28 de junho de 2026

Chomsky questiona o que os EUA fariam se o México entrasse em aliança militar com a China 

A hipótese foi levantada por Noam Chomsky ao ser questionado sobre a razão da Rússia se opor à entrada da Ucrânia à Otan
Professor Emérito do IMT, Chomsky alerta para as ações da Otan no Leste Europeu desde o início dos anos 2000. Foto: MIT

Imagine o noticiário trazendo a informação de que o México decidiu aderir a uma aliança militar liderada pela China. Ato contínuo, o gigante asiático declara que a aliança enviará armamentos pesados para suprir uma base a ser montada no país da América do Norte. 

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A hipótese foi levantada durante entrevista ao Times Radio pelo linguista e sociólogo americano Noam Chomsky, que questiona: “qual seria a reação dos Estados Unidos (EUA) a isso?”. Chomsky é Professor Emérito em Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (IMT, na sigla em inglês).

O renomado pensador fez essa reflexão ao tratar da reação da Rússia às intenções de a Ucrânia aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). “Você sabe o que ocorreria com o México: seria arrasado”. Questionado se estaria comparando a Otan à Rússia e à China, Chomsky foi enfático. 

“Não, não estou. A Otan é uma organização militar muito mais agressiva. Invadiu a Iugoslávia, invadiu a Líbia, ajudou a invadir a Ucrânia e ajudou a invadir o Afeganistão. No Ocidente não é permitido pensar assim porque todos nós devemos estar alinhados ao partido (em referência ao livro 1984, de George Orwell)”, disse. 

Início dos anos 2000    

Essa não foi a primeira análise feita à imprensa por Chomsky acerca do tema. No início dos anos 2000, ele já alertava a opinião pública para o avanço da Otan no Leste Europeu. Para ele, naquela época, a Rússia vinha cobrando diplomaticamente a Otan, mas logo trataria de outra forma o assunto.   

Em outras palavras, o professor do IMT se mostrava preocupado com as consequências da política de expansão da Otan para países que compunham a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e do próprio Império Russo, derrubado em 1917 pelos bolcheviques.

Um avanço que leva à Rússia o mesmo tipo de ameaça bélica e à soberania que, na hipótese levantada por Chomsky ao Times Radio, levaria aos EUA a entrada do México em uma aliança militar exógena aos interesses da Casa Branca. Para Chomsky, não se trata de ser pró-Rússia, mas de analisar as consequências evidentes do que a Otan se tornou pós-Guerra Fria.   

Dissolução da URSS 

Chomsky lembra que como parte do acordo de dissolução da antiga URSS a Otan não avançaria para os países desmembrados do bloco soviético. Ocorre que a Otan foi criada em 1949, já no contexto da Guerra Fria, para estabelecer uma frente militar de países capitalistas ante à URSS. 

Em resposta, se constituiu o Pacto de Varsóvia, uma aliança militar assinada em 1955, na cidade de Varsóvia, Polônia, entre a União Soviética e sete outras repúblicas socialistas do Bloco Oriental da Europa Central e Oriental. Esse pacto deixou de existir com a dissolução da URSS. 

Chomsky volta a questionar: por que a Otan seguiu ativa se a sua razão de existir era a ameaça representada pela URSS? A Casa Branca enxergou na Otan a possibilidade de fazer frente ao multilateralismo das Nações Unidas e avançar bases militares pela Europa, Oriente Médio, Ásia e Norte da África. 

Em 1991, quando a bandeira da URSS baixou e a da Rússia foi hasteada, a Otan deixou de se preocupar com o comunismo para voltar suas atenções a uma geopolítica não mais pautada pela bipolaridade, senão a partir de interesses econômicos e militares mais amplos sobretudo do país que lidera a aliança. 

Chama a atenção o fato de que a Otan, que atravessa a Guerra Fria sem engajamento militar algum, tem um grande ativismo no período pós-Guerra Fria. A permanência da aliança transatlântica passa a ser fator fundamental para que a Otan assuma um caráter intervencionista, alheio aos seus fundamentos.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    5 de outubro de 2023 8:17 am

    Idoso, porém jovem e lúcido. Long live Noam Chomsky!

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