16 de junho de 2026

Acordo entre EUA e Irã é “frágil” e denota fortalecimento iraniano no Estreito de Ormuz

Pacto tenta conter crise de preços nos EUA, mas esbarra na resistência de Israel e na consolidação do controle geopolítico de Teerã
Imagem: Pixabay

O recente acordo assinado de forma virtual entre os Estados Unidos e o Irã, que visa interromper as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz, é classificado como “provisório, frágil e nebuloso” pelo analista de relações internacionais e doutor em Ciência Política, Pedro Costa Junior. Em análise sobre o cenário geopolítico durante entrevista ao jornalista Luís Nassif, o especialista aponta que o pacto, desenhado para durar inicialmente 60 dias, foi assinado pelo presidente americano Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo líder iraniano do Congresso, com previsão de uma assinatura presencial por parte de Vance na próxima sexta-feira. No entanto, a viabilidade prática da medida permanece sob forte incerteza devido à postura de Israel e às complexas condições impostas no Golfo Pérsico.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A fragilidade do acordo reside, fundamentalmente, na ausência de consenso com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. A Guarda Revolucionária Iraniana estabeleceu como condição indispensável para o entendimento a interrupção dos massacres e bombardeios promovidos por Israel no sul do Líbano. Contudo, no próprio dia da assinatura virtual, Netanyahu declarou publicamente que não pretende interromper as operações militares e que não faz parte do tratado, minimizando as divergências com Trump como meras discordâncias familiares. Como o conflito envolve diretamente a aliança entre Washington e Tel Aviv contra Teerã, a falta de anuência do líder israelense ameaça fazer com que o acordo se evapore rapidamente, deixando Trump em um duelo de forças para tentar enquadrar o aliado, explica Costa Junior.

“Irã sai mais forte”

Por outro lado, o desfecho das negociações aponta para um fortalecimento do papel do Irã na região. Segundo Pedro Costa Junior, os Estados Unidos saem mais fracos desse processo, enquanto o governo iraniano se consolida ao manter o controle sobre o Estreito de Ormuz. Teerã sinalizou que aceita reabrir a via marítima, mas sob um regime de controle estrito que inclui a imposição de tarifas e pedágios financeiros sobre as embarcações. Essa posição coloca a potência americana em uma situação de extrema dependência das decisões iranianas para normalizar o fluxo de mercadorias.

Os impactos práticos dessa crise afetam diretamente a economia doméstica dos Estados Unidos, sendo este o principal fator de pressa para Donald Trump. O custo de vida no país disparou com a alta dos alimentos, do diesel e da gasolina, pressionando o orçamento dos cidadãos americanos. Embora o anúncio do acordo tenha provocado uma redução imediata no preço do barril de petróleo, o valor da commodity ainda se mantém 15% mais alto do que o registrado em fevereiro, antes do início do conflito. Além disso, a reabertura do Estreito de Ormuz não trará alívio imediato: existem atualmente mais de 500 embarcações paradas na região e, devido à necessidade de organização do tráfego sob as novas regras iranianas, o escoamento levará tempo, garantindo que os preços nos EUA continuem elevados no curto prazo.

O debate detalhado sobre os desdobramentos dessa crise internacional ocorreu durante a transmissão ao vivo do programa TV GGN 20 Horas, conduzido pelo jornalista Luís Nassif. O bate-papo contou com a participação especial da jurista e doutoranda Luciana Bauer, que trouxe relatos diretamente dos Estados Unidos sobre o impacto do custo de vida e a impopularidade de Trump. O programa também tratou do ingresso da Advocacia-Geral da União no processo judicial da rede social americana Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Assista:

Nota da redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transformar o conteúdo original produzido pela equipe de jornalistas e analistas do canal TV GGN em reportagem para este portal. Os textos são revisados por um editor antes de sua publicação, para garantir a veracidade e correção das informações.

Leia também:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados