5 de junho de 2026

Setor elétrico: pagando por quem não paga, por Roberto Pereira D’Araujo

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Enviado por Ronaldo Bicalho

Do Instituto Ilumina

Setor elétrico: pagando por quem não paga

por Roberto Pereira D’Araujo

As redes sociais reclamaram muito da decisão de transferir as perdas comerciais das distribuidoras que “caíram no colo” da Eletrobras para a conta dos consumidores que pagam suas contas. Na realidade, apesar de ser um “bolsa kWh” de estados com situações complexas não previstas, isso já ocorre em todas as distribuidoras do país.

Mas, e se nós mostrássemos que estamos pagando também o bolsa kWh dos ricos? E não é do cara que faz gato! Quer entender?

Não bastassem os milhares de exemplos em outras áreas, o Brasil convive com absurdos tranquilamente. Aqui vai mais um.

  • O gráfico abaixo mostra uma linha azul, que é a geração total das usinas hidráulicas do sistema e uma linha vermelha, que é a “oferta” de energia elétrica associada a essas hidroelétricas.
  • Como se pode perceber, as hidráulicas geraram sempre acima da sua “oferta” até 2013. “Pintamos” esse período de azul.
  • De 2013 até 2018, as hidráulicas geraram bem abaixo da sua “oferta”. Pintamos essa diferença de amarelo.
  • Estamos falando de uma forma de geração que significa 70% da capacidade instalada!!
  • Para se ter uma ideia do tamanho desse déficit pós 2013, ele é equivalente a 10 usinas como a de Furnas, ou a 12% do consumo total do país!

  • Esse déficit pode ter sido provocado por 3 causas distintas.
  • O clima pode estar mudando e há uma crise hidrológica radical.
  • Como o sistema brasileiro têm grandes reservatórios, o esvaziamento pode ter sido provocado pelo uso excessivo de geração hidráulica.
  • Pode estar ocorrendo a necessidade de mais usinas do que as que existem.

Não há muito o que fazer na hipótese 1, mas, manter o mesmo critério de “oferta” que existia no passado é algo inaceitável. É exatamente isso o que estamos fazendo.

Na hipótese 2, que fica evidente pelo período pintado de azul, essa vantagem da geração hidráulica foi inteiramente capturada pelo mercado livre. Aí está o bolsa kWh dos ricos. No período azul, que se estendeu de 2003 até 2012, o mercado livre pagou o kWh muito mais barato do que os não livres. Houve momentos onde o preço de referência chegou a ser 40 vezes mais barato do que o nosso.

A hipótese 3 é a prima irmã da hipótese 1. Se a “oferta” está superestimada, precisamos de mais usinas. É o óbvio que ulula inutilmente no BRasil!

  • Essa situação provoca prejuízos bilionários às usinas e as distribuidoras.
  • Além disso, nessas situações, o mercado livre, prefere abandonar sua “liberdade” e recorrer a advogados. A inadimplência no ambiente de livre escolha, tenta jogar para os que não tiveram escolha, o fim da festa da energia quase gratuita.
  • No total, estimam-se prejuízos acumulados da ordem de R$ 50 bilhões.
  • Essa conta vai acabar sendo despejada na tarifa de energia brasileira que já bateu todos os recordes de aumento.
  • Em qualquer país com um mínimo de preocupações republicanas, nenhuma empresa, seja geradora ou distribuidora seria vendida, pois evidentemente há um defeito monstruoso no modelo, e, enquanto essa confusão não for esclarecida, NADA FEITO!
  • Mas, república? Aqui? O Brasil, convive com esse e outros absurdos como se fosse algo normal.

Ronaldo Bicalho

Pesquisador na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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