Spread Bancário: Problema Complexo sem Solução Simples, por Fernando Nogueira da Costa

A proposta do PT em tributar bancos com altos spreads e o desafio de economistas de esquerda de aprender a regular uma economia de mercado 
 
Lula, ABr
Foto: Agência Brasil
 
Por Fernando Nogueira da Costa
 
“Para todo problema complexo 
existe sempre uma solução simples, elegante e 
completamente errada”.
H L Mencken , “The Divine Afflatus” 
in New York Evening Mail (16 November 1917).
 
Complexo é o conjunto, tomado como um todo mais ou menos coerente, cujos componentes funcionam entre si em numerosas relações de interdependência ou de subordinação. É de apreensão muitas vezes difícil pelo intelecto porque geralmente apresenta diversos aspectos. Como o cérebro humano abomina a complexidade, exigente de pensamento em diversos níveis de abstração e gradativa incorporação de elementos antes abstraídos até chegar às decisões práticas, tende a adotar o simplismo.
 
Simplista é a tendência ou prática consistente em considerar apenas uma face ou um aspecto das coisas. Faz uma simplificação exagerada de fenômeno macrossocial emergente de interações de diversos componentes. Proposta de uma aparente solução por demais simples beira à ingenuidade típica de leigos com desconhecimento de causa.
 
Um desafio para economistas de esquerda, após a constatação do fracasso histórico de economias com planejamento central, cujo “centralismo democrático” desejava intervir diretamente no sistema de preços relativos, é aprender a regular uma economia de mercado. Criar instituições defensivas contra o excesso de exploração por parte do livre-mercado não pode travar o mercado existente em todos os tempos e lugares, onde houve divisão de trabalho, especializações e trocas diretas ou por meio de pagamento.
 
Os partidários da doutrina do igualitarismo compartilham uma atitude cuja meta é estabelecer a igualdade absoluta dos seres humanos em matéria política, social e cívica.
 
No entanto, não devem se deixar levar pelo voluntarismo em matéria econômica. 
 
Os voluntaristas dão importância superior à vontade afetivamente orientada na atividade do espírito humano, em detrimento de suas faculdades mentais ou racionais. A realidade essencial do mundo parece seguir uma vontade coletiva irracional, incompreensível por meio da intelectualidade pura. Parece haver a prevalência da vontade emocional sobre os poderes restritos do intelecto. Daí uma vanguarda – parcela da intelligentsia em busca de exercer um papel pioneiro – adotar um comportamento diretivo e autoritário é um passo rápido.
 
O socialismo realmente existente (SOREX), interventor no sistema de preços relativos, foi um desviacionismo ou uma atitude de afastamento doutrinário por parte de um ou mais membros de uma organização política, no caso, os partidos comunistas estalinistas? Na verdade, Marx fez uma profunda crítica à economia capitalista, mas não produziu uma doutrina de planejamento central de uma sociedade futura, concebida como uma utopia socialista. “De cada qual, segundo sua capacidade, a cada qual, segundo suas necessidades” não se alcança com base apenas no voluntarismo.
 
Certamente, no marxismo, a utopia era um modelo imaginário de sociedade ideal, concebido como crítica à organização social capitalista existente. Porém, ele se torna totalitário e inexequível, dentro dos marcos de uma desejada sociedade democracia, se não estiver vinculado às condições políticas e econômicas da realidade concreta. O SOREX vira MERDEX: mercado deficiente existente. Seu funcionamento é precário.
 
Toda essa introdução é para analisar apenas um breve tópico do Plano Lula de Governo (2019-2022), documento base aprovado pelo Direto Nacional do PT em 03/08/2018?
 
É o seguinte. “O Banco Central reforçará o controle da inflação e assumirá também o compromisso com o emprego (mandato dual). Será construído de forma transparente, um novo indicador para a meta inflação, que oriente a definição da taxa básica de juros (SELIC). 
 
Ademais, será estimulado o aumento da concorrência, que contemple novos mecanismos de incremento da produtividade, ampliando a desindexação da economia. No sentido da democratização do crédito, propõem-se a transformação profunda do sistema bancário e financeiro, que permita o acesso ao crédito barato para famílias, empresas e pequenos negócios, bem como o financiamento do desenvolvimento nacional. Para isso, o governo federal reduzirá o custo do crédito, combatendo os elevados níveis de spread bancário”.
 
Não devemos confundir “plataforma eleitoral” ou propaganda de ideias para ganhar eleição com “plano de governo”, ou seja, programação de medidas governamentais exequíveis em caso de vitória eleitoral. As diretrizes genéricas daquela plataforma eleitoral terão de passar por filtros analíticos de especialistas técnicos. Por exemplo, a última frase do parágrafo anterior é um ato de vontade – reduzir o custo do crédito – para o qual não basta apenas a redução do spread. Menos ainda como dito em entrevista por Haddad: tributando mais os bancos com spreads mais elevados.
 
Por que? Justamente porque é um problema complexo emergente de múltiplos componentes interativos. Uma única “bala-de-prata” não matará a charada. Esta é uma coisa difícil de diagnosticar e de remediar: por que no Brasil vigoram os maiores spreads bancários e daí as maiores taxas de juros de empréstimos em toda a economia mundial?
 
O primeiro filtro dessa medida a ser tomada no governo, em caso de vitória eleitoral, será o exame minucioso de sua viabilidade por técnicos, seja do Banco Central do Brasil, seja do Ministério da Fazenda. Aqueles são especialistas em bancos e política monetária e de crédito, estes são focados em temas de natureza fiscal. Será legal (e viável) a tributação progressiva de spreads bancários? A priori, desconfio não ter viabilidade essa ideia apresentada para debate público-eleitoral.
 
Baseado na decomposição do custo do crédito e do spread apresentada no Relatório de Economia Bancária, publicação anual do Banco Central do Brasil referente ao ano de 2017, dá para antecipar o veredito esperado dos especialistas. O Indicador de Custo do Crédito (ICC) passou a ser divulgado pela autoridade monetária desde abril de 2017. O ICC estima o custo médio, sob a ótica do tomador, das operações de crédito ainda em aberto no sistema, independentemente da data de contratação do crédito. Portanto, incorpora informações tanto de contratos recém-firmados quanto de contratos mais antigos ainda vigentes.
 
A evolução do ICC e do spread, calculado a partir desse indicador, entre dezembro de 2014 e dezembro de 2017, revela terem aumentado até o final de 2016, entrando em trajetória declinante a partir do início de 2017, em linha com o processo de queda da taxa de juros Selic, iniciado em outubro de 2016. Ocorreu, principalmente, em função da queda da inflação de alimentos com o fim da longa seca ocorrida desde 2012.
 
A decomposição do ICC objetiva identificar e mensurar os principais fatores que determinam o custo do crédito para os tomadores. São cinco componentes:
 
1) “Custo de Captação” estima as despesas das instituições financeiras com o pagamento de juros nas suas captações, como no caso de depósitos a prazo;
 
2) “Inadimplência” captura perdas decorrentes do não pagamento de dívidas ou juros, além de descontos concedidos em refinanciamentos;
 
3) “Despesas Administrativas”: para realizar as operações de crédito, bancos incorrem em diversas despesas administrativas como de pessoal e marketing;
 
4) “Tributos e FGC”: sobre as operações de crédito incorre, os clientes pagam IOF e instituições financeiras pagam contribuições ao PIS e Cofins, Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Todos esses tributos afetam o ICC. Além disso, todas as instituições associadas ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) devem contribuir mensalmente para o fundo, com determinado percentual dos saldos das contas garantidas; e
 
5) “Margem Financeira do ICC” inclui a parcela do ICC remuneradora das instituições pela atividade de crédito (lucro com as operações de crédito) e também outros fatores não mapeados pela metodologia, além de erros e omissões nas estimativas.
 
Segundo os fatores descritos acima para 2015, 2016 e 2017, o Custo de Captação foi o principal componente do custo do crédito para os tomadores nesse período com média de 39% ao longo dos três anos. Em seguida estão Inadimplência (média de 23%), Despesas Administrativas (média de 15%), Tributos e FGC (média de 14%) e, finalmente, Margem Financeira do ICC (média de 9%). Esse ordenamento dos fatores permaneceu estável no período.
 
A contribuição do custo de captação, em pontos percentuais para o ICC, diminuiu em 2017, refletindo a queda da Selic, e a da inadimplência aumentou, principalmente quando comparada com 2015, refletindo os efeitos da Grande Depressão. Já a contribuição de tributos teve um leve aumento em 2016 decorrente, em parte, da elevação de 15% para 20% da alíquota de CSLL para instituições financeiras ocorrida em setembro de 2015. Por sua vez, a margem financeira do ICC ficou estável nesse período.
 
A partir do ICC, é possível calcular o seu spread. Para isso, exclui-se do ICC a parcela correspondente ao Custo de Captação. A decomposição do spread permite identificar os fatores determinantes do custo do crédito para os tomadores, deixando de fora os efeitos das condições conjunturais de mercado relacionadas ao custo de captação de recursos, como o nível da taxa de juros do Selic influente no “percentual de CDI”.
 
As participações percentuais de todos os componentes do ICC se ampliam em virtude da exclusão do custo de captação. Considerando valores médios entre 2015 e 2017, o componente de Inadimplência responde por 37% do spread do ICC, seguido por Despesas Administrativas (25%), Tributos e FGC (23%) e, por último, Margem Financeira do ICC (15%).
 
O impacto de mudanças hipotéticas em alguns dos componentes mapeados não pode ser inferido diretamente desses números, pois é necessário considerar também os efeitos diretos sobre os outros componentes. Por exemplo, uma redução de qualquer componente reduz o ICC, mas, ao fazer isso, também leva à queda das contribuições de tributos e FGC. Os componentes de um problema complexo são interativos.
 
O Relatório de Economia Bancária apresenta simulações do impacto sobre o spread do ICC em caso de zerar a contribuição de cada componente em análise. Para um valor de 12,76 pontos percentuais (p.p.) no ano de 2017: com despesas administrativas zero, cai para 9,12 p.p.; com margem financeira zero, cai também para 9,13 p.p.; com inadimplência zero, a queda é maior para 7,69 p.p.. 
 
Esse exercício demonstra: não basta atacar apenas um componente isoladamente, no caso examinado, “a tributação progressiva sobre margem financeira”. Para demonstrar por absurdo, mesmo no limite – lucro bancário no crédito zerado, quando se tira totalmente o incentivo para concessão de empréstimos – o spread cairá apenas 3,63 p.p.. Na realidade, para conceder crédito, o banco manteria sua margem de lucro e repassaria também essa tributação progressiva sob forma de aumento do custo do crédito para o cliente.
 
Em outro post, examinaremos outras possibilidades de tratamento desse problema complexo e sistêmico, portanto, sem resolução de maneira simplória. Ou “na marra”.
 

Leia todos os artigos da série:

1. Spread Bancário: Problema Complexo sem Solução Simples

Leia também:  PT volta ao Conselho do Ministério Público contra Deltan, agora por "empresa de fachada"

2. Spread Bancário: Modelo de Precificação e Efeito da Inadimplência

4. Spread Bancário e Ciclo de Crédito

 
Fernando Nogueira da Costa é professor Titular do IE-UNICAMP. Autor de “Métodos de Análise Econômica” (Editora Contexto; 2018 – no prelo). http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/ E-mail: fernandonogueiracosta@gmail.com
 
 

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6 comentários

  1. Apenas um Questionamento.

    O Sistema bancário mundial sempre teve profissionais bem formados e em escala abundante! É assim que funciona todo o sistema bancário no mundo todo! A excelência dos profissionais é tão grande que a maioria, talvez, possua pós-doutorado.

    Com todos essa excelência, por que nenhum dos seus profissionais previu a catástrofe de 2008? Não é estranho?.

    E aí começo a questionar também a eficácia dos economistas! Posso estar errado, mas até que alguém nos prove que são eficazes, sempre questionarei!!! Porque nenhum previu o CRASH de 2008?????

    Banco é capital financeiro e é quem manda nos países e governantes! É obvio que isto precisa mudar! o LULA, apesar de ter sido o maior presidente do Brasil não combateu o sistema bancário brasileiro e a Grande  Mídia. Errou nisso, pois estes dois cânceres têm que ser extipados do brasil.   

     

    LULA: MAIOR PRESIDENTE DO brasil!!!!!

    • Três americanos ganharam o

      Três americanos ganharam o Prêmio Nobel de Economia 2013 por pesquisa que aprimorou as projeções de preços de ativos a longo prazo e ajudou o surgimento de fundos de índices em bolsas de valores, disse a comissão de premiação. Entre os vencedores está Robert Shiller, que ficou conhecido em todo o mundo por antecipar a crise americana de 2008, gerada pela bolha imobiliária.

      • Quais dos três tinham
        Quais dos três tinham mestrado e/ou doutorado, pós doutorado?
        Por que os doutores não previram?
        Como eu faria, se pudesse:
        1 – DO lucro líquido dos bancos os obrigaria a emprestar 70%!
        35% para as pequenas e médias empresas a juros quase zero, apenas para pagar os custos, com limite máximo de 12% aa, 35% os bancos emprestariam às familias com renda até 1 salario mínimo a juros zero.
        Assim fomentaria o consumo na base da pirâmide e fomentaria o desenvolvimento do pequeno e médio empresário.
        Como está hoje, o capital financeiro é um câncer e o outro câncer é a grande mídia que precisa ser um pouco regulamentada! Em todos os países do 1o. Mundo há regulamentação da mídia; aqui é uma zona!!!!!
        LULA: O MAIOR PRESIDENTE DO brasil!!!!!

  2. Repasse do custo
    Minha proposta é simples, tributa em 100% o spread maior que o dobro da selic. Pronto, qual banco vai cobrar mais que o dobro pra ficar com zero??

  3. Temos que tratar o tal

    Temos que tratar o tal mercado – parasita que é – exatamente como ele trata as populações na marra e na botinada. E com prisões e banimento se necessário.

  4. Artigo de Robert J. Burrowes,

    Artigo de Robert J. Burrowes, que mostra como as elites mundiais precedem com relação ao dinheiro. É para ficarmos assustados com o nível de controle que eles têm sobre o assuto, quando trata-se do seu dinheiro. Como todo o dinheiro, inclusive os dos bancos brasileiros são estocados e processados através desta elite mundial, acredito muito improvável poder-se mexer com os lucros bancários, mesmo no Brasil. A diminuiçao de spreads, taxas, seguros, e outros mais seria quase impossível de ser aprovada pelo nosso congresso, portanto a proposta do PT está falha, na minha opinião, apesar de acreditar que os bancos deverian ser taxados nos seus lucros, mudando a incrível vigarice feita no governo FHC, onde isentou os ganhos, com royalties, lucros e outros mais, de impostos de renda! Esta isenção é que deveria ser removida!

     

    Artigo do blog Information Clearing House  (demais informações e detalhes acesse o blog)

     

    Expondo os gigantes: a elite global do poder

    De Robert J Burrowes

    31 de agosto de 2018 ” Information Clearing House ” – Desenvolvendo a tradição traçada por C. Wright Mills em seu clássico de 1956 The Power Elite , em seu último livro, o professor Peter Phillips começa revisando a transição das elites de poder do Estado-nação descrita por autores como como Mills para uma elite de poder transnacional centralizada no controle do capital global.

    Assim, em seu estudo recém-divulgado Giants: The Global Power Elite , Phillips, professor de sociologia política na Sonoma State University, nos EUA, identifica as dezessete maiores empresas de gerenciamento de ativos do mundo, como BlackRock e JP Morgan Chase, cada uma com mais mais de um trilhão de dólares de capital de investimento sob gestão, como os “gigantes” do capitalismo mundial. As dezessete empresas gerenciam coletivamente mais de US $ 41,1 trilhões em uma rede auto-investida de capital entrelaçado que abrange todo o globo.

    Esses US $ 41 trilhões representam a riqueza investida em lucro por milhares de milionários, bilionários e corporações. Os dezessete gigantes operam em quase todos os países do mundo e são “as instituições centrais da capital financeira que alimenta o sistema econômico global”. Eles investem em qualquer coisa considerada lucrativa, variando de “terras agrícolas nas quais os agricultores indígenas são substituídos por poderosos investidores de elite” a bens públicos (como serviços públicos de energia e água) à guerra.

     

    Além disso, Phillips identifica as redes mais importantes da Global Power Elite e os indivíduos nela presentes. Ele menciona 389 indivíduos (um pequeno número dos quais são mulheres e um número simbólico de países que não são os Estados Unidos e os países mais ricos da Europa Ocidental) no centro da política de planejamento de redes não-governamentais que gerenciam, facilitam e defendem a concentração contínua de capital global. A Global Power Elite executa duas funções principais de união, ele argumenta: elas fornecem justificativas ideológicas para seus interesses compartilhados (promulgadas através de suas mídias corporativas),

    Mais precisamente, Phillips identifica os 199 diretores dos dezessete gigantes financeiros globais e oferece biografias curtas e informações públicas sobre sua riqueza líquida individual. Essas pessoas estão intimamente interconectadas através de numerosas redes de associação, incluindo o Fórum Econômico Mundial, a Conferência Monetária Internacional, afiliações universitárias, vários conselhos de políticas, clubes sociais e empresas culturais. Para um gostinho de um desses clubes, veja este relato de The LinksEm Nova Iórque. Como Phillips observa: “É certamente seguro concluir que todos se conhecem pessoalmente ou se conhecem no contexto compartilhado de suas posições de poder”.

    Os gigantes, documentos da Phillips, investem uns nos outros, mas também em muitas centenas de empresas de gestão de investimentos, muitas das quais são quase gigantes. Isso resulta em dezenas de trilhões de dólares coordenados em uma única e vasta rede de capital global controlada por um número muito pequeno de pessoas. “Seu objetivo constante é encontrar oportunidades de investimento seguras suficientes para um retorno sobre o capital que permita um crescimento contínuo. As oportunidades inadequadas de colocação de capital levam a investimentos especulativos perigosos, compra de ativos públicos e gastos permanentes de guerra.

    Como os diretores dessas dezessete firmas de administração de ativos representam o núcleo central do capital internacional, “os indivíduos podem se aposentar ou falecer, e outras pessoas semelhantes entrarão em seu lugar, tornando a estrutura geral uma rede autônoma de controle de capital global. Assim, essas 199 pessoas compartilham um objetivo comum de retorno máximo dos investimentos para si e para seus clientes, e podem buscar obter retornos por qualquer meio necessário – legal ou não…. os arranjos institucionais e estruturais dentro dos sistemas de gestão de dinheiro do capital global buscam implacavelmente maneiras de obter o máximo retorno do investimento,

    Como alguns pesquisadores antes dele, Phillips identifica a importância dessas instituições transnacionais que servem uma função unificadora. Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, G20, G7, Organização Mundial do Comércio(OMC), Fórum Econômico Mundial (WEF), Comissão Trilateral, Grupo Bilderberg , Bank for International Settlements, Grupo dos 30 (G30), Conselho de Relações Exteriorese a Conferência Monetária Internacional serve como mecanismos institucionais para a construção de consenso dentro da classe capitalista transnacional, e formulação e implementação de políticas de elite de poder. “Essas instituições internacionais servem aos interesses dos gigantes financeiros globais, apoiando políticas e regulamentações que buscam proteger o fluxo livre e irrestrito de capital e cobrança de dívidas em todo o mundo.”

    Mas dentro dessa rede de instituições transnacionais, Phillips identifica duas importantes organizações de planejamento de políticas de elite global: o Grupo dos Trinta (que tem 32 membros) e o extenso comitê executivo da Comissão Trilateral.(que tem 55 membros). Essas corporações sem fins lucrativos, cada uma com uma equipe de pesquisa e apoio, formulam políticas de elite e emitem instruções para sua implementação pelas instituições governamentais transnacionais como o G7, G20, FMI, OMC e Banco Mundial. As políticas de elite também são implementadas seguindo instruções do agente relevante, incluindo governos, no contexto. Estes agentes fazem então como são instruídos. Assim, estes 85 membros (porque dois se sobrepõem) do Grupo dos Trinta e da Comissão Trilateral compreendem um grupo central de facilitadores do capitalismo global, assegurando que “o capital global permaneça seguro, seguro e crescente”. ‘.

    Assim, enquanto muitas das principais instituições internacionais são controladas por representantes de estados-nação e banqueiros centrais (com poder proporcional exercido por partidários financeiros dominantes como os Estados Unidos e os países da União Européia), Phillips está mais preocupado com os grupos políticos transnacionais que são não-governamentais, porque essas organizações “ajudam a unir as elites do poder de TCC como uma classe” e os indivíduos envolvidos nessas organizações facilitam o capitalismo mundial. “Eles servem como elites políticas que buscam o crescimento contínuo do capital no mundo.”

    Desenvolver essa lista de 199 diretores das maiores empresas de gerenciamento de dinheiro no mundo, argumenta Phillips, é um passo importante para entender como o capitalismo funciona globalmente hoje. Esses diretores de elite do poder global tomam as decisões em relação ao investimento de trilhões de dólares. Supostamente em competição, a riqueza concentrada que eles compartilham requer que eles cooperem para o seu bem maior, identificando oportunidades de investimento e acordos compartilhados de risco, e trabalhando coletivamente para arranjos políticos que criam vantagens para o seu sistema gerador de lucros como um todo.

    Sua prioridade fundamental é garantir um retorno médio do investimento de 3% a 10%, ou até mais. A natureza de qualquer investimento é menos importante do que o rendimento: retornos contínuos que suportam o crescimento no mercado global. Assim, o investimento de capital em produtos de tabaco, armas de guerra, produtos químicos tóxicos, poluição e outros bens e serviços socialmente destrutivos são julgados apenas pela sua lucratividade. A preocupação com os custos sociais e ambientais do investimento é inexistente. Em outras palavras, infligir morte e destruição são bons porque são lucrativos.

    Então qual é o propósito da elite global? Em poucas frases, Phillips o caracteriza assim: A elite está amplamente unida em apoio ao império militar dos EUA / OTAN que processa uma guerra repressiva contra a resistência a grupos – tipicamente rotulados como “terroristas” – em todo o mundo. O verdadeiro objetivo da “guerra ao terror” é a defesa da globalização transnacional, o fluxo desimpedido do capital financeiro em todo o mundo, a hegemonia do dólar e o acesso ao petróleo; não tem nada a ver com reprimir o terrorismo que ele gera, perpetua e financia para fornecer cobertura para sua agenda real.

    Riqueza e Poder

    Um ponto interessante que emerge da leitura da análise pensativa de Phillips é que há uma clara distinção entre os indivíduos e famílias que possuem riqueza e aqueles que possuem (às vezes significativamente) menos riqueza (o que, no entanto, ainda é considerável), mas suas posições e conexões, exercem uma grande quantidade de poder. Como Phillips explica essa distinção, “a sociologia das elites é mais importante do que indivíduos particulares de elite e suas famílias”. Apenas 199 pessoas decidem como mais de US $ 40 trilhões serão investidos. E este é o seu ponto central. Deixe-me explicar brevemente.

    Existem algumas famílias realmente ricas no mundo, incluindo as famílias Rothschild (França e Reino Unido), Rockefeller (EUA), Goldman-Sachs (EUA), Warburgs (Alemanha), Lehmann (EUA), Lazards (França), Kuhn Loebs (EUA), Israel Moses Seifs (Itália), Al-Saud (Arábia Saudita), Walton (EUA), Koch (EUA), Mars (EUA), Cargill-MacMillan (EUA) e Cox (EUA). No entanto, nem todas essas famílias buscam abertamente o poder de moldar o mundo como desejarem.

    Da mesma forma, os indivíduos extremamente ricos do mundo, tais como Jeff Bezos (EUA), Bill Gates (EUA), Warren Buffett (EUA), Bernard Arnault (França), Carlos Slim Helu (México) e Françoise Bettencourt Meyers (França) não estão necessariamente ligados de tal maneira que exercem enorme poder. De fato, eles podem ter pouco interesse no poder como tal, apesar de seu interesse óbvio em riqueza.

    Em essência, alguns indivíduos e famílias se contentam em simplesmente tirar proveito de como o capitalismo e seus instrumentos governamentais e transnacionais auxiliares funcionam enquanto outros estão mais politicamente engajados em procurar manipular as principais instituições para alcançar resultados que não apenas maximizam seu próprio lucro e consequentemente riqueza, mas também moldar o mundo em si.

    Então, se você olhar para a lista de 199 indivíduos que Phillips identifica no centro do capital global, não inclui nomes como Bezos, Gates, Buffett, Koch, Walton ou mesmo Rothschild, Rockefeller ou Windsor (a rainha da Inglaterra), apesar de sua riqueza bem conhecida e extraordinária. Como um aparte, muitos desses nomes também estão faltando nas listas compiladas por grupos como Forbes e Bloomberg , mas sua ausência dessas listas é por uma razão muito diferente, dada a propensão para muitos indivíduos e famílias realmente ricos evitar certos tipos de publicidade e seu poder para garantir que eles fazem.

    Em contraste com os nomes que acabamos de listar, na análise de Phillips nomes como Laurence (Larry) Fink (Presidente e CEO da BlackRock), James (Jamie) Dimon (Presidente e CEO do JPMorgan Chase) e John McFarlane (Presidente do Barclays Bank), embora não tão ricos quanto os listados acima, exercem muito mais poder por causa de suas posições e conexões dentro da rede de elite global de 199 indivíduos.

    Previsivelmente, observa Phillips, esses três indivíduos têm estilos de vida e orientações ideológicas semelhantes. Eles acreditam que o capitalismo é benéfico para o mundo e, embora a desigualdade e a pobreza sejam questões importantes, eles acreditam que o crescimento do capital acabará resolvendo esses problemas. Eles são relativamente pouco expressivos em relação às questões ambientais, mas reconhecem que as oportunidades de investimento podem mudar em resposta às “modificações” climáticas. Como milionários eles possuem várias casas. Eles freqüentaram universidades de elite e subiram rapidamente nas finanças internacionais para alcançar seu status atual de gigantes da elite global do poder.

    Em suma, como eu caracterizaria esta descrição: Eles são desprovidos de uma estrutura legal ou moral para guiar suas ações, seja em relação aos negócios, companheiros seres humanos, guerra ou o meio ambiente e o clima. Eles são obviamente típicos da elite.

    Qualquer preocupação aparente com as pessoas, como a expressa por Fink e Dimon em resposta à violência racista em Charlottesville, EUA, em agosto de 2017, é simplesmente projetada para promover a “estabilidade” ou, mais precisamente, um investimento e consumidor estável (isto é, lucrativo). clima.

    A falta de preocupação com as pessoas e questões que possam preocupar muitos de nós também é evidente a partir de uma consideração da agenda em reuniões de elite. Considere a Conferência Monetária Internacional. Fundada em 1956, é uma reunião anual privada das poucas centenas de banqueiros do mundo. A American Bankers Association (ABA) serve como secretaria da conferência. Mas, como Phillips observa: “Nada na agenda parece abordar as conseqüências socioeconômicas dos investimentos para determinar os impactos nas pessoas e no meio ambiente”. Uma leitura casual da agenda em qualquer reunião de elite revela que esse comentário se aplica igualmente a qualquer fórum de elite. Veja, por exemplo, Reunião do FEM em Davos . Qualquer conversa de “preocupação” é uma retórica enganosa.

    Assim, nas palavras de Phillips: Os 199 diretores dos gigantes globais são ‘um conjunto muito seleto de pessoas. Todos eles se conhecem pessoalmente ou conhecem um ao outro. Pelo menos 69 participaram do Fórum Econômico Mundial, onde costumam participar de painéis ou apresentações públicas. Eles frequentavam principalmente as mesmas universidades de elite e interagiam em contextos sociais das classes mais altas das principais cidades do mundo. Todos eles são ricos e têm participações acionárias significativas em um ou mais dos gigantes financeiros. Estão todos profundamente empenhados na importância de manter o crescimento do capital no mundo. Alguns são sensíveis a questões de justiça ambiental e social,

    É claro que a elite global não pode administrar sozinha o sistema mundial: a elite exige que os agentes executem muitas das funções necessárias para controlar as sociedades nacionais e os indivíduos dentro delas. ‘Os interesses da Global Power Elite e da TCC são plenamente reconhecidos pelas principais instituições da sociedade. Governos, serviços de inteligência, formuladores de políticas, universidades, forças policiais, militares e meios de comunicação corporativos trabalham em apoio a seus interesses vitais ”.

    Em outras palavras, para elaborar o ponto de vista de Phillips e estendê-lo um pouco, através de seu poder econômico, os Gigantes controlam todos os instrumentos pelos quais suas políticas são implementadas. Quer sejam governos, forças militares nacionais, “contratados militares” ou mercenários (com pelo menos US $ 200 bilhões gastos em segurança privada globalmente, a indústria emprega atualmente cerca de quinze milhões de pessoas em todo o mundo) utilizados em guerras “estrangeiras”, mas também provavelmente implantados no futuro para o controle doméstico, agências-chave de “inteligência”, sistemas legais e forças policiais, grandes organizações não-governamentais, ou acadêmicas, educacionais, “propaganda de relações públicas”, mídia corporativa, médica,

    Defendendo o poder da elite

    Phillips observa que a elite do poder continuamente se preocupa com a rebelião das “massas exploradas desregradas” contra sua estrutura de riqueza concentrada. É por isso que o império militar dos EUA desempenha há muito o papel de defensor do capitalismo global. Como resultado, os Estados Unidos têm mais de 800 bases militares (com alguns acadêmicos sugerindo 1.000) em 70 países e territórios. Em comparação, o Reino Unido, a França e a Rússia têm cerca de 30 bases estrangeiras. Além disso, as forças militares dos EUA estão agora implantadas em 70% das nações do mundo, com o Comando de Operações Especiais dos EUA (SOCOM) tendo tropas em 147 países, um aumento de 80% desde 2010.

    “O império militar dos EUA se sustenta em centenas de anos de exploração colonial e continua apoiando governos repressivos e exploradores que cooperam com a agenda imperial do capital global. Os governos que aceitam o investimento de capital externo, através do qual um pequeno segmento da elite de um país se beneficia, o fazem sabendo que o capital inevitavelmente exige um retorno sobre o investimento que implique o uso de recursos e pessoas para obter ganhos econômicos. Todo o sistema continua a concentração de riqueza para as elites e expandiu a desigualdade miserável para as massas….

    Compreender a guerra permanente como uma válvula de alívio econômico para o capital excedente é uma parte vital da compreensão do capitalismo no mundo de hoje. A guerra oferece oportunidade de investimento para as elites dos Giants e do TCC e um retorno garantido do capital. A guerra também serve a uma função repressiva de manter as massas de sofrimento da humanidade amedrontadas e complacentes.

    Como Phillips elabora: É por isso que a defesa do capital global é a principal razão pela qual os países da OTAN agora respondem por 85% dos gastos militares do mundo; os Estados Unidos gastam mais com os militares do que com o resto do mundo juntos.

    Em essência, ‘a Global Power Elite usa a OTAN e o império militar dos EUA para sua segurança mundial. Isso faz parte de uma estratégia de expansão da dominação militar dos EUA em todo o mundo, segundo a qual o império militar dos EUA / OTAN, assessorado pelo Conselho Atlântico da elite do poder , opera em prol da Classe Corporativa Transnacional para a proteção do capital internacional em todo o mundo. .

    Isso implica uma maior pauperização da metade inferior da população mundial e uma espiral descendente implacável de salários para 80% do mundo. O mundo está enfrentando uma crise econômica e a solução neoliberal é gastar menos em necessidades humanas e mais em segurança. É um mundo de instituições financeiras descontroladas, onde a resposta ao colapso econômico é imprimir mais dinheiro através de flexibilização quantitativa, inundando a população com trilhões de novos dólares produtores de inflação. É um mundo de guerra permanente, em que os gastos para a destruição exigem mais gastos para reconstruir, um ciclo que beneficia os gigantes e as redes globais de poder econômico. É um mundo de mortes por drones,

    Onde tudo isso está indo?

    Então, quais são as implicações deste estado de coisas? Phillips responde inequivocamente: “Essa concentração de riqueza protegida leva a uma crise da humanidade, em que a pobreza, a guerra, a fome, a alienação em massa, a propaganda da mídia e a devastação ambiental estão atingindo uma ameaça em nível de espécie. Percebemos que a humanidade está em perigo de extinção possível ‘.

    Ele prossegue afirmando que a Elite do Poder Global é provavelmente a única entidade capaz de corrigir essa condição sem grande agitação civil, guerra e caos e elabora um objetivo importante de seu livro: aumentar a conscientização sobre a importância da mudança sistêmica e a redistribuição da riqueza entre os leitores gerais do livro, mas também a elite, “na esperança de que eles possam iniciar o processo de salvar a humanidade”. O pós-escrito do livro é uma “Carta à elite do poder global”, assinada por Phillips e outros 90, suplicando à elite que aja de acordo.

    “Não é mais aceitável que você acredite que pode administrar o capitalismo para sair das desigualdades que todos nós enfrentamos agora. O ambiente não pode aceitar mais poluição e desperdício, e a inquietação civil é inevitável em algum lugar em algum momento. A humanidade precisa que você se aproxime e garanta que esse fluxo se torne um rio de recursos que atinge todas as crianças, todas as famílias e todos os seres humanos. Nós pedimos que você use seu poder e faça as mudanças necessárias para a sobrevivência da humanidade. ‘

    Mas ele também enfatiza que os movimentos sociais não-violentos, usando a Declaração Universal dos Direitos Humanos como um código moral, podem acelerar o processo de redistribuição de riqueza, pressionando a elite a agir.

    Conclusão

    Peter Phillips escreveu um livro importante. Para aqueles de nós interessados ​​em entender o controle de elite do mundo, este livro é uma adição vital à estante de livros. E como qualquer bom livro, como você verá nos meus comentários acima e abaixo, ele levantou mais questões para mim, mesmo quando respondeu a muitas.

    Ao ler o relato perspicaz e sincero de Phillips sobre o comportamento de elite a este respeito, lembro novamente que a elite do poder global é extraordinariamente violenta e totalmente insana: conteúdo para matar pessoas em grande número (seja por fome ou violência militar). e destruir a biosfera para o lucro, com zero senso do futuro agora limitado da humanidade. Veja ‘A Elite Global é Insana Revisitada’ e ‘Extinção Humana até 2026? Uma última estratégia para lutar pela sobrevivência humana “ com explicações mais detalhadas sobre a violência e insanidade aqui: ” Por que a violência? ‘Psicologia Destemida e Psicologia Temerosa: Princípios e Prática’ .

    Por essa razão, não compartilho sua fé em apelos morais à elite, como articulado na carta em seu pós-escrito. Não há problema em fazer o apelo, mas a história não oferece evidências que sugiram que haverá uma resposta significativa. A morte e a destruição infligidas pelas elites são altamente lucrativas, centenárias e contínuas. Serão necessárias campanhas não-violentas poderosas, estrategicamente focadas (ou colapso social) para forçar as mudanças necessárias no comportamento da elite. Por isso, endosso totalmente seu apelo aos movimentos sociais não-violentos para obrigar a ação da elite, onde não podemos fazer as mudanças necessárias sem o envolvimento deles. Vejo ‘Uma estratégia não violenta para acabar com a violência e evitar a extinção humana’ e estratégia de campanha não – violenta .

    Eu também encorajaria a ação independente, de uma ou mais maneiras, por indivíduos e comunidades suficientemente poderosos para fazê-lo. Isso inclui nutrir indivíduos mais poderosos fazendo “Minha Promessa para as Crianças” , participando do “Projeto da Armação da Chama para Salvar a Vida na Terra” e assinando a promessa on-line de “A Carta do Povo para Criar um Mundo Não-Violento” .

    Fundamentalmente, Giants: O Global Power Elite é um chamado à ação. O professor Peter Phillips é altamente consciente de nossa situação – política, social, econômica, ambiental e climática – e do papel crítico desempenhado pela elite do poder global na geração dessa situação difícil.

    Se não pudermos persuadir a elite do poder global a responder sensatamente a essa situação, ou forçá-la de maneira não violenta a fazê-lo, o tempo da humanidade na Terra é de fato limitado.

    Robert J. Burrowes tem um compromisso vitalício para entender e acabar com a violência humana. Ele fez uma extensa pesquisa desde 1966, em um esforço para entender por que os seres humanos são violentos e tem sido um ativista não-violento desde 1981. Ele é o autor de “Por que Violência?” Seu endereço de e-mail éflametree@riseup.net e seu site está aqui .

     

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