As Marinhas de China e Rússia vão realizar, ainda neste mês, manobras militares conjuntas em águas e no espaço aéreo do leste chinês, anunciou neste domingo (5) o Ministério da Defesa da China.
O exercício acontece num contexto de tensão crescente entre Estados Unidos e China por causa de Taiwan, ilha que o governo de Xi Jinping considera parte de seu território e pretende anexar. Na semana passada, Pequim voltou a cobrar de Washington “máxima cautela” em relação ao tema.
Segundo o comunicado chinês, as manobras ocorrerão no Mar Amarelo, nas proximidades da cidade de Qingdao, embora datas exatas não tenham sido divulgadas. Depois dos exercícios, tropas dos dois países devem seguir para áreas do Oceano Pacífico, onde farão patrulhas marítimas conjuntas.
O Ministério da Defesa chinês classificou o exercício como uma prática anual, cujo propósito seria “enfrentar conjuntamente desafios de segurança e manter a paz e a estabilidade regionais”. A aproximação militar entre Pequim e Moscou tem se intensificado nos últimos anos, impulsionada por um alinhamento cada vez maior dos dois países diante da polarização com os Estados Unidos.
A China mantém monitoramento constante de Taiwan com navios de guerra — uma presença que Pequim descreve como patrulhas destinadas a “garantir a soberania territorial chinesa”, mas que costuma elevar as tensões na região.
Aulas anticomunistas
Diante do temor de uma invasão chinesa, Taiwan intensifica suas medidas de defesa. Uma delas: o Ministério da Defesa taiwanês anunciou neste domingo a retomada de aulas patrióticas de caráter “anticomunista” para os formandos de sua academia militar, prática suspensa havia 25 anos.
A decisão responde ao aumento percebido nos riscos militares e nas tentativas de infiltração por parte da China. Uma autoridade de Taiwan relatou à agência Reuters uma nova escalada na atividade naval chinesa ao redor da ilha.
De acordo com o comunicado das Forças Armadas taiwanesas, é preciso que os formandos “compreendam claramente as ameaças à segurança nacional” e assimilem a missão militar de entender por que e por quem lutam, de modo a ter clareza sobre quem são aliados e quem são adversários.
Esse tipo de campanha remonta à Guerra Fria, quando Taiwan promovia amplamente alertas sobre os chamados “bandidos comunistas” da China continental, país que reivindica a ilha como parte de seu próprio território. A versão formal dessa educação “anticomunista” para militares havia sido descontinuada em 2002, quando passou a ser chamada simplesmente de “educação patriótica”.
*Com informações do g1.
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