do Observatório de Geopolítica
A ilha perdida, por Felipe Bueno
Num tempo em que cada lado briga por centímetros quadrados de um acordo que pode se tornar histórico entre América Latina e Europa, num momento em que nações alegam entendimentos diferentes sobre como descrever o que acontece na Ucrânia, sempre é bom refletir sobre com quem estamos lidando.
Poderíamos falar das duas grandes Guerras Mundiais. Ou do esfacelamento da Iugoslávia. Ou da Guerra dos Cem Anos. As cruzadas. A reconquista. As invasões bárbaras. Ou toda a violência cometida pelo Império Romano.
Os exemplos são muitos.
Mas nada me diz mais sobre a visão europeia das relações internacionais que a história da disputa pela Ilha Ferdinandea.
O episódio seria patético, digno de uma conversa de balcão de bar, se não envolvesse grandes potências e risco de conflito armado.
O tal “território”, também conhecido como Banco de Graham ou Julia, é uma ilha vulcânica cujo ponto mais alto está, atualmente, cerca de dez metros abaixo do nível do mar. Fica no Mediterrâneo, entre a Sardenha e a Tunísia.
Mas eis que em 1831, como havia acontecido outras vezes na História, por obra da Mãe Natureza, uma erupção resultou no surgimento de uma área acima da linha da água. Sua dimensão máxima alcançou 4km2.
Inicialmente foi vista por navegadores britânicos. Ato contínuo, como era costume acontecer, o Reino Unido se julgou proprietário do recém-nascido pedaço de terra e anunciou ao mundo a boa nova.
Na sequência, baseada na proximidade territorial, veio a contestação: a ilha deveria fazer parte do Reino das Duas Sicílias – a Itália unificada como conhecemos hoje ainda não existia.
Logo vieram os interesses do Império Francês e do Reino da Espanha. Tudo por um pedaço de magma solidificado.
Talvez prevendo que outras guerras piores aconteceriam em breve, a supracitada Mãe Natureza resolveu intervir: menos de seis meses depois da “descoberta”, a ilha retrocedeu, voltando ao silêncio submarino.
Por não haver mais objeto de disputa, todos os lados envolvidos voltaram aos seus gabinetes e foram cuidar das próprias vidas.
Como escrevi acima, a briga pela Ferdinandea – assim chamada em homenagem ao então ocupante do trono do Reino das Duas Sicílias, Fernando II – é um exemplo didático da capacidade de conflito das nações europeias. Fica, insisto, a reflexão sobre com quem estamos conversando.
Também, claro, é conveniente refletir sobre quem somos, nós, os latinoamericanos, mas é muita angústia para um texto só. Vamos pensar. E concluímos mais adiante.
Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.
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José de Almeida Bispo
21 de julho de 2023 7:17 pmMeu pai contava um história sobre um indivíduo ladrão profissional. Mas tão profissional que quando não estava exercendo a profissão ficava de treinar dentro de um pequeno roçado próprio: deixava o chapéu num toco alto, e depois ia se esgueirando até alcançá-lo o simular seu roubo. As tribos europeias só não viveram de roubar quando juntas à força por um poder maior. Para tomarem de assalto em larga escala e em conjunto. Logo, alianças como as criadas pelo antigo Império Inglês, e depois repassado à mega empresa na América, para assaltar os Iraques da vida sempre existiram. Com a Europa Ocidental e seu filho dileto, os Estados Unidos, nem com arsenal russo dá pra confiar; que dirá com apenas militares golpistas da América Latina.