Urna eletrônica é sistema rápido e seguro, diz especialista da OEA

Pela primeira vez Organização acompanhará de perto eleições no país para avaliar participação feminina, uso da tecnologia e resultado do fim do financiamento privado nas campanhas 
 
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
 
Jornal GGN – “Tivemos uma explicação de várias horas sobre a urna eletrônica com total e absoluta transparência do pessoal de tecnologia do TSE. Conseguimos usar e ver a urna em todo seu funcionamento e diria que não temos, neste momento, preocupações sobre a segurança da urna”, respondeu o diretor do Departamento para a Cooperação e Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Gerardo de Icaza, em entrevista à Folha de S.Paulo ao ser perguntado sobre a reclamação do presidenciável Jair Bolsonaro de que falta de confiabilidade das urnas eletrônicas.
 
O mexicano pontuou que a OEA “não trabalha com especulações” e sim com fatos. “Uma coisa é o discurso político que a gente já viu em vários países, como no Equador ou nos Estados Unidos”, completou. 
 
Pela primeira vez a OEA manda para o Brasil uma missão para observar as eleiçõe, e, segundo o Icaza, o grupo irá observar a participação das mulheres, o uso da tecnologia a partir das urnas eletrônicas e o impacto das mudanças no sistema de financiamento das campanhas no país.  
 
Sobre a participação feminina, o representante da OEA diz existir “diferentes organismos internacionais” que avaliam que poderá haver uma maior influência “de forma substantiva”. De fato, o movimento nascido nas redes sociais que está sendo conhecido no Brasil por #EleNão, para incentivar mulheres a não votar em Bolsonaro, tem surtido efeito, levando até mesmo personalidades públicas que antes aderiram à sua candidatura a voltar atrás.
 
Sobre o uso da urna eletrônica, Icaza destaca que a análise acontecerá porque o Brasil é o único país da OEA onde o sistema é atuante. 
 
“Desde 2002, em todo o território brasileiro já se utiliza a urna eletrônica e nunca houve fraude comprovada. A urna eletrônica é um sistema rápido e seguro e que permite que a vontade popular seja expressada através da votação”.
 
E, sobre o financiamento das campanhas eleitorais, afirmou que as modificações, fruto de problemas identificados pela própria institucionalidade brasileira “significou um avanço na cultura política”, arrematando que “a democracia se constrói desse jeito: identificando o problema e, por mecanismos institucionais, melhorando-a”. 
 
Em entrevista ao GGN, no início deste mês, José Dirceu se referiu ao fim do financiamento privado de campanha como uma espada de dois gumes. 
 
“No Brasil se criou essa hipocrisia, se proibiu o financiamento empresarial, mas se autorizou que um candidato que tem 2,5 milhões financie sua campanha, então é financiamento empresarial, porque o candidato tem empresa ou presta algum serviço”. A mudança, portanto, deveria ter sido acompanhada pelo financiamento público e exclusivo, para evitar tanto que o sistema seja uma porta à corrupção, quanto para evitar que seja mais um foco de desigualdade na corrida eleitoral. 
 
Icaza também foi perguntado sobre os questionamentos legais do PT a respeito do impedimento da candidatura do ex-presidente Lula. Sem demonstrar conhecimento da decisão Comitê de Direitos Humanos da ONU que, por duas vezes, emitiu uma liminar em defesa da participação do metalúrgico na corrida eleitoral deste ano, o porta-voz da OEA disse que as ” justiças ordinária e eleitoral brasileira já se pronunciaram sobre o caso” prosseguindo:
 
“Nós respeitamos esses pronunciamentos. Não corresponde à OEA analisar esses julgamentos. Confiamos na institucionalidade judicial e no Poder Judiciário brasileiro. É muito positivo que uma força política tão importante, como o PT, não perdeu representatividade na candidatura para presidente da República: tem uma chapa inscrita e os eleitores brasileiros, se assim desejarem, vão poder votar nessa chapa”.  
 
 

3 comentários

  1. Em outra matéria,

    Em outra matéria, perguntava-se o que será a tentativa de golpe via capa de veja. Aí tem uma pista. Vem um representante da OEA (EUA) que teve seu secretário afirmando que vai intervir com os militares na Venezuela, depois de todo o boicote econômico estadounidense, tentativas de golpe, até com tentativa de assassinato do Presidente Maduro,  e endossa o impedimento do Presidente Lula, depois de um processo fraudado. É mais um aviso que a vitória da esquerda não será tolerada pela plutocracia estadounidense aqui no Brasil.  Apesar de não escrever em nenhum documento, o PT já deu sinais que tentará fazer a contrareforma, anulando os atos dos golpistas. Essa história da OEA é para enquadrar a esquerda ameaçadoramente.

    As urnas eletrônicas?  ora, as urnas. Mesmo com duas leis obrigando o papelzinho do Brizola, o TSE passou por cima e tratorou a lei e desobriga a impressão. O Bolsonaro há tempos apoiava a exigência da impressão. Hoje mudou de lado.

    A OEA vai avalizar um possível golpe nas urnas? bem, pode ser teoria da conspiração, mas que fico muito desconfiado, isso eu fico. Nada como o jogo do bicho. Vale o escrito (VOTO IMPRESSO)

  2. O aval da OEA é um motivo que

    O aval da OEA é um motivo que deveria gerar grande desconfiança: a OEA apoiouu o golpe em Honduras, no Paraguai, no Basil….trrata-se de um braço do governo dos EUA….triste viu

  3. URNAS ELETRONICAS NÃO SÃO SEGURAS MESMO

    Como profissional de TI, discordo plenamente que urnas eletrônicas são muito fácil de fraudar independentemente se estiver conectada em rede local ou internet.  O programador pode perfeitamente adicionar código adicional dando uma diretriz ao sistema que vai acatar o que for programado…simples assim.   Se especialistas acham que a urna eletronica é segura, porque no pais deles não tem…só o Brasil seria um país privilegiado por ter urnas eletrônicas ?   Porque não se admitiu o voto impresso ?  Eu respondo:  porque fica muito mais fácil manipular os resultados e ponto final.

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