A dificuldade do jornalismo nas guerras midiáticas

A intensa partidarização no velho jornalismo e os anticorpos que gerou na blogosfera e nas redes sociais criaram um nó na cobertura jornalística.

Construiu-se um mundo de guerras virtuais que passa ao longe dos fatos reais, das estratégias políticas e das próprias expectativas dos agentes políticos – candidatos e partidos.

Jornalistas políticos, especialmente colunistas políticos da velha mídia deixaram de reportar: tornaram-se gurus que dizem o que os candidatos precisam fazer, o que dizer, como agir. Sem nunca ter participado de uma eleição, tornaram-se oráculos de seus próprios desejos.

Comportando-se como blogueiros partidarizados, viraram personagens de guerras virtuais, com seus artigos partidários sendo tratados, criticados e desconstruídos como se tivessem alguma relevância no tempo político atual. De repente, a colunista A, cujas opiniões servem apenas para provocar catarse em leitor médio, é questionada como se fosse uma grande ideóloga da oposição.

A guerra entre personagens virtuais é atraente como catarse, até dado o desnível de qualidade entre alguns campeões da blogosfera e esses colunistas. Mas não informa.

Ora, no jornalismo há o tempo para a informação e o tempo para a opinião. Essa divisão era de conhecimento do leitor tradicional de jornal, nos tempos em que havia alguma preocupação com informações.

Agora, não. A banalização da discussão política transformou tudo em uma enorme sopa, na qual qualquer informação precisa vir acompanhada de opinião rápida e dentada na jugular do “inimigo”.

Quando trago aqui o panorama político visto do Planalto, ou visto de Minas Gerais, passo a palavra aos personagens principais dos respectivos campos. Saber o que pensam, como avaliam sua estratégia, sem o filtro ideológico da cobertura midiática e da blogosfera, é informação relevante. E reproduzir com fidedignidade o que me contam é trabalho jornalístico.

A coluna “O panorama político visto de Minas” mostra o que pensa o estado-maior aecista. O que penso sobre Aécio, cansei de externar em outros artigos, de cunho opinativo.

Até agora não mostrou consistência, não se despregou de um financismo esgotado do PSDB, não logrou desenvolver conceitos mínimos que o habilitem como alternativa de governo e não sentou de fato na cadeira de presidente do partido.

Conformou-se que um órgão estratégico – o Instituto Teotônio Vilela – servisse para acomodar caciques partidários sem conteúdo, continua um intelecto-dependente de FHC, que, por sua vez, é incapaz de produzir algo que se assemelhe nem de longe a uma plataforma política.

Suas críticas ao governo são do nível de um Carlos Sampaio, apegando-se em fatos pequenos ou visões equivocadas de políticas sociais e econômicas.

É esse o nível das críticas que se fará por aqui.

O Blog foi o veículo no qual Dilma Rousseff confiou, em 2009 e 2010, para desmentir factoides, como a ficha falsa no DOPS. E confiou por saber que, aqui, não abrimos espaço para nenhuma espécie de baixaria. O que vale é a crítica de conteúdo.

Creio ser essa a opinião, também, da maioria dos comentaristas do blog.

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