Alckmin defende universidade paga visando eleitores de Bolsonaro, avalia Singer

Cientista Político identifica estratégia em entrevista do candidato do PSDB  para a Globonews. “Ao defender a pós-graduação paga, Alckmin está dialogando e tentando atrair votos de setores que foram bem longe no caminho do privatismo”
 
Foto: José Cruz / ABr
 
Jornal GGN – Durante sua entrevista para a Globonews (02), o candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, declarou que é favorável ao ensino superior pago, respondendo que “o primeiro passo seria cobrar toda a pós graduação”. O assunto, pouco comentado da entrevista do ex-governador foi tema do artigo do professor de ciência política na USP, André Singer, na Folha de São Paulo deste domingo (12).
 
“Ao defender a pós-graduação paga [que teria pouco impacto para resolver a crise de financiamento da educação], Alckmin está dialogando e tentando atrair votos de setores que foram bem longe no caminho do privatismo”, pondera lembrando que em uma recente visita à Bauru, interior de São Paulo, o filho do candidato pelo PSL, o deputado Eduardo Bolsonaro, afirmou que é favorável a privatização de toda a educação.
 
“Quem não reunir condições financeiras para pagar, receberia uma bolsa do governo, para escolher a escola ou a universidade privada que entender ser melhor”, disse na ocasião.
 
Segundo cientista político, o discurso da família Bolsonaro, defendida claramente por Alckmin, no que tange a educação, “está em linha com a visão privatista radical, anunciada pelo guru econômico do pai, Paulo Guedes. Pergunto-me, se a Petrobras pode ser vendida, por que não o sistema público de ensino superior?”
 
Singer alerta que as universidades públicas têm sido o principal ponto de resistência ao golpe parlamentar que destituiu a ex-presidente Dilma da presidência e segue com o desmonte de políticas públicas do Estado de bem-estar social no Brasil.
 
“Destruir o seu etos —e é isso que a cobrança de mensalidade faz ao mercantilizar o conhecimento— constitui objetivo programático do conservadorismo”, destaca lembrando que a eliminação da gratuidade universitária foi uma das medidas tomadas pelo governo do general Augusto Pinochet no Chile (1973-1990) que só conseguiu retomar o direito em janeiro deste ano.
 
 

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