O ex-prefeito da Grande Manchester Andy Burnham, tornou-se oficialmente o primeiro-ministro do Reino Unido nesta segunda-feira (20), após se reunir com o rei Charles 3º no Palácio de Buckingham. Sétimo chefe de governo britânico nos últimos dez anos, o líder do Partido Trabalhista assume o cargo em meio a uma crise interna na legenda, substituindo Keir Starmer, que renunciou após meses de pressão devido à queda do padrão de vida no país e ao avanço de plataformas anti-imigração.
Apelidado de “rei do Norte” pelo período em que governou Manchester, Burnham centralizou seu discurso de posse na promessa de realizar o “maior reequilíbrio de poder” das regiões britânicas, transferindo competências de Westminster para autoridades locais. O novo premiê indicou que a medida é uma resposta ao crescimento de partidos como o Reform UK, de direita, liderado por Nigel Farage, e o Partido Verde, de esquerda, em comunidades negligenciadas.
“Estamos unidos e colocamos o poder que emana dessa unidade a serviço das pessoas e dos lugares que esperam há muito tempo que a política lhes permita voltar a ter esperança“, afirmou Burnham a parlamentares e dirigentes da sigla. Em pronunciamento em Downing Street, ele declarou ainda que o cuidado com as pessoas estará no centro de suas ações e que pretende traçar um plano de dez anos para o país.
Transição e pressões econômicas
A troca de comando ocorre três dias após Burnham ser confirmado como líder dos trabalhistas, em uma votação protocolar na qual obteve o apoio de 379 dos 403 deputados da legenda. Ele era candidato único para suceder Starmer, que governava desde julho de 2024. Ao oficializar sua saída, o ex-premiê defendeu seu legado de dois anos. “Saio com elegância, com um sorriso e orgulhoso de tudo o que conquistamos“, disse Starmer, garantindo apoio integral ao sucessor.
O novo governo assume sob forte pressão econômica. Desde 2024, o salário médio semanal dos britânicos, descontada a inflação, tem registrado crescimento inferior a 1%. Em seus primeiros pronunciamentos, Burnham colocou o custo de vida como prioridade e defendeu maior controle público sobre bens essenciais para conter a inflação.
Aliados à esquerda e analistas independentes apontam que o novo premiê enfrentará dificuldades estruturais caso não altere a política econômica herdada da gestão anterior, criticada por setores do próprio partido por suposto alinhamento a interesses corporativos.
Desafios fiscais e política externa
Além da agenda interna de descentralização, Burnham assume sob cobranças de organizações não governamentais para reverter cortes na ajuda humanitária internacional. Sob a gestão de Starmer, o Ministério das Relações Exteriores reduziu em 43% as verbas de cooperação internacional em três anos, uma redução superior a £ 1 bilhão, para priorizar gastos com a defesa nacional.
Entidades setoriais alertam que os cortes afetam severamente programas de assistência em regiões de conflito e países da África Subsaariana. O governo britânico tem defendido a estratégia sob o argumento de buscar maior eficiência na aplicação dos recursos públicos de desenvolvimento global.
A oposição de direita reagiu com críticas à posse. Nigel Farage, do Reform UK, que obteve sete cadeiras na Câmara dos Comuns nas últimas eleições, classificou o discurso de Burnham como “totalmente vazio” e afirmou que o trabalhista assume o cargo sem mandato popular direto.
Perfil do novo premiê
Formado em filologia inglesa pela Universidade de Cambridge, Andy Burnham iniciou a trajetória parlamentar em 2001. Ocupou postos de destaque nos governos de Tony Blair e Gordon Brown, incluindo a chefia do Ministério da Saúde entre 2009 e 2010. Após derrotas nas disputas pela liderança do partido em 2010 e 2015, migrou para a política regional.
Eleito prefeito da Grande Manchester em 2017 e reeleito em 2021, Burnham projetou-se nacionalmente durante a pandemia de Covid-19, quando protagonizou embates públicos com o então primeiro-ministro conservador Boris Johnson por mais verbas hospitalares para a sua região. Ele retornou ao Parlamento em junho deste ano após vencer uma eleição suplementar em Makerfield, pavimentando o caminho para o comando de Downing Street.
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