Obama venceu uma batalha

E começará agora um um ciclo pró-Democratas.

São vários os sinais de que finalmente, pela primeira vez desde Truman-1948, um presidente (no caso uma presidenta) Democrata sucederá a outro Democrata.

Apesar dos pesares, com a batalha de Obama versus os Republicanos nisso do orçamento e endividamento, Obama saiu ganhando. O apoio a candidatos democratas nas pesquisas para as parciais de 2014 (lá a Câmara é renovada na metade em anos alternados) está em 46%, mas o apoio a candidatos Republicanos caiu proporcionalmentein mais, atualmente em 41%. Isso deve ser confrontado com os cerca de 55% de votos válidos que Republicanos receberam em 2010 e 2012 (quando tomaram de Obama a maioria que este teve em 2008.)

O Obamacare começou em 01-out, não sofreu os cortes de gastos que levaram ao fechamento de parques, etc e conquistaram algo que Obama desconfiava: parte dos eleitores Republicanos começou a apoiar. Isso sai na imprensa de lá, em história parecida (mas mais rápida) à do Bolsa-família aqui. Ainda há um gap de 10 pp entre os que aprovam e desaprovam o programa, mas essa diferença já foi de 17 pp (início de 2010) e, passada a turbulenta implantação, poderá voltar a ser de cerca de 5 pp, como na época da reeleição de Obama. 

Obama, tido como vascilante, parece que colherá, enfim, os frutos de permanecer com um discurso do começo ao fim em alguma coisa. No fim e ao cabo, são boas as chances dos Democratas retomarem a maioria na Câmara (já a têm no Senado), senão já em 2014 um pouco mais a frente, em 2016.

Já não é mais muito importante, agora que quase metade da população vive em jurisdições (estados) com união civil homoafetiva e casamento gay, mas como, regularmente e desde 2008, Obama fez pelo menos um discurso ao ano do lado certo da História nas questões LGBT, é bem possível que tenha ganho a simpatia de LGBTs para os Democratas por muito tempo (o que inclui aqueles que são de famílias republicanas.)

Simpatia que já se verifica em minorias em geral, pois é sólida a preferência, em níveis ao redor dos 2/3, às vezes mais que 80%, junto a judeus (~1,5%), latinos (~10%), asiáticos (~5%), afroamericanos (~10%), mulheres e jovens. E provavelmente islâmicos (~0,5% da população, contidos em asiáticos) também.

O único subsegmento onde Republicanos ainda têm sólida vantagem é junto a homens brancos e a partir de uma certa idade. E não poucos destes podem gostar justamente do Obamacare, pela redução de custos com apólices de saúde e/ou benefícios fiscais.

Hillary deve se eleger em 2016. As pesquisas lhe dão de 1 a 29 pp de vantagem em relação ao (mais provável) republicano Christie e outros candidatos, em todos os cenários pesquisados desde março passado:

http://www.realclearpolitics.com/epolls/2016/president/2016_presidential_race.html

E, ainda por cima, dois republicanos (nos EUA juízes têm preferência partidária) da Suprema Corte serão substituídos por democratas nos próximos anos, dando a maioria aos Democratas também no Judiciário.

Embora no exterior predomine a visão de que ‘tudo nos EUA é direita e pronto’, e de fato é assim no que se refere a estamentos econômicos institucionais e política externa, as campanhas eleitorais de lá abordam uma variedade muito maior de temas que no Brasil (onde os grandes partidos profissionais apenas discutem gestão.)

Aí poderão vir aumentos de impostos (em consumo, posto que a alíquota máxima nos EUA, para IR, já é de 39%, versus 28% no Brasil), o que normalmente significa automação da máquina de guerra (o percentual de pessoas nas FFAA como proporção da população é decrescente desde os anos 1950) mas também contratações no setor público (os EUA tem maior percentual de funcionários públicos que o Brasil) e/ou investimentos em educação, pesquisa e, evidentemente, na recuperação da infraestrutura e saúde, gargalos já muito evidentes.

Livres de eventuais acusações de ‘legislar em causa própria’, posto que alguns conservadorismos locais afetam fortemente os jovens negros e/ou latinos (não esquecendo que Obama teve pai e padrasto estrangeiros), novas discussões sobre maconha, redução do Estado Penal e documentação de imigrantes devem aparecer.

Até a reconcentração de renda, em progressão assustadora desde os anos 1980, muito embora ainda não tenha atingido os níveis dos BRICS, poderá entrar em pauta.

Esse favoritismo de Hillary não é novo, já era previsível desde set/2012: https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/as-grandes-chances-de-obama-em-2012-e-democratas-em-2016 (sugere-se este artigo por apresentar a demografia, e não a economia, como fator relevante.)

#progressaurismopira, mas é assim que as coisas se dão.

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7 comentários

  1. Gostaria de ver ele fazer o

    Gostaria de ver ele fazer o que fez, com a nossa confuza, mas muito olhuda, Oposição! Onde houver gringo, estou fora! Sou mais os de língua latina

  2. Obama querer taxar os mais

    Obama querer taxar os mais ricos é lindo, Haddad fazendo o mesmo com o IPTU é demagogia, assim pensa boa parte da mídia brasileira simpática aos Democratas.

    • Obama não está propondo

      Obama não está propondo aumentar impostos. Ja o aumento do IPTU atinge especialmente a classe media, para os ricos não faz diferença. O aumento do valor de uma casa onde se mora não significa aumento de renda do morador.

  3. E daí que o IRPFde lá é 39%?
    E daí que o IRPFde lá é 39%? Na Alemanha é de 42% … na Finlândia acima de 60%….

    Não existe o nenhuma lei universal dizendo qual deve ser a alíquota máxima de IRPF em cada país, e os EUA é certamenteum lugar onde existe espaço para aumentar os impostos sobre ricos e super-ricos.

    • Existe esse espaço sim

      Até os anos 1980 havia uma alíquota máxima de 45%. Em lei ainda existe, mas desde a Reagonomics e as acomodações de Clinton, houve a redução de impostos para os mais ricos (o que ao longo do tempo levou a reconcentração de renda) e isso só voltou a ser discutido agora.

  4. A informação que possuem mais

    A informação que possuem mais funcionários públicos que nós desarmaria muita gente (embora caiba fazer outras análises além da numérica)

  5. Pois é, ironicamente, nos EUA

    Pois é, ironicamente, nos EUA o governo Obama é considerado extremamente esquerdista, pois tende a uma maior intervenção do Estado e à redistribuição de renda via taxação e programas sociais.

    Por isso, é bom que ele esteja tendo sucesso contra os ultraconservadores. É o avanço possível naquele país, assim como o governo de coalizão do PT é o avanço possível no Brasil.

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