Com o Partido Popular (PP), a direita venceu as eleições gerais da Espanha neste domingo (23), mas não conquistou a maioria das 350 cadeiras no Parlamento, mesmo em eventual acordo com o Vox, de extrema-direita.
Os próximos dias serão fundamentais para saber se uma coalizão será formada, o que por enquanto está no ar. Se não houver maioria absoluta entre os partidos, a Espanha terá de organizar novas eleições em alguns meses. As negociações estão intensas.
De acordo com prerrogativa constitucional, o rei Felipe VI deve propor ao Parlamento o candidato que, a seu ver, deve ser o chefe do governo e nesta segunda ele afirmou que as consultas aos partidos para a formação do governo terão início a partir de 17 de agosto.
Na manhã desta segunda-feira (24), com 99,63% dos votos apurados, o PP ficará com 136 cadeiras e o Vox com 33. Resta a essa provável coalizão atrair os 28 parlamentares catalães independentistas, o que mais uma vez, como em 2019, não deverá ocorrer na totalidade das cadeiras.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, ficou na segunda colocação nas eleições gerais e assume 122 cadeiras no Parlamento. A coalizão Sumar, de esquerda, ficou com outras 31 cadeiras. Na atual legislatura, os catalães compõem com o PSOE.
Extrema-direita derrotada
O centro da disputa esteve desde o início entre o PSOE e o PP, liderado pelo conservador Alberto Nuñez Feijóo. A Espanha adota o sistema parlamentarista, no qual os eleitores escolhem Parlamento, e ele formaliza o novo líder.
Por isso as eleições deste domingo representaram também mais uma derrota para a extrema-direita no mundo. Nas eleições de novembro de 2019, o grupo conseguiu 52 cadeiras no Parlamento, perdendo 19 assentos neste domingo.
A derrota acabou sendo importante para arrefecer os ânimos da direita. Até a última segunda-feira (17), a média das pesquisas mostrava que o PP poderia obter entre 131 e 151 assentos. Já o PSOE poderia conquistar entre 98 e 115.
O que não significa que a extrema-direita está morta na Espanha. Ao contrário, o Vox passa a ser fundamental para o PP conseguir maioria e ter o primeiro-ministro – o que o pode levar ao governo (leia abaixo). Mesmo assim, a esquerda e a centro-esquerda se movimentam
Formação de governo
Os resultados das eleições deixam no ar a formação de um governo: embora o PP tenha vencido, a resistência do PSOE e da Sumar frustrou sua maioria com o Vox. Os independentistas podem ser decisivos neste contexto.
O ex-deputado Jaume Asens está negociando com o ex-presidente catalão Carles Puigdemont, em nome da Sumar, e a vice-presidente Yolanda Díaz, para viabilizar o renascimento do governo de coalizão, segundo o jornal El País.
A direção do grupo catalão Junts afirmou nesta segunda que o preço que sua formação põe para facilitar a investidura do presidente Pedro Sánchez passa pela “anistia e autodeterminação” da Catalunha.
O ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero respondeu que “o referendo de autodeterminação não cabe na Constituição”. Os espanhóis chamam de investidura a contrução da coalizão para um novo governo.
Sanchéz descartou a possibilidade de repetir essa investidura no encontro com a direção de seu partido para analisar os resultados: “esta democracia encontrará a fórmula da governabilidade”, afirmou, segundo fontes do PSOE ao El País.
PP e Vox
Por outro lado, caso uma coalizão se concretize entre PP e Vox, será a primeira vez que a extrema-direita espanhola comporá o governo desde a promulgação da Constituição de 1978, elaborada ao fim da ditadura de Francisco Franco.
A Coligação Canária que está aberta a negociar com qualquer candidato que se apresente à posse, mas não o apoiará se incorporar “a extrema-direita” ou a “extrema-esquerda” no governo, segundo a sua deputada eleita por Santa Cruz de Tenerife, Cristina Valido, declarou à Rádio Marca.
“Vamos negociar com quem quiser apresentar a investidura, mas se incorporarem a extrema esquerda ou a extrema direita em seu governo, não podemos votar a favor da investidura. Dissemos isso ao longo da campanha e agora não podemos fazer ou dizer mais nada”, disse Valido.
Críticas aos resultados eleitorais
De dentro da coalizão Sumar, a líder do Podemos, Ione Belarra, criticou os resultados: “Desistir do feminismo e tornar o Podemos invisível não funcionou eleitoralmente”.
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