5 de junho de 2026

Centrão é a manifestação organizada da geleia geral da política partidária, por Luis Felipe Miguel

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Centrão é a manifestação organizada da geleia geral da política partidária

por Luis Felipe Miguel

Acho engraçado esse negócio de “Centrão”. Em que mundo aqueles partidos são de centro? Só na novilíngua do noticiário político brasileiro, em que Ciro Gomes é “radical”, Lula é “extremista” e Boulos, “terrorista”.

São partidos de direita com comportamento acentuadamente fisiológico – outra expressão curiosa, um eufemismo brasileiro que indica aquela zona cinzenta entre o oportunista e o corrupto.

É mais um “Gelatinão” do que qualquer outra coisa. Um paradoxo, na verdade: o “Centrão” é a manifestação organizada da geleia geral da política partidária brasileira.

Agora, rifam Ciro e decidem apoiar Alckmin. O candidato do PSDB ganha algum gás e encerra, ao menos por enquanto, a ofensiva para substituí-lo por Dória. O preço que paga é ter seu eventual (ainda improvável) governo tutelado por seus novos parceiros; seu programa, que a imprensa vai chamar de “liberal”, só poderá ser a manutenção, ampliação e blindagem da rapinagem da elite política sobre o Estado brasileiro.

Mas não se sabe se o apoio será o suficiente para erguer sua campanha – os tucanos andam chamuscados demais para conseguir alçar voo.

Ciro sai mal da história, sem os apoios ambicionados e com dificuldade para recuperar seu discurso à esquerda.

Mas a lição principal é que os partidos da direita fisiológica também fecham as portas para uma saída negociada da situação aberta com o golpe. Ciro tentava se posicionar como o arauto de um novo lulismo, capaz de conciliar os contrários e pacificar o país. Um lulismo diferente, é claro, adaptado à sua persona, sem a barreira que o preconceito de classe gerava, com um toque mais tecnocrático e menos popular. Mas com o mesmo espírito, de uma pactuação que incorporasse todos sem ameaçar ninguém.

A manutenção de Lula como preso político, nas circunstâncias que todos conhecemos, mostra que a classe dominante brasileira fecha as portas para esta repactuação, tal como proposta por Lula. Ciro já enfrentava o desagrado de muito do empresariado e, agora, ganha a rejeição formal da elite política: seu próprio projeto de repactuação não encontra eco.

O caminho deles, está dito e redito, é aprofundar os retrocessos, sem ceder nada, sem conceder nada.

 

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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6 Comentários
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  1. Somebody

    20 de julho de 2018 6:32 pm

    E é por causa da patética

    E é por causa da patética “elite” brasileira querer agir como se estivesse em uma ditadura que vocês precisam eliminá-la. Se depender do esgoto que vocês conhecem como “empresário brasileiro” o Brasil voltará a aceitar escravidão humana e se tornará uma monarquia para satisfazer os egos dos que querem ser “nobreza”, esperam mesmo conseguir negociar com gente de um nível tão baixo como este?

    Vocês precisam retomar o poder na força.

  2. Wilton Santos

    20 de julho de 2018 6:50 pm

    É ótimo que o lixão, digo,

    É ótimo que o lixão, digo, centrão adere a candidatura do Alckmin e do PSDB. Agora fica claro para a população quem são os golpistas que destruíram os seus empregos e a economia do país. A classe média está profundamente revoltada com o PSDB, pois se sentiu usada pelos tucanos no golpe do impeachment.

    Quem vai para o 2º turno será o Bolsonaro e o candidato indicado pelo Lula. Esse blocão da direita vai ter muita coisa que explicar para a população brasileira, principalmente o por quê de terem apoiado o Michel Temer. 

  3. Lauri Guerra

    20 de julho de 2018 8:05 pm

    O centrão é a manifestação

    O centrão é a manifestação organizada da currupção, isso sim.

  4. Lucinei

    20 de julho de 2018 9:24 pm

    Bom dia, doutor.
    Bom dia, doutor.

  5. Lucinei

    20 de julho de 2018 9:24 pm

    Bom dia, doutor.
    Bom dia, doutor.

  6. bobo

    20 de julho de 2018 9:36 pm

    No Brasil “liberal”

    Centro mesmo estaria a direita liberal que rejeitasse e não se aliasse ao conservadorismo. Mas Lula ocupou tanto a centro-esquerda que sumiram mas não querem largar o osso da finada presidência.

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