4 de junho de 2026

O brilho intenso de Campos, por Alon Feuerwerker

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Jornal GGN – Em coluna publicada no jornal Folha de São Paulo, o jornalista e assessor de Eduardo Campos, Alon Feuerwerker, faz um relato do seu relacionamento com o candidato presidencial.

Alon conta que conheceu Campos em 2003, após ser convidado por Aldo Rebelo para assumir o cargo de chefe de Comunicação na liderança na Câmara no primeiro mandato de Lula, quando Aldo pediu para que Campos o hospedasse em sua casa em Brasília. Fala sobre a decisão do neto de Miguel Arraes de concorrer ao governo de Pernambuco, em 2006, e do crescimento do PSB em 2012, e, por último, relata o jantar da terça-feira (12), após as entrevistas na Rede Globo, e a conversa antes do avião de Campos decolar do aeroporto Santos Dumont.

Da Folha

 
Na última terça, Eduardo Campos estava feliz, passou o jantar de mãos dadas com a mulher e sorrindo para o caçula, Miguel
 
Eduardo Campos cercava-se politicamente de pessoas bem conhecidas dele. Tinha resistência à aproximação excessiva dos não tão habituais. Ao começar esta caminhada presidencial, fez questão de repetir nos detalhes a sua experiência de 2006, quando era zebra e acabou governador de Pernambuco.
 
Alguma superstição, diziam os mais antigos e íntimos.
 
Eu era certa novidade na trupe. Conheci Eduardo em 2003. Eu tinha acabado de fazer a campanha de José Serra à Presidência e fui convidado pelo futuro líder de Lula na Câmara, Aldo Rebelo, para assumir a assessoria de imprensa da liderança do novo governo.

Enquanto eu procurava um lugar para morar em Brasília, Aldo pediu a certo amigo que me hospedasse. O amigo era o líder do PSB, deputado federal Eduardo Campos. Fiquei ali uns 15 dias, num canto, convivendo com a família. Por alguma razão, ele deixou que aquele estranho, desconhecido, chegasse perto.

Eu tinha grande curiosidade a respeito do neto de Miguel Arraes –um dos personagens que povoaram nosso imaginário de jovens estudantes, digamos assim, revolucionários dos anos 70.
 
Aquele 2003 seria emocionante, convivendo com Eduardo, Aldo, Renildo Calheiros, Sigmaringa Seixas, Beto Albuquerque, na lida para colocar e manter de pé a base congressual do novo governo, em meio ao furacão das reformas da Previdência e tributária.
 
Depois, a vida seguiu, vieram as crises e as dificuldades, a convivência prosperou, ele virou ministro, até me dizer, um dia, sobre a candidatura ao governo de Pernambuco. Eu achei ótimo, ele me perguntou o motivo. Porque –comentei– seria a oportunidade de religar um elo histórico que ficara perdido em 1964.
 
Na eleição de 2006, convidou-me para passar o último dia do primeiro turno com ele. Na base do sacolejo, meio desajeitado, percorri Recife e Olinda na boleia de uma picape com o candidato, que acenava freneticamente para os passantes, até o momento exato em que as urnas fecharam. A fascinação dele eram a rua e o voto.
 
Os governos de Eduardo foram um sucesso. Em meados de 2012, no hotel em que costumava ficar em Brasília, perguntou o que eu achava do futuro. Já sentíamos no ar um cheiro de mudança, coisa que, na época, aparentava ser uma completa maluquice.
 
Depois, vieram as vitórias municipais, o impulso para o Planalto, as dificuldades, a estimulante aliança com Marina Silva, novas dificuldades, o estresse, os jornalistas perguntando quase todo dia sobre pesquisas e palanques regionais, o nascimento de uma campanha muito dura.
 
Na última terça (12), jantamos todos depois das entrevistas na TV Globo. Eduardo estava feliz, passou o jantar de mãos dadas com a mulher e sorrindo para o caçula, Miguel.
 
Tinha atravessado um rubicão. A maioria dos retornos e as medições científicas mostravam que tinha marcado pontos importantes. Discutimos algo sobre os debates –que começariam na TV Bandeirantes.
 
Eduardo me ligou na manhã de quarta (13), às 9h17. Aguardava para decolar rumo a Santos, e eu, também no aeroporto Santos Dumont, no Rio, ia pegar um voo de carreira para Brasília. Ele queria conversar sobre as entrevistas do dia.
 
Dizem que o avião decolou lá pelas 9h20. No registro do meu telefone celular, a conversa durou 5 minutos e 20 segundos. Foi minha última conversa com um cara legal, um sujeito que se despediu da política e da vida como viveu, brilhando intensamente.
 
ALON FEUERWERKER, 58, é jornalista e foi assessor de Eduardo Campos (PSB) na campanha presidencial

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. implacavel

    15 de agosto de 2014 6:23 pm

    Dormindo com o inimigo

    “Eu tinha acabado de fazer a campanha de José Serra à Presidência e fui convidado pelo futuro líder de Lula na Câmara, Aldo Rebelo, para assumir a assessoria de imprensa da liderança do novo governo.”

    Incrivel a capacidade dos governos petistas de convidar os inimigos para participarem da administração pública!

    Vejo o mesmo problema na Petrobras!

    Será que não existe profissionais sem vínculos partidários que possam trabalhar na Administração Federal?

    Começo a acreditar naquela teoria de 2001 que dizia: O Governo Petista de Lula não terá quadros suficiente para tocar a máquina pública!!!

    1. Nilva de Souza

      15 de agosto de 2014 6:52 pm

      Implacável!
      Foi a primeira

      Implacável!

      Foi a primeira coisa que pensei. Chega a ser patético.

      O novo porta-voz da Dilma é egresso da Veja, Globo e afins.

      A gente se matando aqui e eles bem acompanhados dos inimigos.

      1. Franbeze

        15 de agosto de 2014 7:21 pm

        Você está falando sério?

        A Dilma, o PT e o Lula estão nos fazendo de otários?

      2. Narciso

        15 de agosto de 2014 8:29 pm

        Depois se queixam da sorte!
         

        Depois se queixam da sorte!

         

    2. edna baker

      15 de agosto de 2014 10:41 pm

      Se vocês chegarem lá em cima

      Se vocês chegarem lá em cima verão qua a coisa não é tão fácil assim.

    3. jura

      16 de agosto de 2014 2:49 am

      Pecunia

      E nem uma vírgula sobre as razões que o fizeram optar ou mudar por uns e outros.

      Segundo Ben Jonson e Jorge Furtado a razão mais provável é o amor de Pecunia.

  2. Maria Luisa

    15 de agosto de 2014 7:23 pm

    Sinal dos tempos

    Acho bacana o depoimento, mas parte da imprensa esta se aproveitando desse momento para alavancar a candidatura da Marina. A Cantanhêde subiu em cima do telhado, pegou um megafone e esta gritando que a Dilma ja perdeu.  Marina, segundo ela, vai massacrar o PT. Francamente, é muito desejo embutido e, mais uma vez, a manipulação em cima da emoção. 

  3. junior50

    15 de agosto de 2014 7:49 pm

    35 anos depois

       Alon, Candido, Aldo, Manuela,Fred, Ruy Cezar

      Uma foto da época que os conheci, : //reconstrucaodaune.blogspot.com.br/2009/03/chapa-mutirao-vencedora-da-eleicao-para.html

    1. Toni

      15 de agosto de 2014 11:16 pm

      Junior50

      Eu também. Lula Falcão era e é meu amigo e companheiro.

      1. junior50

        15 de agosto de 2014 11:36 pm

        Vida loca, ou sei lá

         Como somos idosos, acima dos 50 anos, um que poderia estar na foto, se ela fosse sido feita 1 (UM) ano antes, poderia estra nesta mesma foto, um dos “queridos jovens ideólogos”, da “Caminhando” ( PCdoB nas universidades, em São Paulo), o marido da Olguinha, o Sr. Prof.Dr Marco Antonio Villa (ENE77/78 – PUCSP).

          Alon, na época era da Medicina/USP/Dr.Arnaldo – CAOC, tanto que em 2005, quando eu o encontrei, tipo 25 anos, ele estava com a ex-mulher, a Laurinha ( CAOC/Medicina/atualmente da USP Saude Publica, anteriormente UERJ), a qual encontrei este ano, e ela falou, o Alon estava de cabeça no Edu. Por isto o discurso dele, é bem real, Alon tem carater.

  4. Galvão

    15 de agosto de 2014 8:50 pm

    Logo, logo…

    o Eduardo vai ser beatificado pelo Papa Francisco.

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