5 de junho de 2026

Taxa do cheque especial pode chegar a 256% ao ano

Após os gastos extras de dezembro, o consumidor deve redobrar o cuidado neste início do ano para não cair na armadilha do cheque especial, pois as taxas cobradas pelos bancos podem chegar a 256,33% ao ano. Foi o que constatou levantamento da PROTESTE Associação de Consumidores realizado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), ao levantar os CETs (Custo Efetivo Total), cobrados por seis instituições para o consumidor que utiliza esta modalidade de crédito.

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A maior taxa foi encontrada no Citibank, de 256,33% ao ano; seguida pelo Santander, de 234,64% ao ano. Estes números são cerca de duas vezes maior à taxa praticada pelo Banco do Brasil, de 110,70% ao ano, que foi a menor encontrada; seguida pelo HSBC, com 234,07%.

Caso o consumidor utilize R$ 500 do cheque especial com CET de 250%, e deixar rolar essa dívida por um ano, chegará ao final de 12 meses devendo mais de R$ 1,7 mil – valor quase três vezes maior do que o original. Por ser um crédito pré-aprovado, o cheque especial é uma das principais causas de endividamento dos brasileiros.

Durante o levantamento, houve dificuldade para obter informações. Na Caixa Econômica Federal a atendente alegou que, por ser um dado “sigiloso”, o CET só podia ser informado na agência com o gerente. A burocracia e a falta de transparência dos bancos na divulgação das taxas desrespeita a resolução do Banco Central e impede a comparação entre as instituições financeiras. O CET deve ser informado antes da contratação e deve incluir todos os custos como juros, tarifas e encargos.

Foram levantados os CETs de seis instituições financeiras (Banco do Brasil, Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú e Santander).

Veja o comparativo das taxas do cheque especial por banco:

TAXAS ANUAIS (em %)

Contratação requer cuidados

O cheque especial é uma das operações de crédito mais caras do mercado. Por isto, a PROTESTE orienta o consumidor a ter cautela e o serviço deve ser a última opção a ser procurada em caso de dificuldades financeiras. Uma alternativa é recorrer ao crédito pessoal, cujas taxas de juros são mais baixas.

É melhor é substituir a dívida do cheque especial por outra, como a do crédito pessoal, com juros menores e um prazo de pagamento mais longo para quitar o débito dentro das condições do orçamento. E mesmo o crédito pessoal deve ser usado com cuidado e planejamento.

Caso tenha que apelar para o cheque especial, a PROTESTE recomenda utilizar o recurso por poucos dias e nunca contratar sem saber antes o Custo Efetivo Total, cuja informação é obrigatória, de acordo com determinação do Banco Central.

Há consumidores que recorrem ao cheque especial por não resistir ao apelo do consumo e  acabam comprometendo o orçamento com gastos que poderiam ser adiados ou planejados. A PROTESTE alerta que o limite do cheque especial não pode ser considerado como extensão do salário. A conduta dos bancos costuma induzir o consumidor a esse entendimento, uma vez que as instituições costumam listar o limite do cheque especial no extrato como parte do saldo. Os juros cobrados pelo serviço costumam ser debitados automaticamente na conta corrente. É uma verdadeira cilada que pode levar ao endividamento.

O consumidor também pode pedir o cancelamento do cheque especial a qualquer momento.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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