7 de outubro de 2026

Congressistas dos EUA cobram Rubio por ações contra o Brasil

Carta questiona revogação do visto de embaixadora e possível atuação de Washington sobre eleição brasileira; leia íntegra do documento
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos. Foto: Official State Department photo by Freddie Everett

Doze deputados dos EUA questionam Marco Rubio sobre revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.
Carta cita possível tentativa de influenciar eleição brasileira de 2026 e pede explicações sobre ações do Departamento de Estado.
Parlamentares cobram evidências sobre dúvidas no sistema eleitoral brasileiro e impacto nas relações bilaterais com os EUA.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Doze deputados dos Estados Unidos cobraram explicações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e sobre a atuação do Departamento de Estado em relação ao processo eleitoral brasileiro.

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A carta foi enviada em 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno da eleição presidencial brasileira e 19 dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. No documento, os parlamentares questionam se medidas adotadas pelo governo de Donald Trump fazem parte de uma tentativa de influenciar a eleição de 2026.

A carta é assinada por Sydney Kamlager-Dove, Gregory W. Meeks, James P. McGovern, Pramila Jayapal, Nydia M. Velázquez, Jonathan L. Jackson, Sylvia R. Garcia, Dina Titus, Yvette D. Clarke, Mike Quigley, Jasmine Crockett e Madeleine Dean.

Seis dos signatários integram o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes. Entre eles está Gregory Meeks, principal democrata do colegiado. Kamlager-Dove é copresidente do Congressional Brazil Caucus, enquanto McGovern integra a Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos.

No início da carta, os deputados classificam o episódio que culminou na revogação do visto de Ribeiro Viotti  como uma “disputa diplomática fabricada” pelo Departamento de Estado e uma medida considerada “extraordinária e sem precedentes” pelos parlamentares.

Na visão dos políticos, a decisão representa mais um passo na deterioração da relação entre Estados Unidos e Brasil. O documento cita ainda as tarifas de 50% impostas ao Brasil e as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes como parte do quadro de tensão entre os dois países.

Congressistas questionam influência sobre eleição

A carta afirma que a revogação do visto da embaixadora seria a mais recente de uma série de ações da administração Trump que, segundo os parlamentares, buscariam influenciar o resultado das eleições brasileiras de 2026.

Entre outros episódios, os deputados citam a atuação de funcionários do Departamento de Estado que viajaram para tratar de questões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro, as sanções contra Moraes e a nomeação de Darren Beattie como enviado para o Brasil.

O documento também menciona que funcionários do governo norte-americano, Riley M. Barnes, secretário-assistente de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto para a mesma área, tiveram vistos negados pelo Brasil.

De acordo com a carta, a revogação do visto de Ribeiro Viotti teria ocorrido em retaliação à negativa brasileira. Os parlamentares querem saber qual era o objetivo da viagem dos dois funcionários e quais reuniões estavam previstas no país.

Um dos pontos mais diretos da carta diz respeito a possíveis contatos entre integrantes do governo Trump e a família Bolsonaro: os congressistas perguntam a Rubio se o secretário, seu adjunto ou outros funcionários de alto escalão do Departamento de Estado autorizaram contatos com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou seus representantes relacionados à revogação do visto da embaixadora brasileira.

A pergunta ganha relevância no contexto do segundo turno da eleição presidencial brasileira. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva foram os dois candidatos mais votados e disputarão a segunda votação em 25 de outubro. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

“Que evidências” existem sobre o sistema eleitoral?

Os deputados também questionam diretamente a atuação do Departamento de Estado sobre o sistema eleitoral brasileiro: a carta pergunta por que funcionários norte-americanos buscaram examinar o sistema eleitoral durante uma campanha presidencial em andamento e exige que o governo apresente evidências concretas para sustentar eventuais dúvidas sobre a credibilidade das eleições brasileiras.

“Que evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral do Brasil possa carecer de credibilidade?”, questionam os parlamentares, que também perguntam se o governo norte-americano considera que a eleição brasileira de 2022 foi livre e justa e se possui alguma evidência de que a eleição de 2026 não será.

Ao todo, os congressistas apresentam sete perguntas ao Departamento de Estado, e questionam se o governo avaliou a possibilidade de que suas ações prejudiquem a relação entre Washington e Brasília, aproximem o Brasil da China ou afetem a cooperação em áreas como combate ao narcotráfico, segurança regional e comércio.

“As relações entre Estados Unidos e Brasil devem se basear no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro”, afirmam, destacando que a relação bilateral não deveria ser determinada pelo resultado eleitoral do candidato apoiado pelo presidente Donald Trump. O prazo estabelecido para uma resposta por escrito é 20 de outubro, cinco dias antes do segundo turno da eleição presidencial brasileira.

Leia abaixo a íntegra da carta encaminhada ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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