
Os Fiéis da balança, por Victor Saavedra
Guinada da campanha mirando o voto evangélico deve enfrentar resistências da rede base consolidada de apoio ao militar
O discurso de Fernando Haddad ao atribuir seu crescimento nas pesquisas às mudanças da opinião dos eleitores evangélicos pode ser amais nova estratégia de uma campanha que, pela mobilização social e penetração nos distintos segmentos até o momento, já deveria ser considerada vitoriosa. O discurso do rapper e compositor Mano Brow, no Rio de Janeiro, no último dia 23, retratou uma mudança que já está nas ruas e que se identifica com os ideais democráticos representados pelo candidato. No instagram o perfil @viravoto divulga muitas dessas ações.
Por que mirar nos evangélicos neste momento? O próprio Fernando Haddad, neto de um líder religioso, nunca se destacou pela proximidade com a religião, e sua vice é do Partido Comunista Brasileiro, que segue uma ideologia muito crítica ao que se refere ao papel da igreja. Um exemplo disso foi a recente negativa do TSE em impedir a exibição de uma peça de propaganda que criticava a presença de ambos em uma cerimônia.

Uma característica importante da religião em si é sua estrutura, seus fiéis são chamados de seguidores e são guiados como comunidade na sua fé por seu pastor. As lideranças das maiores igrejas, Silas Malafaia e Edir Macedo, declararam seu apoio ao candidato do PSL, um deles com mais do que as suas congregações e rádios, conforme denunciado pelo site The Intercept, com o uso de seus canais de televisão (uma concessão pública) e seu portal.
Num primeiro momento é compreensível o olhar carinhoso aos que professam amor, aceitam àqueles que deixaram uma vida de pecados para abraçar Cristo em suas vidas. Uma fé que destoa do discurso de ódio e mentiras de um candidato que declara o ódio e as penas do inferno para seus opositores… cruzando o limite do pecado com sua Soberbia e Ira, dividindo o Brasil em dois.
Quem pode apoiar o militar que defende a vingança quando Cristo deu a outra face?
Quem quer matar os ladrões e bandidos, se o filho de Deus foi crucificado entre dois deles?
Defender o convertido que ainda mente e ameaça é uma prova de fé?
Qual o sinal em libras para Ditadura?
E qual para Democracia?
Se o aceno de Fernando Haddad causou algum efeito, deve ter sido precisamente naquele que deveria estar em sua casa se recuperando de terrível atentado sofrido em Juiz de Fora. O ícone raivoso que não vai a debates bateu na mesa durante mais de 20 minutos… O defensor da pátria, cuja bandeira se desprende às suas costas, clamou para que seus eleitos saiam a proclamá-lo nas ruas, cobrando glórias pelos votos dados a outros… listou as mentiras apresentadas na sua denúncia ao TSE (Ops, não fizeram isso? Por que será?)

Faltam menos de 72 horas para que as urnas digam quem ganhou a maioria dos votos… o paraquedista que conseguiu abrir um Canion em nossos lares ou o professor que aprendeu a ser presidenciável em 48 dias.
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