Morreu nesta segunda-feira (12) o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, aos 86 anos. Desde sexta-feira, o fundador do Força Itália, partido de direita que hoje dá sustentação ao governo de Georgina Meloni, da ultradireita, estava internado no Hospital San Rafaelle, em Milão.
Em abril, Berlusconi passou a fazer tratamento para combater a descoberta de uma leucemia mielomonocítica, um tipo de câncer, e precisou ser internado na sexta por conta de complicações da doença.
O câncer levou o ex-premiê, empresário e presidente por três décadas do time de futebol Milan a ficar internado durante 45 dias, ainda em abril, e de lá para a saúde de Berlusconi e com o corpo fragilizado estava com dificuldades para andar.
Considerado um populista da direita conservadora, Berlusconi se notabilizou por desempenhar, já no começo da década de 1990, a caricatura de outsider que neste período atual levou Donald Trump e Jair Bolsonaro às presidências de seus países.
Como os seus correlatos atuais, Berlusconi acumulou frases racistas, sexistas, se portava como o novo combatendo o velho, respondeu a mais de 30 processos judiciais sob todo tipo de acusação e levou a Itália a passar vexames internacionais com esse comportamento.
Trajetória política
Eleito para o Senado em 2022, o político estava desde 2013 fora do Parlamento por ter sido condenado por fraude fiscal. Também acumulou críticas com declarações públicas controversas e até mesmo atos obscenos – certa vez simula ato sexual sem consentimento em uma policial, que estava de costas.
Nada disso, porém, impediu uma trajetória bastante vitoriosa. Berlusconi foi quatro vezes primeiro-ministro, entre a década de 90 e primeira década dos anos 2000, cinco vezes obteve mandato na Câmara, duas vezes no Senado e outros dois no Parlamento Europeu.
Apoio à extrema-direita
Mesmo com o seu partido, o Força Itália, terminando em quinto na última disputa eleitoral, com 8% dos votos, Berlusconi conseguiu emplacar no governo de Meloni o vice-premiê e chanceler da Itália, Antonio Tajani.
Melani, por sinal, aos 31 anos, foi secretária de Juventude do primeiro mandato de Berlusconi como primeiro-ministro, em 1994, numa ação política de normalização da extrema-direita italiana.
Na ocasião, Berlusconi autorizou que o Movimento Social Italiano (MSI), formado no pós-guerra por ex-integrantes da ditadura de Benito Mussolini, entrasse em um ministério pela primeira vez.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
12 de junho de 2023 3:19 pmAcabaram as famosas festas bunga bunga berlusconianas. Isso é realmente trágico. Apesar de todos seus defeitos, que eram muitos, Berlusconi fazia a Itália retornar às suas raízes profanas e orgiásticas. A politica italiana ficará mais triste e menos lascívia. O retorno da monotonia e do moralismo cafona causará prejuízos ao turismo? Suponho que sim.
Sílvio Berlusconi não era genocida como Jair Bolsonaro, nem tampouco ameaçava os outros países com uma chuva de mísseis nucleares como Donald Trump fez no caso da Coreia do Norte. O relacionamento dele com Lula era bom e proveitoso.
Berlusconi não mandou seus seguidores invadir um Tribunal italiano, nem tentou ficar no poder quando perdeu sustentação parlamentar. Ele não era moralista e sim um putanheiro assumido.