELISEU RISCAROLI

    4 de junho de 2024 1:13 pm

    Oi…. Goiás cobra….a lei sancionada por Tarcísio?????
    Putz, tá faltando redator aí né 🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣

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