A energia está no núcleo

Por Alexandre F. Ramos*

A escassez de chuvas trouxe a tona a possibilidade de racionamento de energia elétrica se os reservatórios das hidrelétricas chegarem a 10% de sua capacidade. Enquanto uma parte do debate público sobre o tema se ocupa da economia de “fagulhas” de eletricidade, propondo a substituição de lâmpadas, chuveiros, etc, o problema do Brasil decorre, especialmente, de baixa capacidade instalada e da composição de sua matriz por elementos especialmente sujeitos à sazonalidade. Por exemplo, o consumo de eletricidade per capita do Brasil é da ordem de 2 kWh enquanto que nos Estados Unidos esse consumo é da ordem de 12 kWh.

Ressalte-se: a relação direta entre o IDH de uma nação e seu consumo de eletricidade; nações com IDH’s acima de 0,9 proverem boa qualidade de vida a sua população e terem consumo de eletricidade acima de 4 kWh per capita; e podemos concluir que não somente somos baixos consumidores de eletricidade como necessitamos expandir a oferta energética se quisermos melhorar nossa qualidade de vida por exemplo, ampliando a oferta de transporte sobre trilhos, hospitais equipados, etc. Nesse artigo, trataremos da expansão da oferta energética brasileira e da necessidade de introduzirmos mais elementos geradores de energia firme, em particular a matriz nuclear.

O planejamento do sistema elétrico brasileiro prevê, para o ano de 2030, que o país terá exaurido o seu potencial de geração de eletricidade pela matriz hidráulica. Adicione-se que as novas usinas hidrelétricas funcionam a fiod’água, reduzindo sua capacidade de armazenar energia em forma de reservatórios e, desta maneira, contornar efeitos sazonais. Faz-se mister, portanto, que a cesta energética brasileira receba novas componentes que possam prover-nos de energia firme, com capacidade de fornecimento praticamente ininterrupto. De agora em diante, esse papel caberá, principalmente, às matrizes termelétricas, cujos combustíveis podem ser o carvão mineral, gás natural ou o nuclear. Dentre essas matrizes, a nuclear apresenta o menor custo. Ademais, por tratar-se de matriz de demanda de tecnologias de alta performance, contribui à criação de valor nos produtos envolvidos em sua cadeia produtiva, formação de profissionais altamente qualificados e uma cultura urgentemente necessária ao país.

A expansão da oferta de energia nuclear no país, pela construção de novas usinas nucleares, representa uma oportunidade de arrasto científico e tecnológico valiosos, com amplo impacto econômico. O Brasil possui abundância de combustível nuclear em seu território e domina o ciclo do combustível. Sendo assim, podemos atingir a autonomia de produção de combustível e, eventualmente, adentrar um mercado ainda restrito de exportadores de urânio enriquecido. Ademais, o combustível nuclear apresenta alta densidade energética que implica em redução de impacto ambiental. Por exemplo, 1 kg de urânio gera energia elétrica equivalente à energia gerada por 14 t de carvão mineral.

Quanto ao arrasto científico da pesquisa nuclear, tomemos por exemplo o projeto genoma. Embora o conceito de mapa genético já fosse conhecido pela comunidade de Biologia Molecular desde o início do século 20, somente em meados dos anos 80, com a disponibilidade dos instrumentos necessários à realização desse projeto é que ele foi proposto pelo DoE (o ministério de Minas e Energia dos Estados Unidos). Esse esforço iniciou-se da necessidade de estabelecer com clareza os efeitos da radiação em humanos e, apesar de seu escopo inicialmente nacional (nos EEUU), atingiu escala mundial posteriormente. O desenvolvimento das técnicas de sequenciamento ocasionados pelo projeto genoma fundou uma nova era na medicina, processos de despoluição e a biotecnologia. Por exemplo, anteriormente, o tratamento de diabéticos empregava insula de suínos enquanto hoje, é possível produzir insulina humana em escala utilizando bactérias.

Do ponto-de-vista tecnológico, considere-se a construção do submarino nuclear brasileiro em andamento, ou desenvolvimento da tecnologia de ultracentrifugação para enriquecimento do urânio. Esse programa iniciou-se nos anos 50, com a iniciativa do Alm. Álvaro Alberto, de fomentar a pesquisa em Física Nuclear no Brasil com a criação do CNPq. Posteriormente, nos anos 70, o governo decidiu pela capacitação do país para o domínio tecnológico do ciclo do combustível nuclear, construção de reatores de potência e de pesquisa, e da tecnologia de reprocessamento de combustível usado. Nesse contexto, o país celebrou um convênio com a Alemanha que incluía a transferência da tecnologia de ultracentrifugação para o enriquecimento de urânio. Por pressões internacionais, essa transferência não ocorreu e foi necessário o desenvolvimento de tecnologia nacional. Tal feito foi realizado pela Marinha Brasileira, em projeto liderado pelo Alm. Othon Pinheiro da Silva, a partir dos anos 80. Esse projeto realizou-se em parceria com a Indústria, Institutos de Pesquisa, Universidades, e perdurou por 15 anos.

Desdobramentos tecnológicos são, por exemplo, o desenvolvimento de aços de alta resistência e válvulas especiais para operação com substâncias corrosivas. Em andamento está um projeto para produção de fibras de carbono de alto desempenho pelo país, numa parceria entre a Marinha, a Força Aérea Brasileira, Universidades e Institutos de Pesquisa, e com suporte da Financiadora de Projetos (FINEP), órgão financiador do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Em contrariedade ao uso da energia nuclear costumam-se levantar três argumentos principais: a possibilidade de uso bélico; o risco de acidentes; a destinação do combustível usado.

No Brasil, o primeiro argumento é incabível. A Carta Magna brasileira estabelece que o Estado é detentor do monopólio do desenvolvimento de tecnologias nucleares e define o uso pacífico dessas tecnologias. Essa decisão é reafirmada pelo país ao assinar o Tratado de Não-Proliferação e outros acordos bilaterais. Por fim, no próprio Livro Branco da Defesa Nacional o Estado reforça o caráter pacífico do Programa Nuclear Brasileiro. Portanto, a nação pode preservar uma postura de firme e contínuo fomento ao programa nuclear pois este atende às necessidades de ampliação do bem-estar da população, sejam no setor energético, na medicina nuclear, ou agricultura.

Quanto aos acidentes, construiu-se na cultura contemporânea um mito chamado Chernobyl. O acidente ocorreu em um dos quatro reatores tipo RBMK localizados em Pripyat, Ucrânia, no dia 26 de abril de 1986, durante um teste de segurança e que verificou-se ter sido causado por erro humano. No acidente, o núcleo do reator foi exposto e partículas radioativas foram emitidas ao ambiente. Quanto aos efeitos da radiação em humanos, foram confirmados 134 casos de Síndrome da Radiação Aguda, dentre os quais 28 indivíduos sofreram óbito ainda em 1986. Outras 19 pessoas faleceram entre os anos 1986 e 2004 por causas não necessariamente ligadas a efeitos de radiação.

Também houve uma detecção estatisticamente distinguível de 4000 casos adicionais de câncer na tiroide na população da região afetada pelo acidente, que a época do mesmo estava na infância. Pode-se dizer que uma fração considerável desses casos teve a radiação devido ao acidente como causa.

Casos de câncer sólido ou leucemia não tiveram incrementos que possam ser detectados estatisticamente e, em particular, não é possível estabelecer a radiação devida ao acidente como causa dessas enfermidades. Quanto a outros efeitos, por exemplo, incremento de mutações nas populações animais da região, muitos estudos apresentados a respeito apresentam gravíssimas limitações metodológicas que tornam suas conclusões questionáveis ou errôneas.

O acidente de Chernobyl é tratado com seriedade pela comunidade envolvida em geração de energia nuclear e motivou medidas de ampliação de segurança como o desenvolvimento de novas gerações de reatores nucleares mais seguros e menos suscetíveis ao erro humano. Mesmo assim, o acidente ocasionou um receio da energia nuclear que, se não é derivado dos fatos, têm raízes profundas na construção de uma mitologia contemporânea. Essa mitologia é facilmente absorvida pela população devido aos fenômenos ocorridos no núcleo atômico exigirem sofisticado aparato tecnológico para sua compreensão e análise. Por exemplo, aparelhos tecnológicos que ocasionam numerosos danos à saúde física e psicológica da população não motivam tamanhos receios, como por exemplo o trânsito no Brasil. Apenas no ano de 2012, morreram 60 mil pessoas em decorrência de acidentes de transito e outras 352 mil ficaram inválidas.

Resta discutir a destinação dada ao combustível nuclear irradiado, que o senso comum trata como um lixo descartável. Devido à existência de alternativas técnicas para o tratamento e uso desses materiais, considerar o combustível nuclear como um rejeito é cientificamente impróprio. Por exemplo, o combustível usado poderia ser utilizado como uma manta em reatores mistos de fusão-fissão, reduzindo a meia-vida de alguns de seus componentes e atémesmo gerando energia.

A matriz energética brasileira é predominantemente composta de recursos renováveis, de baixa emissão de carbono. O planejamento de longo prazo mostra que o uso pleno da matriz hídrica sofrerá maiores influências de efeitos sazonais. Destarte, o sistema nacional necessitará compensar esses efeitos pela inclusão de matrizes provedoras de energia firme a sua cesta energética. Esse nicho pode receber, entre outros componentes, a matriz nuclear. A nação será fortemente beneficiada pelo arrasto científico e tecnológico dessa matriz que poderá, dessa forma, contribuir para o estabelecimento de nível cultural condizente com sua importância geopolítica.

Adendo – Os próximos três parágrafos discorrem breve e superficialmente sobre a Física subjacente aos fenômenos nucleares, almejando assim iluminar o debate e talvez aguçar a curiosidade do leitor para este ramo científico apaixonante.

A abundância energética exibida pela matriz nuclear pode ser compreendida no contexto do modelo padrão para a estrutura da matéria. O núcleo atômico é composto por prótons (cargas positivas) e nêutrons (cargas neutras) e sua estabilidade deve-se à chamada interação nuclear forte. Essa interação é cem vezes mais intensa que a eletromagnética, que responde pela repulsão entre as cargas positivas, e por sua intensidade garante a estabilidade do núcleo atômico.

Efeitos da interação nuclear forte podem ser observados em reações nucleares, como a fissão do átomo de urânio. Essa reação acontece pela ruptura do núcleo do átomo de urânio em dois núcleos atômicos menores e menos massivos. Uma maneira de causar esse rompimento é bombardear o átomo de urânio, por exemplo o isótopo 235, com um nêutron, que gera um novo átomo de urânio, o isótopo 236. Este novo núcleo é instável e oacoplamento nuclear forte é insuficiente para compensar as forças de repulsão do interior do núcleo. Assim, o núcleo desintegra-se, num belo processo que Bohr descreveu matematicamente a partir de uma analogia com a divisão de uma gota líquida em duas.

A fissão do átomo de urânio libera uma vasta quantidade de energia, da ordem de 100 milhões de vezes mais energia que uma única reação de combustão de carvão mineral. Isto ocorre devido ao fato de reações de combustão serem químicas e envolverem as energias dos níveis eletrônicos do átomo. Nesses níveis, as energias envolvidas são resultantes da interação eletromagnética.

 

* Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Dept. Radiologia, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo.

 

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63 comentários

  1. Como assim?
    A nossa

    Como assim?

    A nossa presidente não é mestra em energia?

            Faço um desafio:

               Em qual setor a presidente Dilma não foi um desastre nos u´ltimos 4 anos;

                Desastrada,incompetente e empáfia.–além da soberba.

                  Completa ruína pro Brasil.

                       Irá demorar muito ´ra nos recuperamos.

                            E mesmo assim se ela não atrapalhar,

                           Caso contrário nem daqui 200 anos.

                                   Que horror essa presidente.Sua única chance de diminuir o estrago que ela criou é ficar calara.

      • Exatamente, ainda há um tabu

        Exatamente, ainda há um tabu na sociedade sobre o assunto nuclear. Os políticos não mencionam por esse motivo. É urgente uma campanha para esclarecimento da sociedade brasileira a respeito do assunto. Na última campanha eleitoral a matriz nuclear não foi mencionada. É um fato grave para o país. Quanto à atual chefia do estado, têm uma oportunidade valiosa de fortalecer o programa nuclear brasileiro. Que se aproveite o momento histórico. 

      • Também tento entender. Angra

        Também tento entender. Angra é pouco para um país com mais de 200 milhões de habitantes. O contexto histórico e falta de compreensão do assunto pela população e tomadores de decisão certamente influenciaram, mas não são os únicos. Por exemplo, há fortíssima componente ideológica na percepção do risco nuclear:

        http://www.jstor.org/discover/10.2307/1961958?sid=21105148994121&uid=3737664&uid=2&uid=4

        No entanto, como essa ideologia é transmitida de forma sofisticada, é difícil detectá-la. Noto isso quando penso na abordagem dada ao acidente de Chernobyl. Pressões de caráter econômico também contribuem.

        O país demanda ampliação da oferta energética e há um debate sobre as matrizes a serem utilizadas. Em benefício do país, é necessário que o tabu sobre o uso da energia nuclear seja eliminado e que se passe a mencionar essa matriz como mais uma alternativa. Não defendo a matriz energética como fonte única, há que constituir uma cesta energética, da qual a energia nuclear pode ser importante parte integrante.

         

        • Prezado Alexandre
          Ainda acho

          Prezado Alexandre

          Ainda acho que alguém (externo) mandou parar.

          Naquela época o protagonismo da america era só dos norte americanos, hoje tem alguém ao sul para fazer sombra.

          Também não entendo porque, nestes 12 anos de PT,  ainda não retomamos esta forma de energia, onde possuimos riqueza mineral para tal.

          Quem sabe agora, acordem.

          Muito pertinente seu artigo, parabéns.

          Abração

           

      • Tenta entender o que? E óbvio!
        Porque parou? Vcs tão de sacanagem?

        Paramos porque o objetivo do Brasil na época era a bomba!!!
        Fizemos o acordo para ter acesso a tecnologia de enriquecimento.
        A tecnologia fornecida por alemães era uma porcaria, como eles disseram aos EUA, e nós abandonamos o acordo.
        Afinal de contas teríamos que ser muito idiotas para pagar por merda.

        Os militares foram um atraso de 30 anos em nosso desenvolvimento nuclear. E ainda estão lá atrapalhando em muitas áreas, como a espacial. Espacial…entendeu o que querem?

  2. “Nesse artigo, trataremos da

    “Nesse artigo, trataremos da expansão da oferta energética brasileira e da necessidade de introduzirmos mais elementos geradores de energia firme, em particular a matriz nuclear”:

    Enquanto isso, o Brasil exporta minerio de niobio a preco de banana para superimans que o mundo inteiro compra da China.

    • Nióbio não tem nada a ver com
      Nióbio não tem nada a ver com geração nuclear a não ser pelo fato de que o minério achado pelo Príncipe dos Geólogos Djalma Guimarães, contém 2% de tório e 1% de urânio.

  3.  
    Artigo perfeito! Eu

     

    Artigo perfeito! Eu apresentei um seminário durante minha graduação na universidade federal de Viçosa , em 1993, que a energia nuclear seria a energia do futuro.  Pois já passou da hora do Brasil investir forte nisso,  não só construindo novas usinas nucleares , mas investindo em pesquisas científicas em instituições públicas e dominando totalmente essa tecnologia.  É uma área estratégica ! Alimentos,  água e energia . Essas três colunas jamais podem ser abaladas!

     

  4. Embora discorde de que o

    Embora discorde de que o potencial hidráulico estará esgotado em 2030, é uma exposição séria da necessidade do desenvolvimento da alternativa nuclear fornecedora de preciosa energia firme que o Sistema Unificado Nacional tanto precisa, sem envenenar a atmosfera com gases da queima de combustíveis fósseis, e com preços bastante competitivos.

    Lamentável a forma preconceituosa, na maioria das vezes por ouvir falar, com que é tratado na imprensa o assunto da energia elétrica de origem nuclear.

    Lamentável também a negligência e a condescendência das autoridades e dos meios de comunicação, ou melhor de oposição ideológica, com grupelhos de naturebas radicais que infelizmente, entre outros malefícios, atrasam a construção de hidrelétricas e impedem que sejam construídas com os necessários reservatórios que garantiriam o fornecimento em períodos de estiagem prolongada, bem como demonizam a energia de origem nuclear, que se bem aplicada pode ser inteiramente segura e limpa. 

    Seria hilário não fosse trágico que esses naturebas radicais não fossem tão inocentes ou vendidos a causas incofessáveis de ONGs estrangeiras, fazendo campanhas propalando que “não precisamos de desenvolvimento econômico”, tudo isso em um país de consumo miserável.

    Certos políticos como uma candidata recente que sempre foi contra as hidrelétricas mas que agora certamente acusará e  alegará falta de planejamento governamental e “que não fizeram a lição de casa” e baboseiras do gênero se referindo a energia eólica ( na qual o Brasil hoje é o país com maior taxa de instalação no mundo) ou solar, âmbas necessárias como complementação, mas caras e com baixa capacidade de fornecimento de energia garantida.

    É pois necessária a construção de hidrelétricas com reservatórios adequados e de se estudar com urgência a implantação de parques de usinas nucleares, a não ser que alguns prefiram que o Brasil volte ao século 18.

  5. Usina nuclear

    Alexandre,

    Se boa parte da sociedade desconhece o que seja usina a fio d’água;

    acredita ou é levada a acreditar que a usina de energia nuclear representa o maior perigo que a humanidade conhece, mas não sabe que os que fomentam a idéia bizarra as utilizam às centenas, bem mais de 400 delas;

    não sabe que a energia hidráulica já tem data certa prá terminar;  

    acredita piamente que a eólica, solar e outras do time poderão permitir que mais de 200 milhões de pessoas liguem o interruptor e a luz apareça,

    é razoável imaginar que esta sociedade só aceitará, compreenderá a importância e utilidade da energia nuclear quando não der mais tempo prá nada, a não ser velas nas mãos. Isto compreendido, entrarão em cena as licenças ambientais que não terminarão nunca e a indústria de liminares, dois tópicos em que o brasilsil é campeão mundial.

    • Alfredo,
      estou de acordo que

      Alfredo,

      estou de acordo que há uma parcela signifactiva da população que acredita no discurso reinante sobre o papai noel e coelhido da páscoa energéticos. O idealismo e sua violência, conforme bem falou Nietsche, têm numerosos porta-vozes. Tentemos colocar a questão nuclear no debate, esclarecer sobre essa matriz e sua necessidade para o país. Tentarei postar mais material a esse respeito. No próximo, será sobre uma estimativa que fiz para a quantidade de material necessário para o armazenamento de energia. 

  6. não sei

    Pelo menos duas nações que investiam fortemente em  energia nuclear, Alemanha e Japão, pretendem hoje o abandono completo dessa opção. Também se pode imaginar uma matriz de desenvolvimento um pouco menos “energívora” do que as atuais. E sei que a questão não é simples, mas outro ponto é que se pode estabelecer compensações entre as inseguranças de diferentes matrizes inseguras (se as inseguraças são por fatores diferentes, e em geral são, a probabilidade de que todas falhem simultaneamente é menor, mas cada uma precisaria ser capaz de gerar excedentes). E ainda me parece haver muito a explorar em frentes como a biomassa, num país com tanta vocação agrícola. E não preciso rodar muitas usinas para que se detenha o know-how da área.

     

  7. Não consigo entender por quê

    Não consigo entender por quê o Brasil não adota o modelo australiano de estimular a instalação de painéis solares para captação de energia solar ,subsidiando a aquisição em cerca de 50% eo excedente de energia gerada é repassado e vendida para o sistema de distribuição.

    O faturamento é trimestral e ,dependendo do seu consumo no intervalo das !6h00 às 09H00 sua energia consumida pelo sistema de distribuiçãotem um custo muito baixo com consequente economia do consumir e ofertando uma maior quantidade de energia gerada pelas placas.

    Simples não é mesmo?

    O mesmo se dá com a instalação de calhas e tanques para captação das aguas da chuva,cujo sistema é também subsidiado pelo governo.

    Dessa forma há uma economia significativa para os consumidores,tanto na energia quanto no uso de água para fins específicos,como também para o sistema de energia ,onde ocorre uma maior oferta .

    Cabe ressaltar que tanto as placas com respectivos sistemas quanto as calhas e tanques tem seus valores muito baixo,comparativamente com os praticados no Brasil.

    Instalei um sistema de captação de energia no Rio de Janeiro,obviamente sem nenhum tipo de subsidio ,e o retorno do investimento que é alto, é ,no mínimo de 7 anos.Fato este que dificulta enormemente sua aplicabilidade.

    • Porque isso é
      Porque isso é insuficiente.
      Basta fazer uma conta no papel….

      Nucleares serão necessárias MESMO utilizando se TODO nosso potencial eólico E solar!

      A única fonte que concorre com nuclear e carvão. Informe se sobre geração a carvão e faça sua opção.

      Mas não me venha com factóides…. Porque solar e eólica NÃO concorrem com nucleares, serão exploradas simultaneamente.

    • Energia solar e eólica são

      Energia solar e eólica são “bonitinhas”, mas não produzem energia suficiente! Para vc ter uma ideia: Para gerar uma mesma quantidade de energia de uma usina nuclear que ocupa 50 ha, devemos preencher (desmatar) 25.000 ha com  usinas hidrelétricas, 5.000 ha com placas solares em lugares muito ensolarados, 10.000 ha para energia eólica em lugares com muito vento, 400.000 ha de biomassa plantada, 100 ha de usina de óleo e carvão!

      http://www.eletronuclear.gov.br/hotsites/eia/v01_02_caracterizacao.html

  8. Fora da midia

     E dos ecochatos, uma parte do Brasil trabalha sério, não apenas para alcançar o que falta do ciclo de combustivel nuclear em até 20% de U-235 ( UF-6), destinado ao submarino nuclear, como o projeto do RMB ( Retor Multiprpopósito Brasileiro ), em colaboração com a INVAP argentina, de até 30 MW, que não será destinado a fornecimento de energia, mas sim de tornar o Brasil autosuficiente na produção de radiofarmacos e radioisótopos de aplicações na industria, na agricultura e ciência dos materiais.

      O RMB será instalado, se tudo correr como o projetado e o financiamento não ser contingenciado, no final de 2018, na região de Sorocaba/Iperó (SP).

       Para maiores esclarecimentos: http://www.fundacaopatria.com.br ou o CTMSP ( Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo ).

       É bom que tais inciativas continuem desinteressando a “grande midia”.

  9. excelente…

    e pensar que Angra 2 já foi incluída entre as melhores do mundo (WANO)

    e mesmo assim, pela mídia que temos, segue praticamente esquecida, mas, detalhe, sem que tenha deixado de acompanhar os avanços tecnológicos

    futuro não será de quem produzir energia, mas sim de quem diversificar ao máximo a sua produção

    junte tudo que temos atualmente, acrescente a paranóia dos ambientalistas e de grande parte da sociedade, e veja que hoje já não temos energia suficiente

     

    • alguns átomos adiante, acredito…

      passaremos a ser tratados pela mídia como Irã

      à mídia só interessa que o Brasil produza para competir na dependência de uma única fonte de energia

      • E se VC quer saber como o
        E se VC quer saber como o Brasil vai virar Irã basta ler a parte relativa ao sub nuclear no Brazil Nuclear Kaleidoscope.

        Lá esta descrito como o Brasil vai virar bandido!

        Bom, vou te contar, hehehe.
        Eles querem inspeções alem de saber SEMPRE onde esta nosso submarino no mundo. Mas isso para manter o.mundo seguro, fique tranquilo.

  10. Presente,positivo e operante.

    Aqui no Ceará,estamos nos preparando para ajudar a suprir a demanda brasileira por energia com as seguintes fontes:termica,eólica,solar e nuclear.E isso é pra ontem.Saravá!

  11. Vai demorar, ah, vai…

    Temos uma imprensa vendida e um empresariado subalterno, com uma imensa síndrome de Capitão do Mato: nunca pensam nos interesses deles mesmos sem subordina-los ao Capital internacional. São algozes de seu povo, em beneficio dos grão-senhores estrangeiros, tal qual os mestiços de São Paulo que saiam a caçar índios para as fazendas dos primeiros períodos coloniais, antes de os substituírem por negros africanos, cuja cultura mais distante do neolítico facilitava a compreensão e ajuste (não estou dizendo aceitação, vejam bem) ao sistema escravista.

    Se nossa classe dominante é quase toda de sátrapas mais interessados em visitar a metrópole com frequência do que viver e prosperar aqui, como se pode ter alguma mobilização do Estado para investir em um modelo que nos posicionará, num futuro de algumas décadas, na condição de construir armas atômicas?

    Porque o grande império que hoje é a OTAN, consórcio cuja nação central são os EUA, não invadem e destroem a Rússia e a China? Ambos são claros candidatos a destruidores desse império, qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que isto está em seus corações e mentes, todo o tempo. Então porque não são destruídos? O custo de uma guerra convencional contra esses dois países seria muito menor do que o das inúmeras guerras por procuração que a OTAN vive lutando contra elas. A superioridade industrial e em armas convencionais do império ocidental sobre essas duas nações é gigantesca. E respeito a leis internacionais e convivência pacífica entre nações não é exatamente uma característica do Ocidente, provado pela História dos últimos 500 anos. Porque razão então não acabam com essa competição em que podem, ao fim e ao cabo, terminar como vencidos?

    Podem ser escritos milhões de livros sobre razões econômicas, financeiras, humanitárias, e todas as demais balelas citáveis. Mas a única razão verdadeira é a de que, assim como nos velhos tempos da Guerra Fria, a única coisa que detêm a mão dessas nações, o que as impede de apertar o botão vermelho e devastar esses competidores é a garantia de destruição mútua. Se apenas 0,1% das ogivas nucleares russas e chinesas explodirem sobre a Europa e os EUA, serão cerca de 15000 kilotons despachados na atmosfera em poucas horas, quiçá minutos. E a morte imediata de pelo menos um terço das populações do império. As melhores estimativas hoje indicam um mínimo de 3% a 5% de ataques efetivos, em média 40 vezes mais, cerca de 600 megatons espalhados por toda Europa e EUA. É a boa e velha MAD, Mutual Awarranted Destruction, o mais perfeito acrônimo da GF. E é isso que lhes detém o gesto.

    Imaginem agora um Brasil rico, pujante, com um empresariado que abandonou a postura de capitão do mato de seu próprio povo e que resolve investir em energia firme e segura, com domínio total do ciclo atômico. Quanto tempo levará para que essa elite compreenda que o Estado brasileiro só terá respeito (e concessões econômicas) do império se puder resistir militarmente a ele? E quanto tempo mais levará para entenderem que essa resistência só é possível se o império compreender que nos atacar significa ser destruído?

    Só quando essa vaca tossir é que teremos investimentos sérios e firmes em energia nuclear. E isso vai demorar, ah, vai…

  12. Alem de Chernobyl tivemos o

    Alem de Chernobyl tivemos o acidente mais recente em Fukushima no Japao.

    Eu concordo que a energia nuclear é uma fonte importante e pelo que sei o Brasil tem grandes reservas de urânio mas talvez a nossa agenda enérgetica pudesse estar mais centrada no pleno uso dos grandes reservatórios.

    Estamos usando mal nosso grande potencial hídrico e construindo usinas a fio d’agua por pressões ambientalistas.

    A sociedade precisa ser melhor informada a respeito deste assunto.

    • Nada a ver.

      Desde os anos 1970, os técnicos do Setor Elétrico estavam conscientes, de que na Amazônia, seria impossível construir reservatórios que conseguissem captar, o caudal amazônico das chuvas da região. Usinas de fio d’água eram recomendadas desde aquela época, para atender demandas sazonais, de indústrias eletrointensivas que se adaptassem a tal regime. Na Noruega e no Canadá existem usinas com regimes semelhantes, que fazem proveito na temporada de degelo. Os técnicos do Setor há muito conhecem tais experiências.  

    • Tem.

      Mas o ambientalismo é uma causa muito maior do que o Greenpeace, que é apenas um dos muitos e variados movimentos e organizações sociais em defesa da causa, Informe-se, não seja apenas mais um dos ignorantes que dão opiniões estúpidas, sobre o que não conhece. Ao conhecer, saberá reconhecer, dar valor e respeitar a causa.

  13. Energia saindo pelo ladrão também faz diferença.

    Brasil perde R$ 4,5 bilhões por ano com furtos e fraudes de energia elétrica

    21/05/2014 12:56 

    Cifra foi destacada por superintendente da Aneel, Marcos Bragatto, em debate no L.E.T.S. (A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.) http://www.fiesp.com.br/noticias/brasil-perde-r-45-bilhoes-por-ano-com-furtos-e-fraudes-de-energia-eletrica/

     

  14. BIOMASSA

    Na área de um reservatório para geração de hidroeletricidade, com biomassa, é possível produzir mais. No Brasil desperdiçamos o lixo orgânico, o bagaço da cana, restos de capim, etc e, tudo isso, gera energia. 

    Projeto para gerar energia a partir do eucaliptno numa região com pouca água: com a finalidade de discutir a viabilidade econômica e ambiental da construção de uma Termoelétrica movida a cavaco de eucalipto,

    • Já ouviu falar sobre

      Já ouviu falar sobre dioxinas? Informe se!

       

      Outra coisa é que renovável não é sinônimo de limpa. É limpa se vc considerar o mundo…mas localmente a história é bem diferente. gente vai morrer…sem acidentes!

  15. A história que se repete.

    Outro fator que mascara o aumento do consumo doméstico é a economia informal. É cada vez maior o número de pequenos negócios de fundo de quintal que usam energia residencial em atividades industriais ou comerciais. ( São Paulo, domingo, 4 de fevereiro de 1996          FOLHA DE SÂO PAULO  _ mercado     )                                                     

     

  16. Usinas Nucleares

    As Usinas Nucleares duram só 25 anos, contra a duração quase perpétua das outras usinas ( hidrelétricas, eólicas, solares.) Além do custo muito mais caro de uma usina nuclear, teríamos contra a construção deste tipo de usina o fato de que aqui no Brasil qualquer projeto de Engenharia é forçado a cortar ao máximo os custos, e a qualidade cai junto também.

    Se ocorresse um acidente numa usina nuclea, não seria como a queda do viaduto em MG onde morreram só dois motoristas, mas o saldo de mortos e de contaminados e feridos seria muitísimo maior.

    Com tanto litoral a disposição, e a existência de fontes de energias alternativas ( como a energia movida a ondas do mar, em Pecém).

    https://www.youtube.com/watch?v=rVQ-tL1WHfI

     

    • Usinas nucleares, as mais
      Usinas nucleares, as mais velhas, duram 40 anos. As novas 60.
      Nada dura para sempre, vá se informar um pouco mais e volte.

      O acidente a que vc se refere seria parecido com o de Fukishima?
      Lá houve fusão total do núcleo e ninguém morreu.

  17. Tecnologia ajuda evitar roubo

    Tecnologia ajuda evitar roubo de Energia

    Endoscópio Industrial para Roubo de Energia

    As ligações clandestinas de energia, conhecidas como gatos, estão cada vez mais sofisticadas. No Paraná, a principal arma para combater a fraude é a tecnologia. Até microcâmeras são usadas.

    Nesta reportagem, exibida no dia 25 de Fevereiro de 2014 pelo Bom Dia Brasil, é possível ver como o Boroscópio HDV600 ajuda a distribuidora a identificar esse roubo. A conta quem paga somos todos nós! Estamos de olho.

    http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/t/edicoes/v/tecnologia-ajuda-a-evitar-roubo-de-energia-no-parana/3171824/

    —————-

    Não perca mais energia com os Boroscópios Extech

    O Brasil perde aproximadamente 5 bilhões de reais em energia distribuída todos os anos. Essa perda representa 11% do total de energia distribuída. A principal causa é o furto de energia através de ligações clandestinas na rede elétrica.

    Na maioria dos casos, essas ligações ilegais não podem ser vistas porque elas ficam escondidas dentro dos eletrodutos, fazendo com que as concessionárias de energia tenham que fazer a inspeções nas entradas de serviços de residências e indústrias. Muitas concessionárias buscam soluções para este problema e a FLIR com a linha Extech de teste e medição apresenta o Boroscópio de alta definição HDV600 com câmeras de até 4mm e cabos de até 30 metros.

    Outra aplicação para boroscópios na área elétrica é a inspeção em transformadores. Essa aplicação é utilizada por todas as empresas que possuem subestação com transformadores de grande porte e não somente em concessionárias de energia. O boroscópio é utilizado para verificar as condições internas dos transformadores.

    O boroscópio Extech HDV600 de alta resolução é utilizado como dispositivo de inspeção remota. Ele pode ser usado para visualizar locais de difícil acesso através de vídeo com imagens em tempo real que podem ser gravadas.  Além das aplicações elétricas também é possível realizar inspeção de sistemas de HVAC, de em automóveis, roteamento de cabos, e inspeção de automóveis/barcos/aeronaves, manutenção mecânica, refinarias e uso policial. O monitor foi projetado com controle dual para a mão esquerda ou direita para uma flexibilidade máxima, e está disponível com uma linha completa de acessórios.

    Mais em: http://www.extech.com.br/instruments/product.asp?catid=55&prodid=651

  18. Excelente artigo. . .

    Excelente artigo, muito bem escrito, muito bem fundamentado. Concordo com o que foi dito e acho que não podemos abrir mão da energia nuclear, primeiro porque o país é rico em minérios radioativos e segundo porque ela causa pouco impacto ambiental. Contudo casos de desastres como o de Chernobyl e da Usina Nuclear destruída por maremoto no Japão causaram grande comoção e  em função disso alguns países tem incentivado fortemente as energias alternativas eólica e solar com muito sucesso, como a Alemanha que promete num médio prazo abandonar a energia nuclear em seu território.

    O Brasil tem um vasto território e poderia construir usinas nucleares em locais mais isolados, no interior do nordeste e do centro oeste, já que o sistema nacional é interligado. Isso evitaria maiores problemas em caso de acidentes.

    É urgente tambem reduzir os impostos para as placas de energia solar e de cataventos de energia eólica e facilitar a compra da sobra de energia  elétrica das  residências que se dispuserem a implantar esses sistemas.

    Acredito que ainda verei a maioria dos automóveis do mundo movidos com baterias de energia elétrica, que será abundante e barata, melhorando a qualidade de vida da humanidade e reduzindo a poluição atmosférica. 

     

    • Não caia no conto alemão, vc
      Não caia no conto alemão, vc esta sendo enganado.
      O plano alemão nada mais é do que a forma possível para explorar as reservas infinitas de carvão que onpaos possui.

      O plano alemão é desligar nucleares, substituir por carvão, uma vez que a ampliacão de eólicas e solares acabou, e esperar que novas tecnologias surjam.
      Um plano de fé, rsrsrs.

      Foi só a forma que a Alemanha achou para abdicar de suas metas de redução de emissão. Apos o anúncio alemão, outros paises seguiram pelo mesmo caminho anunciando que estavam abandonam do as metas. Mas os outros pelo menos o fizeram denforma honesta, sem enganarnseu povo.

  19. Acorda Brasil

    Quando sairmos  da inércia para cobrir o prejuízo sera muito tarde.

    Pelo menos seis usina do porte de Angra 2 já deveriam estar operando.

    O grande medo é da opinião pública fomentada por agentes externos pois enegia nuclear é tecnológia sensível de uso dual.

    Hoje pelo menos 10% da matriz deveria ser suprida por usinas nucleoelétricas. E apesar de sermos signatários de todos os acordos de salvaguardas internacionais, iinclusives aqueles que atententam contra a soberania nacional , continua-se estagnado na década de 1990.

     

    • O ideal seria construir mais
      O ideal seria construir mais duas ou três imediatamente. Seriam de geração 3+.
      E depois aguardar PORQUE estamos na beira de uma fronteira tecnológica.
      Novos reatores e tecnologias estão sendo desenvolvidos.
      A China esta testando todas as tecnologias em seus 28 reatores em construção. Todos Gen3+ e alguns com características gen4.

      O Brasil deveria escolher duas para desenvolver AGORA, como estão fazendo todos os países relevantes do mundo.
      Mas tem que fazer sozinho. Projetos e conceitos estão disponíveis, basta pagar!

      Mas os.militares TEM que sair.fora! !!

      • Exato, podemos construir

        Exato, podemos construir novas, com geração 3+, desenvolver tecnologia aqui, com projetos existentes e transferência de tecnologia. 

  20. “reatores mistos de fusão-fissão”

    Eu pergunto: onde é que existem tais reatores em operação comercial?

    O professor já respondeu a questão com sua própria premissa enunciada: “o combustível usado poderia…”

    Poderia se existisse tecnologia para isto. O professor faz aposta com algo mais grave do que ovo no cu da galinha, com o qual a sabedoria popular recomenda não contar. O lixo nuclear é um problemão que o professor procura minimizar, uma grossa sacanagem que se está aprontando com as gerações futuras.

    Uma usina nuclear tem uma vida útil máxima, com todas as prorrogações para validar seu funcionamento, até cinquenta anos, depois terá de ser descomissionada. O espaço de tempo de duas gerações, portanto. Alguns materiais do seu lixo radioativo levam milhares de gerações, para terem reduzidas apenas pela metade o seu potencial radioativo e ainda prosseguirão, perigosamente radioativos por outras milhares de gerações. É provável que se gaste mais energia para administrar o lixo nuclear, ao longo de milhares de gerações, do que a energia obtida em toda vida útil da usina, que beneficia somente duas gerações.

    Isso é uma falta total de compromisso ético com as gerações futuras, é a própria síndrome de Luis XV: “Depois de mim, o dilúvio”. Bem, o filho dele foi gulhotinado, talvez seja essa sorte que o professor deseja para seus descendentes.

    P.S.: Se a produção mundial de energia nuclear dobrar, as reservas de urânio serão suficientes para menos de cinquenta anos, a vida útil máxima de uma usina; se triplicar, muitas usinas ficarão paradas antes do final de sua vida útil; se quadruplicar, a maioria não conseguirá amortizar seus financiamentos. Nenhum desses três cenários seria suficiente, para prover toda energia elétrica atualmente demandada.

    • O cerne da questão é “ESTUDO, PESQUISA, CONHECIMENTO”.

      Meu caro, ao ponderar o “poderia”, esquece da ESSÊNCIA” do artigo, a busca do CONHECIMENTO, a pesquisa. Isto deve ser, ou deveria ser foco em todas as áreas. É este espírito de MEDIOCRIDADE que vê além do UTILITARISMO IMEDIATO é que me deixa indignado com o pensamento que prepondera na cabeça de grande maioria dos brasileiros (inclusive de muitos aqui participantes e preponderante em nossos políticos e doutos economistas).

      Ora se aplicamos, por exemplo alguns milhôes (o ideal seria alguns bilhões), em um projeto de colocar um satélite me órbita, ou mesmo um voo tripulado orbital, o que menos interessa é o passeio espacial ou o satelite em si, para qualquer finalidade que seja, o que interessa é a CADEIA DE CONHECIMENTO adquirido, o salto tecnológico que nossos engenheiros, nossa indústria se obriga a dar, isto sim tem valor INESTIMÁVEL para a nação (as admiradas potências desenvolvidas o são por terem esta visão).

      Se nos empenhamos no projeto de um Trem de Alta Velocidade (por exemplo o famigerado trem bala Rio-São Paulo), pouco me interessa se efetivamente o empreendimento de bilhões vai se pago em 20 ou 30 anos, se devemos esperar resolver todas as mazelas da pobreza, do SUS ou qualquer outra coisa que deva ser considerada prioritária, é discutível isto, pois considero que o Brasil de hoje, 7a ou 5a economia do planeta, tem massa crítica para qualquer emprendimento de ponta. O que me interessa, de novo é a CADEIA DE CONHECIMENTO gerada, o desenvolvimento de tecnologias de engenharia, de softwares, de funidição industrial, etc, necessária a tal projeto que são incorporadas definitivamente na nossa estrutura tecnológica e industrial, tornando mais fácil resolver as outras deficiências e dar saltos qualitativos na vida dos brasileiros. Quem tem mais capacidade de enfrentar, por exemplo a miséria, um Brasil que investe 100, 200 milhões por ano em tecnologia espacial e de satélites ou uma Índia que investe 2 a 4 bilhôes? Com certeza a Índia vai dispor de CONHECIMENTO e MASSA CRÍTICA INTELECTUAL que a vai levar por um caminho mais fácil e rápido, que o Brasil com sua mediocridade de visão, o mesmo dizemos da China, da Coréia, etc.

      Esta é a questão, o CONHECIMENTO.

      • E daí?

        Não precisamos de construir um mundaréu de usinas nucleares que não precisamos, para termos conhecimento sobre tecnologias nuclear. Há alternativas de muito menores custos e baixo impacto.

        A postagem propõe a energia nuclear como alternativa para a matriz energética nacional, procura minimizar as críticas feitas à energia nuclear, entre elas, a questão do lixo nuclear. Como solução para o problema do lixo nuclear, aponta para um tipo de usina que não existe em operação comercial.

        Não se faz planejamento nenhum, muito menos do parque energético de um grande país, com soluções inexistentes. Não podemos confiar que o problema do lixo nuclear será solucionado, por usinas que não temos certeza que venham a existir. Se alguém disser que o problema poderia ser solucionado, eu digo que ele permanece sem solução.

        Vamos supor que você seja fumante inveterado e beba imoderadamente. O que diz o seu médico? Que as consequências decorrentes desses hábitos poderiam ser resolvidas com alguma droga futura, ou recomenda que abandone esses hábitos, pois eles vão lhe trazer problemas? Não podemos confiar em “remédios futuros”, porque, uma vez que o futuro ainda não existe, o “remédio” também não.

        Agora, se você acredita que tecnologias, estudos e pesquisas resolverão todos os problemas humanos no futuro, eu lhe digo que com criogenia e avanços da medicina, as técnicas de ressurreição serão comuns no próximo século. Então, corra ao décimo andar e se jogue de cabeça; depois aguarde congelado sua ressurreição, que ela virá.

        • Seu desconhecimento sobre o
          Seu desconhecimento sobre o assunto é assombroso.
          Vc parece achar que material irradiado fica radioativo o que é ridículo.
          A vida útil da nova geração é de 60 anos…

          Lixo nuclear é assunto resolvido desde que forem desenvolvidos reatores de quarta geração. E já temos um operacional comercialmente.
          Entendeu? Não é mais assunto!

          • Google é seu amigo, procure
            Google é seu amigo, procure por reatores de 4 geração.
            Existem 6 tecnologias diferentes sendo pesquisadas.
            Uma das quais já esta disponível na Rússia comercialmente.

          • Pois é.

            Vai esperar que um chutador comprove seus chutes? Ele vai continuar aí dizendo que Tchernobyl é um jardim das delícias, de que não houve e nem há motivos para que a população dos seus arredores tenha sido evacuada, de que os europeus planejam inutilmente a construção de um segundo sarcófago de bilhões de dólares, de que não necessidade disso… enfim, que nada de grave aconteceu naquele acidente. 

          • E vc, seu insano, como o
            E vc, seu insano, como o pessoal do PSDB , continua a argumentar pelo que vc acha que as pessoas dizem.
            E por isso que vc ignora tudo o que é escrito. Já esta tudo explicado em sua mente insana.

          • A insanidade é toda sua.

            Seu calhorda mentiroso. Abaixo está a prova. Pego chutando sobre a operação comercial de plantas nucleares de quarta geração, você passa a resposta adiante, pedindo a quem lhe questiona investigar o que você não consegue provar que existe.

          • …fez eu perder 5min da minha vida porque sei que sua mente…

            O primeiro conceito de quem não entende nada de poha nenhuma é que algo irradiado NÃO fica radioativo, portanto, o lixo radioativo é apenas o próprio combustível utilizado. O combustivel utilizado, as varetas que ficam armazenadas nas piscinas das usinas, contém 95% de material físsil. Então 95% é de Uranio e plutônio e 5% apenas é o verdadeiro lixo.

            As novas plantas GEN4 utilizam estes 95% como combustível E com um rendimento MUITO maior. Alguns a uma temperatura elevadíssima o que permitiria a produção de HIDROGÊNIO.

            Estou sendo econômico sobre o que se espera dos reatores de IV geração. Dizem por aí que após seu desenvolvimento as minas de urânio podem ser fechadas. Além de fechar todas as minas de urânio do mundo, todas as minas de carvão TAMBÉM poderiam ser fechadas PORQUE esta geração de reatores PODERIA resolver o problema de produção de hidrogênio. E este sim seria a BASE da energia mundial tendo como dejeto  água.

            Mas vc não tem qualquer interesse neste assunto, não é mesmo? Uma pena. O bom mesmo é queimar bagaço de cana…rsrsrs.

             

            Achei de um veículo que vc acredita:

            http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/china-ativa-reator-nuclear-de-quarta-geracao

            “A China anunciou nesta sexta-feira a ativação de seu primeiro reator nuclear de quarta geração. A tecnologia pode reduzir a dependência de urânio importado que o país enfrenta e também minimizar a produção de lixo radioativo.

            O reator experimental é fruto de mais de 20 anos de pesquisa. Localizado nas redondezas de Pequim, ele tem capacidade de 20 megawatts, potência inferior aos da geração anterior (por ser um reator de testes), inaugurados recentemente no país, com 1.000 megawatts.

            O mais recente avanço tecnológico ocorreu em janeiro, quando os chineses conseguiram reutilizar varetas usadas de combustível nuclear em um reator experimental. O governo acredita que o procedimento ajudará a estender a vida útil das reservas de urânio para 3.000 anos, frente aos 70 anos previstos atualmente.

             

            Continuando com os links que vc diz não existir…

            A notícia do início da fábrica de combustível para o reator que não existe:

            http://rt.com/news/188332-mox-nuclear-fuel-production/

            The BN-800 uses liquid metal sodium (Na) as a coolant heat transfer agent. Commercial operation of the new reactor is planned to start in early 2015.

            Este é um reator GEN3+(de acordo com USA, os russos dizem ser GEN4) que usa lixo de outros reatores como combustível. É o primeiro de uma nova era. 

            Por ser RUSSO, o projeto não é aberto há outros. A rússia não submete seus projetos ao comite que classifica os GEN4 e desconfiava-se que este seria um simples breeder. Mas como venderam já dois para a China… para produção de energia utilizando MOX…

            O BN-1200, de 4 geração, começa a construção NESTE ANO para iniciar produção em 2020.

             

            Mais informações de veículos que vc preza:

            http://www.economist.com/node/15048703

            Aqui uma lista de tecnologias disponíveis:

            http://www.world-nuclear.org/info/Nuclear-Fuel-Cycle/Power-Reactors/Advanced-Nuclear-Power-Reactors/

            Estão misturados Gen4 e 3+. Há outro link que trata apenas de gen4 neste site.

            http://www.world-nuclear.org/info/Nuclear-Fuel-Cycle/Power-Reactors/Advanced-Nuclear-Power-Reactors/

             

          • Acho que quem leva a Veja a sério é você.

            Aliás, mais a sério do que a matéria mereceria, para ser considerada uma “prova” da existência de usina em operação comercial. Já no segundo parágrafo, tudo fica esclarecido: 

            “O reator experimental é fruto…”

            O que é experimental não está em fase comercial sacou a diferença ou é preciso desenhar?

            A matéria que aponta a seguir vai na mesma linha: “currently undergoing tests at the Beloyarskaya nuclear power plant”.

            Operação comercial mesmo, você não mostra nada.

            Você atribui aos meus comentários, palavras que não usei, para atacá-las como incorretas. Não há nada que escrevi acima, de modo afirmativo ou negativo, sobre materiais irradiados ficarem radioativos; a discussão não é esta. O que digo num segundo comentário, é que materiais submetidos a radiação de alta energia, vasos de contenção, por exemplo, podem sofrer fadigas e se tornarem mecanicamente frágeis.

          • Caro Almeida, eu estive em

            Caro Almeida, eu estive em Chernobyl, e sim, houve evacuação da população e é o mais grave acidente da história nuclear e deve ser levado a sério. O que digo é que  suas consequências não devem ser tratadas de maneira amplificada, fomentando uma cultura de mitologia e de medo que em nada contribuem para o avanço da civilização. O contrário, o obscurantismo, o “convencimento” pelo medo e a desqualificação pessoal ou profissional é que ao longo da história significaram o caminho da barbárie. Quanto a ser chutador, há uma distinção entre propor um rumo baseado em observação e dar um chute. Jovem, sugiro melhorar sua linha de argumentação, falta-lhe consistência intelectual, sobram ofensas… 

          • Prezado professor Alexandre,

            O qualificativo de chutador não foi dirigido a você, ao seu comentário, mas ao comentarista que afirma existirem em operação comercial usinas nucleares de quarta geração, sem especificar o endereço onde está, no tempo presente, em funcionamento a tal da usina. Palpite sem confirmação factual é chute.

          • “A vida útil da nova geração é de 60 anos…”

            A vida útil de uma usina, qualquer usina ou instalação industrial, é dado por desgaste e fadiga de material de todos os seus sistemas e subsistemas. A radiação pode contribuir para esse desgaste, principalmente os neutrons de alta velocidade. Não há uma vida útil pré-determinada, para nenhum equipamento. Após algumas décadas tudo é avaliado; tirando a parte da “caldeira” nuclear, o reator propriamente dito, quase todo resto dos equipamentos de uma usina nuclear, turbina, gerador, sistemas auxiliares diversos, etc., eles se assemelham a uma térmica convencional. Quando falo em cinquenta anos, falo em vida útil estendida após muitas avaliações. Na prática, nenhuma térmica convencional dura tanto tempo; são materiais submetidos a altas rotações e temperaturas idem; apesar do reator ser um equipamento ‘estático’, as temperaturas no seu interior são altas, isto pode afetar as peças dos seus sistemas de controle, sem falar da radiação que pode causar fadiga de materiais. Muitas usinas nucleares já foram descomissionadas, até mesmo emprazos inferiores a uma usina térmica convencional. O lobby das empresas que operam usinas nucleares procuram pressionar, para que as usinas sejam prorrogados ao máximo, por interesses óbvios; para retirar o máximo do equipamento instalado em campo, evitar novos  investimentos, embolsar o custo da depreciação, fugir dos custos de descomissionamento, etc. Quanto mais velho e desgastado permanecer um equipamento no campo, maiores serão os riscos de colapso e acidentes. Quanto aos geradores de quarta geração, não existe nenhum que esteja em operação comercial, você é incapaz de fornecer o endereço de qualquer um deles.

          • Esta na.mensagem que vc leu
            Esta na.mensagem que vc leu pela metade onde esta escrito que o reator Russo iniciará a construção em 2015.
            Em que ano estamos?

            Recomendo que leia a mensagem inteira!

            Sobre vida útil, é obvio que a.previsão de 60 anos de vida útil é com troca de equipamentos. Vc acha que Itaipu não vai trocar de turbinas? Quanto tempo vc acha que dura uma turbina eólica tomando vento salgado?
            A extensão da vida útil se da pura e simplesmente SE for economicamente viável. Esta é a única variável, não existe outra variável.

            O mesmo se aplica a hidroelétricas, turbinas eólicas, painéis solares …e etc.
            Se se pagar, se o capital tiver retorno, é extendida a vida útil, simples assim.
            Se não, será descomissionado e pronto. Qual a polêmica?
            Vc parece encarar isso com preconceito ideológico ou talvez religioso.

      • Wsobrinho, “tamo junto”! Você

        Wsobrinho, “tamo junto”! Você entendeu meu ponto, a necessidade de criarmos conhecimento, agregar valor aos nossos produtos, etc! E tenho convicção de que a energia nuclear pode contribuir para isso pela solução de uma demanda concreta da sociedade brasileira.

    • Caro Almeida,
      a palavra

      Caro Almeida,

      a palavra “poderia” refere-se ao fato de que sou um cientista e me agradam as soluções ainda não postas, para que eu possa construir o conhecimento necessário a elas. Equivoquei-me por utilizá-la neste espaço. Isto posto, vamos para as soluções atuais e concretas. Por exemplo, uma opção para o combustível usado é deixá-lo nas piscinas,como é feito em várias usinas, ou, como no caso da França, reprocessar (reciclar) o combustível usado e colocá-lo de volta em reatores para produzir energia.

      Outra possibilidade é a construção de repositórios geológicos(http://en.wikipedia.org/wiki/Deep_geological_repository). A Suécia pretende enterrar o combustível usado (http://www.nei.org/News-Media/News/News-Archives/Sweden-Picks-Location-For-Its-Used-Fuel-Repository) e consiste numcaso interessante, pois a escolha do sítio do repositório ocorreu após uma competição entre duas cidades. É que seus habitantes estudaram e a partir disso puderam tomar uma decisão educada a respeito do assunto. 

      Por fim, há os reatores de quarta geração, já citados pelo Athos…..

      Pessoalmente, considero que a opção de enterrar é equivocada pois *acredito* que seja possível encontrar uma solução técnica para a reciclagem desse material, senão por minha geração, pelas próximas. Tenho o hábito de confiar na capacidade da espécie humana de encontrar soluções tecnológicas para seus problemas. 

      Quanto ao PS de vosso texto, não sofro de “maniqueísmo” (ou seria nazismo?) intelectual ou energético para propor uma única alternativa. Seria insano de minha parte. Todavia, considero que cada matriz têm seu papel e o papel de matriz de base pode ser desempenhado muito bem pela energia nuclear. Por óbvio, outras matrizes devem ser usadas e seria intelectualmente imaturo propor qualquer tipo de purismo num assunto como esses. Mas sim, meu coração é exclusivamente Corinthiano!

      Por fim, uma acusação que educadamente chamarei de infeliz: minha ética! Meu compromisso com minha prole é o de sua preservação, por óbvio! Quanta insanidade pensar o contrário! Ao educar os meus, tenho plena convicção de que o faço visando munir-lhes de ferramentas que os permitam solucionar os problemas que enfrentarão. E tenho confiança no meu taco de que conseguirão. 

      Portanto, minha pergunta, será ético tratar as próximas gerações como um grupelho de bonecos inaptos para solucionar os novos problemas a serem enfrentados pela civilização?

      PS – isso não implica pensar que devemos simplesmente apertar o f* e justamente por isso penso que a energia nuclear é uma opção “sustentável”.

       

       

       

       

      • Prezado professor Alexandre,

        Antes de mais nada, aceite minhas desculpas pelo tom infeliz e provocativo, a respeito da sua ética e do seu compromisso com sua prole. Não era esta minha intenção, de personalizar essa crítica a sua pessoa. Eu queria chamar a atenção para uma crítica a presente “civilização” industrial, que busca um “progresso” a qualquer custo, aqui e agora, e demonstra total descompromisso com as gerações futuras.

        A questão do lixo nuclear é um legado muito duro e bastante perigoso que estamos deixando para as gerações futuras. Não as vejo como ” grupelho de bonecos inaptos”, até porque considero esta geração que está emergindo, como a mais educada e informada que jamais tivemos. Dito isto, esclareço mais minhas concepções.

        Não acredito que o avanço da civilização deva ser medido pela régua do progresso tecnológico. A tecnologia para mim é aplicação do conhecimento científico intermediado pelas relações sociais, está submetida a lógica da economia e condicionada pela política. De modo algum a tecnologia é algo neutra, ela carrega inclusive boa dose de ideologia, para lhe emprestar um verniz autojustificativo. A tecnologia nuclear é um exemplo acabado disto que estou a falar.

        O primeiro reator nuclear foi desenvolvido dentro de um projeto bélico, com a finalidade de desenvolver um apetrecho de poder; a primeira aplicação prática da tecnologia nuclear foi para a exibição geopolítica, para marcar a emergência de uma superpotência; depois é que veio o papo de aplicações com fins pacíficos e toda cascata por demais conhecida. Ninguém nunca assumiu publicamente que quer desenvolver energia nuclear, para ter bombas, todos são “pacifistas”, querem desenvolver energia nuclear e enriquecer urânio para finalidades “pacíficas”.

        Tecnologia no mundo profissional em que eu precisava apresentar soluções, sempre foi aquela que podia ser obtida na hora no mercado; podíamos acompanhar a evolução das soluções, emprestar apoio para aquilo que ainda não estava plenamente desenvolvido e que, uma vez desenvolvido, nos trouxesse vantagens; mas quando era premente dar a solução, tinha que ser com o que estava na “prateleira” pronto. Por isso que digo que não se pode planejar com tecnologias “futuras”; um médico jamais avia uma receita com pílulas que surgirão daqui a cinco anos; alfaiates que costuram com tecidos imaginários, “futuros”, vão deixar o rei nu.

        Em minha adolescência, fui um radical tecno-otimista, mas o tempo me curou disto, ainda jovem comecei a compreender a tecnologia com uma abordagem social necessária e a entender suas limitações; não acredito que haja tecnologia para solucionar tudo, inclusive as questões propriamente tecnológicas.

        Um abraço, renovo meu pedido de desculpas  e desejo a felicidade de sua prole.

        P.S.: O pessimismo é uma atitude prudente, o otimismo extremo é um caminho seguro para a imprudência. Aprendi no meu curso secundário, com um velho professor de física, numa aula prática de laboratório, o primeiro enunciado Lei de Murphy que ouvi: se uma coisa pode dar merda, ela dará. Não há tecnologia infalível, dessa coisa extremamente imperfeita, quase inviável (ainda guardo uma esperança com a criatura), que é o ser humano. Os três mais graves acidentes nucleares da história, aconteceram em países com altíssimo nível de desenvolvimento tecnológico. Toda discussão da energia nuclear passa por isto: se a sociedade está suficientemente esclarecida e disposta a correr o risco da energia nuclear. Eu desconfio que ela está muito aquém do mínimo de informação para decidir.

  21. https://jornalggn.com.br/fora-

    https://jornalggn.com.br/fora-pauta/brazil%E2%80%99s-nuclear-kaleidoscope-an-evolving-identity Leitura obrigatória para quem se interessa pelo programa nuclear brasileiro!

     

    Há o que acredito ser.algumas pequenas imprecisões a respeito de Chernobyl.

    O número de cânceres foi superior a 4k.

    O numero de 4k é o aceito pela comunidade científica para óbitos por cânceres decorrentes do acidente.

    O número é irrisório comparado as decorrentes da geração a carvão por exemplo que é o concorrente direto da.fonte nuclear.

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