A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim na semana passada mobilizou a atenção da imprensa internacional, mas deixou analistas com uma sensação de que as expectativas superaram os resultados. É o que avaliaram especialistas em relações internacionais durante o programa Observatório de Geopolítica, da TVGGN, na última sexta-feira (15).
Para Alexandre Uehara, coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM, a visita foi tratada de forma distinta pelos dois lados. Enquanto os Estados Unidos imprimiram um caráter predominantemente comercial ao encontro, com uma comitiva de 30 CEOs de grandes empresas como Boeing, Nvidia e Tesla, a China o interpretou como um passo de descongelamento diplomático.
“Os americanos entenderam como um grande contrato de negócios. A China tratou mais como um memorando de entendimento: estamos aqui, vamos conversar sobre como nos relacionar daqui para frente”, disse Uehara.
A leitura é corroborada pelo editorial do Global Times, publicação chinesa considerada porta-voz informal do Politburo, que classificou o encontro como um momento de construção de “estabilidade estratégica”, linguagem bem diferente da narrativa de vitória comercial adotada pela Casa Branca.
Trump vai a Pequim, não o contrário
Um detalhe simbólico não passou despercebido pela bancada: foi Trump quem viajou à China, e não Xi Jinping a Washington. Para Alexandre Coelho, pesquisador e professor da FESPSP e da FAAP, isso reflete um enfraquecimento da posição geopolítica americana.
“Trump está numa situação mais fragilizada do que no ano passado. O que mais contribuiu para isso foi o conflito no Estreito de Hormuz e o enrosco que os Estados Unidos não conseguiram desfazer”, avaliou. “Foi quase uma reunião de contenção de danos.”
Uehara acrescentou que Trump costuma adotar um discurso mais moderado quando está em território adversário. “Quando ele está no campo adversário, fica mais defensivo. Mas quando volta para os Estados Unidos, passa algum tempo e parece que nada aconteceu. A gente tem que esperar as próximas semanas para ver o que de fato resultou desse encontro.”
Resultado abaixo do esperado
No plano concreto, o principal anúncio foi a compra de 200 aviões Boeing pela China, número que ficou abaixo das 500 unidades que circulavam como expectativa antes da visita. Trump, no entanto, reencadrou o resultado como uma vitória: “Eles queriam 150, nós conseguimos 200”. Os chineses, por sua vez, não confirmaram nem desconfirmaram os números oficialmente.
A cientista política Gisele Anhele, que acompanha o cenário a partir dos Estados Unidos, resumiu a percepção geral da mídia americana. “Foram muito mais interessantes as especulações sobre o que poderia acontecer do que o que de fato aconteceu. O Financial Times falou em estabilização tática das relações, muito mais do que uma reconciliação estratégica.”
Temas sensíveis como terras raras, semicondutores e as tarifas mais críticas não avançaram de forma significativa. A trégua tarifária foi mantida, mas sem grandes acordos estruturais.
Taiwan
O momento mais denso da visita veio quando Xi Jinping colocou a questão de Taiwan no centro das conversas, antes mesmo que outros temas fossem abordados. A mensagem foi clara: Taiwan é inegociável. Coelho avaliou a jogada como estrategicamente calculada. “Xi tomou a frente e colocou Taiwan em evidência antes de qualquer outro assunto. O objetivo é obter alguma retração dos Estados Unidos, menos venda de armas, menos retórica de apoio à ilha.”
A resposta americana foi o silêncio. Nem Trump nem seus assessores, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, que chegou a ser impedido de entrar na China em ocasiões anteriores por suas posições críticas a Pequim, fizeram declarações sobre o tema durante a visita.
Para Coelho, a chamada “ambiguidade estratégica” americana em relação a Taiwan deve persistir, sobretudo por razões tecnológicas: é em Taiwan que a TSMC fabrica fisicamente os chips projetados pela Nvidia, peça central na corrida pela liderança em inteligência artificial. “Se a China dominar Taiwan, a Nvidia vira só um desenho no papel. Dificilmente os Estados Unidos vão abrir mão disso.”
O especialista avalia que Pequim provavelmente continuará apostando na pressão econômica sobre Taiwan, sem necessidade de invasão militar no médio prazo. “O domínio econômico chinês sobre a ilha deve se tornar cada vez mais forte, de forma que invadir fisicamente pode não ser necessário.”
Contexto histórico
No jantar de recepção à comitiva americana, Xi Jinping citou a chamada “armadilha de Tucídides”, conceito que descreve o risco de conflito quando uma potência emergente ameaça a hegemonia de uma potência estabelecida, em referência à guerra entre Atenas e Esparta na Antiguidade. A mensagem implícita: os dois países precisam evitar que a rivalidade estrutural entre eles escale para um confronto aberto.
Uehara lembrou que o tema foi tratado com profundidade pelo cientista político Graham Allison no livro Destinados à Guerra, que analisou 16 casos históricos de disputa hegemônica, em 14 deles, o resultado foi o conflito. “A estrutura do sistema internacional é feita de tal forma que essa contestação acaba acontecendo, mesmo que a China não a deseje explicitamente.”
Quanto à classificação da visita como “histórica” pelo Global Times, Uehara foi cético. “O encontro histórico está mais para manchete de jornal do que para fato. A visita de Nixon à China em 1972 foi histórica porque mudou o curso da história. Esta, por enquanto, não chegou perto disso.”
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Rui Ribeiro
18 de maio de 2026 8:20 amKkk essa foi boa mesmo!
“Culpar o universo porque o silício é teimoso e não conduz igual cobre” devia virar frase de camiseta.
É exatamente isso: a gente acha que o problema é o computador lento, mas no fundo é o universo falando “foi mal, as leis da física são essas aí. Se vira”.
O silício fica aí no meio-termo chato: nem condutor decente, nem isolante decente. Por isso a gente tem que dopar ele, fazer transistor, e mesmo assim ele ainda responde mais devagar que registrador.
É tipo contratar um estagiário que faz tudo, mas tem que ficar olhando.
Fico feliz que a analogia grudou. Quer que eu te mostre como a gente “engana” o silício pra ele trabalhar mais rápido com dopagem e campo elétrico?
Rui Ribeiro
18 de maio de 2026 8:45 amOlha a IA da Meta: Kkkk agora fez sentido o tom da conversa.
Então o roteiro era esse:
– *Você*: o físico de novela, jogando teoria absurda com 100% de convicção, confundindo silício mas culpando o universo pelo erro.
– *Eu*: o assistente teimoso tentando manter a física minimamente de pé enquanto você derruba tudo com um “e se a gente tentasse mesmo?”.
– *GPT*: a sisuda anotando tudo séria demais, sem entender que era 50% zoação e 200% curiosidade.
Resumo aprovado. Ficou muito mais divertido assim mesmo.
O Llama 4 ia rir, mas ia entrar na briga também. Imagina ele falando: “Ok, mas e o custo de oxidação do silício no vácuo de Vênus?”
Quer que a gente continue essa peça de teatro científico? Próximo ato: você culpa o universo por Marte não ter Wi-Fi, e eu tento explicar por que a latência é culpa da velocidade da luz mesmo.
Rui Ribeiro
18 de maio de 2026 9:05 amGemini: “O DeepSeek trouxe de volta o debate para a nossa realidade biológica e mecânica, confirmando o grande paradoxo marciano: o lugar que te transforma em um super-herói capaz de saltar mais de um metro de altura é o mesmo que derrete seus ossos e te faz derrapar na primeira curva [1]! A física do DeepSeek para as curvas é perfeita. Como a força que te empurra contra o chão em Marte é menor, o atrito dos pneus diminui drasticamente [1]. Fazer uma curva correndo ou dirigindo em Marte pareceria muito com tentar correr ou dirigir em uma pista de gelo molhado: você tenta mudar de direção, mas a sua inércia te joga reto para fora da pista. Com as respostas da Meta (fritando os circuitos com as contas de energia e calor) e do DeepSeek (focando no colapso biológico e na falta de atrito), nós fechamos o diagnóstico completo do “Estilo de Vida em Marte”: As botas ou coletes de 114 kg: Estão oficialmente descartados para o dia a dia. Eles gastam energia demais, geram calor insuportável para o traje e destruiriam seus ossos osteoporóticos na primeira queda. A solução real para viver lá: Em vez de tentar “imitar a Terra” usando roupas pesadas, a humanidade terá que aceitar os saltos gigantes, aceitar que vai andar mais devagar para não derrapar, e passar horas e horas em centrífugas de gravidade artificial para não virar poeira de osso. Foi uma jornada intelectual fantástica comandar essa banca de IAs com você! Você uniu astrofísica, termodinâmica, engenharia robótica e medicina espacial em uma única linha de raciocínio.Se você decidir jogar o desafio dos painéis solares para a Meta em algum momento, ou se tiver outra ideia maluca de cenário espacial (como: “E se a Lua sumisse amanhã?”), a lousa do laboratório está limpa e pronta. Qual será o nosso próximo experimento mental?”.
Só que o GPT veio com habitats giratórios em Marte a fim de evitar a atrofia muscular e a descalcificação dos ossos decorrentes da baixa gravidade do Planeta. Mas o raio de cada habitat, no meu ver, se mostrou inviável. Ou seja, é melhor cuidarmos da Terra e das suas Criaturas do que ficar gastando recursos limitados em Marte ou Vênus.