21 de junho de 2026

A cartada suja do falso ‘antissemitismo’, por Luis Felipe Miguel

O objetivo é óbvio: impedir o debate, silenciar as vozes humanitárias, uma vez que defender as ações de Israel é moralmente impraticável.
Gaza - Catholic Church England - Flickr

A cartada suja do falso ‘antissemitismo’

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por Luis Felipe Miguel

Na mais grave ameaça às liberdades nos Estados Unidos desde o macarthismo, a Câmara aprovou uma lei que criminaliza as críticas a Israel.

O objetivo assumido é ampliar a repressão contra os estudantes que tomam os campi das universidades estadunidenses para denunciar a cumplicidade de seu governo com o genocídio que ocorre em Gaza.

Como não basta a pressão dos milionários sobre as reitorias ou as ameaças de grandes corporações, de que não contratarão formados nas instituições sublevadas, agora querem facilitar a expulsão dos ativistas.

Trata-se, basicamente, de transformar em texto legal a velha e desonesta manobra que equivale antissionismo a antissemitismo.

É o que faz com que os protestos contra o genocídio em Gaza e em solidariedade ao povo palestino sejam classificados como “antissemitas”.

O objetivo é óbvio: impedir o debate, silenciar as vozes humanitárias, uma vez que defender as ações de Israel é moralmente impraticável.

Antissemitismo é o ódio dirigido aos judeus por serem judeus. É uma forma de racismo.

Antissionismo é a oposição ao empreendimento colonial de Israel na Palestina, que causou e continua causando sofrimento, privação de direitos, miséria e morte a todo um povo. É uma forma de humanismo.

São obviamente duas coisas muito diferentes – tanto é que muitos judeus são antissionistas militantes.

A lei aprovada nos EUA define como “antissemitismo”, por exemplo, comparar Israel à Alemanha nazista.

É algo em que os sionistas insistem – não por acaso, já que a comparação faz cada vez mais sentido.

Estar contra o sionismo é como estar contra o nazismo: um imperativo moral absoluto.

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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3 Comentários
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  1. Jicxjo

    10 de maio de 2024 10:18 am

    A República Democrática da América do Norte segue com seu fechamento de regime.

  2. Antonio Uchoa Neto

    10 de maio de 2024 10:39 am

    É preciso ir além dos ‘anti’-o-que-quer-que-seja, e investigar as palavras pós-anti: semitismo, sionismo, nazismo.
    Semita refere-se aos descendentes de Sem (ou Shem), o que equivale aos hebreus, os assírios, os aramaicos, os fenícios e os árabes. Portanto, o antissemitismo como ódio aos judeus, somente, é um constructo histórico e cultural, usado, hoje, e na verdade, monopolizado por Israel, para fins de ganho político e de propaganda.
    Sionismo refere-se ao direito do povo judeu de restaurar sua nação e território – o que, em si, nada tem de extraordinário ou incomum. É uma doutrina concreta, racional, e institucional, vazada em termos jurídico-legais. No entanto, a base sobre a qual se assenta mais esse constructo, é mítica, ou mitológica: a concessão do direito a essa terra específica, genericamente chamada de Palestina, por um ente sobrenatural, Deus, (como se fosse, igualmente, uma questão jurídico-legal, estabelecida e reconhecida por todos, conforme Josué, capítulo VI), verbatim, direto do Antigo Testamento. O fato de esse livro ser sagrado para apenas um dos lados, é irrelevante (sic).
    Nazismo é, basicamente em seu sentido pós-histórico, moral, a consagração da superioridade racial; qualquer semelhança com um Deus que não é escolhido por um povo, mas escolhe um para si – com base, talvez, em algum tipo de superioridade, senão tecnológica ou psíquica, talvez moral… – não é mera coincidência.
    O curioso é que, e esse é um fato 100% renegado pela historiografia ocidental oficial, os nazistas foram levados ao poder sob o beneplácito generalizado de ingleses e franceses, preocupados com os russos, e a possibilidade de uma revolução comunista na poderosa Alemanha – o que, pelo menos até 1919, era uma possibilidade plausível – sendo bem vista, então, a subida de Hitler ao poder. Os desdobramentos geopolíticos dessa ascensão não foram levados em conta, ou interpretados erroneamente, mas essa é outra história.
    Também é um fato amplamente ignorado pela mídia corporativa, que o controle de recursos naturais (gás e petróleo, presentes no território e mar de Gaza), é o verdadeiro fator de interesse do Ocidente nessa pequena porção de terra. Assim, Bibi é, hoje, um Hitler (por qualquer ângulo que se queira olhá-lo), usado para defender os ‘direitos’ da Europa e das grandes corporações americanas, que estão de olho na exploração desses recursos; e não apenas por razões econômicas, mas geopolíticas, também, representando a possibilidade de utilização desses recursos em futuras guerras com os países ‘hostis’ aos interesses ocidentais naquela região.
    Enquanto isso, enganam os tolos com diversionismos religiosos, culturais, etc; os ‘anti’.
    Quem vai vencer essa guerra? O vencedor de sempre: o Capital.

    1. Emília WR Silva

      11 de maio de 2024 8:50 pm

      Discordo do final. Essa guerra o capital ocidental não vencerá. Neste momento, o capital está dividido. A parte ocidental, controlada pelos EUA e por Israel, não terá forças para conter a força do capital do mundo multipolar. Cedo ou tarde os EUA terão que se conformar em ser apenas mais uma das muitas grandes e poderosas nações e ceder à criação de uma moeda mundial, sem vínculo específico com país nenhum.

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