23 de outubro de 2026

FESPSP: Ansiedade e indecisão devem tornar o debate da Globo um fator decisivo para os indecisos

Cenário atual não é marcado apenas pela transferência direta de votos entre os candidatos, mas também pela insegurança dos eleitores em relação às próprias escolhas
Debate Band - Foto de Renato Pizzutto/Band - Reprodução

Campanha negativa no segundo turno aumentou indecisos para 14% e reduziu vantagem de Flávio Bolsonaro, que está empatado com Lula.
Debate desta sexta e mobilização para reduzir abstenção podem definir eleição, apontam cientistas políticos do Labop FESPSP.
Pesquisa Datafolha mostra empate técnico entre Lula e Flávio; transporte e mobilização podem influenciar resultado final.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A intensificação das campanhas negativas no segundo turno da eleição presidencial ampliou a insegurança de parte do eleitorado e dobrou o número de indecisos na pesquisa espontânea da Quaest. O movimento coincide com a redução da vantagem que Flávio Bolsonaro mantinha no início da disputa e com o empate de 50% a 50% nos votos válidos registrado pelo Datafolha.

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Uma análise de cientistas políticos do Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) aponta que o debate televisivo desta sexta-feira (23) e a mobilização dos eleitores para reduzir a abstenção no domingo podem ser determinantes para o resultado da eleição.

Segundo os pesquisadores, o cenário atual não é marcado apenas pela transferência direta de votos entre os candidatos, mas também pela insegurança dos eleitores em relação às próprias escolhas. O cientista político e pesquisador Jairo Pimentel avalia que a agressividade da campanha pode estar provocando mudanças no comportamento do eleitorado.

“As últimas pesquisas Quaest e Datafolha revelam uma disputa presidencial cada vez mais equilibrada, mas também um fenômeno importante: o crescimento da ambivalência emocional do eleitorado. Minha hipótese é que a intensificação da campanha negativa pode estar produzindo ansiedade e levando parte do eleitorado a reavaliar suas escolhas.”

Na pesquisa espontânea da Quaest, o percentual de indecisos passou de 7% para 14%. Ao mesmo tempo, o medo da volta da família Bolsonaro chegou a 44%. Para Pimentel, a definição de uma preferência eleitoral não significa necessariamente segurança em relação à escolha.

A combinação entre dúvidas e desgaste emocional pode abrir espaço para mudanças de posicionamento a poucos dias da votação.

Disputa se aproxima do empate

O aumento da incerteza ocorre em meio à redução da vantagem de Flávio Bolsonaro, que no início do segundo turno aparecia à frente de Lula por 52% a 48%. O Datafolha mais recente apontou empate entre os dois candidatos nos votos válidos.

O analista político e coordenador do Labop FESPSP, Beto Vasques, considera que os números confirmam o acirramento da disputa e indicam uma diferença muito pequena entre os candidatos.

“Nessa terceira rodada do Datafolha neste segundo turno, o que vemos é a confirmação da tendência de acirramento na disputa. Nos votos totais, a diferença é de 1% para o senador (47% a 46%); porém, como nos votos válidos os candidatos aparecem empatados em 50%, a diferença real entre eles tende a ser menor que 0,5%.“

Na avaliação de Vasques, a evolução das pesquisas favorece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vem diminuindo a distância em relação ao adversário.

“A tendência é favorável a Lula, que vem reduzindo a distância e, se a onda que o tem favorecido nesse segundo turno continuar até domingo, isso pode levá-lo à vitória.”

Mobilização nas ruas

Além do equilíbrio nas intenções de voto, o Datafolha identificou uma melhora na avaliação do governo federal. A aprovação da gestão Lula oscilou positivamente para 49%, enquanto a desaprovação ficou em 48%. O resultado pode refletir a percepção dos eleitores sobre medidas econômicas e sociais anunciadas recentemente.

Para o cientista político Hilton Fernandes, a mobilização dos apoiadores de Lula nas ruas e nas redes sociais também pode influenciar o comportamento de eleitores que ainda não estão plenamente convencidos de sua escolha.

“Isso pode criar a chamada ‘onda favorável’, na qual eleitores não muito firmes em relação a um candidato podem ser contaminados pela energia dos militantes do adversário.”

Nesse contexto, o último debate entre os presidenciáveis ganha importância por ocorrer em um momento de forte equilíbrio e de incerteza entre os eleitores. O confronto pode consolidar preferências ou contribuir para mudanças de voto.

“O debate desta sexta-feira pode representar um momento importante para os eleitores emocionalmente ambivalentes. Poderá reduzir incertezas, reafirmar preferências ou contribuir para mudanças de voto. Não sabemos ainda em qual direção”, afirma Pimentel.

Transporte

Após o debate, outro fator poderá influenciar o resultado: a capacidade de mobilizar os eleitores para comparecer às urnas. Segundo o Datafolha, Lula tem vantagem entre pessoas que moram longe de suas seções eleitorais, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta melhor desempenho entre os eleitores que vivem perto dos locais de votação.

Nesse cenário, as condições de deslocamento podem ter peso relevante, especialmente para eleitores de baixa renda que enfrentam dificuldades para chegar às urnas. A capacidade de superar essas barreiras e reduzir a abstenção poderá ser decisiva em uma disputa tão equilibrada.

Pesquisas

A pesquisa Datafolha, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09709/2026, foi divulgada na quinta-feira (22), por meio de parceria entre a TV Globo e o jornal Folha de S.Paulo. O levantamento ouviu presencialmente 2.520 eleitores entre os dias 20 e 22 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Já a pesquisa Quaest, registrada no TSE sob o protocolo BR-08535/2026, foi divulgada na quarta-feira (21). O levantamento realizou entrevistas domiciliares com 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro, por encomenda da Rede Globo e do jornal O Globo. A margem de erro também é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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