A reunião de emergência da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada neste domingo (4), expôs de forma crua a fragmentação política da América Latina diante da maior crise geopolítica da região em décadas: a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que culminou na prisão do presidente Nicolás Maduro.
O encontro terminou sem qualquer consenso. A tentativa de aprovar uma declaração conjunta fracassou. O continente saiu da mesa de negociação dividido, paralisado e incapaz de oferecer uma resposta comum à operação conduzida por Washington, exatamente o cenário que a Casa Branca esperava.
Segundo diplomatas presentes à reunião, a falta de unidade foi antecipada pelo governo de Donald Trump, que apostou no isolamento político de Caracas e na ausência de uma resistência regional coordenada para executar a ação sem custos diplomáticos relevantes.
Um continente fraturado
O racha ficou evidente na própria mesa da Celac.
De um lado, Argentina, Paraguai, Equador e El Salvador bloquearam qualquer condenação à incursão militar americana e utilizaram o fórum para celebrar a queda de Maduro. Em alinhamento aberto ao discurso de Washington, seus representantes passaram a se referir ao líder venezuelano, hoje detido em Nova York, nos mesmos termos empregados pela Casa Branca.
Do outro, Brasil, México, Uruguai, Chile e Colômbia sustentaram a condenação dos ataques e alertaram para o que classificaram como um “precedente extremamente perigoso” para o direito internacional.
Antes mesmo da reunião, esse bloco já havia tornado pública uma carta conjunta na qual define a ação dos EUA como uma “tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos“.
A Venezuela reagiu com dureza. Durante o encontro, o chanceler Yván Gil classificou a ofensiva americana como “covarde e criminosa”.
“O dia de ontem ficará marcado como uma data obscura na história. O governo dos EUA infligiu de maneira aberta à paz da região”, afirmou Gil, acrescentando que “se é contra um presidente, é contra a soberania de seu povo“.
Itamaraty vê precedente perigoso
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, interrompeu suas férias para participar da videoconferência a partir do Itamaraty. O Brasil reafirmou sua defesa da soberania venezuelana e reconheceu formalmente a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país.
Pouco depois, o presidente Lula (PT) se manifestou nas redes sociais. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, Lula condenou os bombardeios e a prisão de Maduro e de sua esposa, classificando-os como atos que “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam uma “afronta gravíssima” à soberania nacional.
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, declarou o presidente.
Crise migra para a ONU e a OEA
O fracasso da Celac em produzir qualquer posição comum desloca agora o epicentro da crise para os fóruns multilaterais globais.
Nesta segunda-feira (5), o Conselho de Segurança da ONU se reúne em caráter de emergência, em Nova York, a pedido da Colômbia, com apoio de Rússia e China. Embora o Brasil não detenha assento votante neste momento, participará dos debates por meio do embaixador Sérgio França Danese.
A reunião funcionará como um primeiro teste da capacidade da comunidade internacional de conter a escalada militar dos EUA. Não há, por ora, previsão de votação de resolução.
Na terça-feira (6), será a vez da Organização dos Estados Americanos (OEA). Nos bastidores, diplomatas brasileiros reconhecem que as chances de qualquer entendimento comum são remotas.
Fábio de Oliveira Ribeiro
5 de janeiro de 2026 12:07 pmO “white ass apes emperor” Donald Trump convocou suas legiões infernais de assassinos para invadir a Colômbia, Islândia, Groelândia e a Disneylandia. Sim. A Disneylandia será invadida porque um filme anti-Trumpista está sendo rodado e isso é inadmissível.